terça-feira, 12 de março de 2013

Capítulo 22 - Kidnapped!?

Oi gente!! Tudo bem com vocês? Desculpa mesmo pela demora, mas estava  muito difícil pra eu conseguir escrever ultimamente... Bom, pelo menos eu  consegui postar antes do combinado, né? ;D Espero que gostem desse capítulo. Me desculpem se tiver alguns errinhos, tá? Eu escrevi fora do Word ( ou seja, sem o corretor que facilita a minha vida hahaha) e revisei bem rapidinho porque eu estava ansiosa pra postar logo! hahahaha
E como algumas pessoas perceberam, a Miley está mesmo gostando do Nick, mas do jeitinho dela, né? kkkkk
Gente, no capítulo 20, eu tive tantos comentários, e no 21 eu só recebi seis, a metade do que eu recebi ou até menos... Por favor, gente, naõ deixem de comentar, tá bom? Eu amo os comentários de vocês, e são eles que me inspiram a escrever.

Boa leitura

Beijos!


Miley Narrando


    Depois de um relaxante banho quente, eu vesti meu baby doll pronta para uma boa noite de sono. Eu sei que eu não fiz muita coisa hoje, mas mesmo assim eu me senti cansada a tarde toda. Ontem eu não consegui ter um bom sono, como de costume. Então a única coisa que eu consigo pensar agora é entrar de baixo desses confortáveis lençóis e finalmente dormir. Bom, não é exatamente a única coisa que eu tenho pensado ultimamente, mas pelo menos é a única coisa realmente sensata.

      Me sentei na minha cama de pernas cruzadas e busquei o delicado objeto de cima do criado mudo. A fina corrente prateada se enrolou entre meus dedos e deixei o seu pingente azul em evidência na palma da minha mão. Encontrei escondido no fundo da minha gaveta, nessa ultima semana. Eu deveria ter me livrado disso enquanto eu tive tempo. Infelizmente, eu não consigo mais me desapegar desse colar. Essa jóia sempre me faz lembrar do Nicholas. Então porque eu ainda faria questão de guardá-la?

   Eu não sei muito bem se é por causa do estresse da missão ou se é de algum motivo desconhecido, mas nos últimos dias eu ando um tanto confusa em relação ao Nick. Ok, eu confesso, ele não sai da minha cabeça. Essa conclusão chega a ser um pouco assustadora para mim. Isso não deve ser normal. Muito menos naquele momento de tarde em que eu não soube o que fazer só porque estávamos juntos demais. Eu sempre soube o que fazer e o que falar!

   Seus olhos não saem do meu pensamento. Sempre me encarando sem medo, sem fingimentos, me aquecendo até a ponto mais frio e profundo de meu corpo. Fechei os olhos e pude me lembrar perfeitamente do seu perfume envolvente, como se eu estivesse inalando-o agora mesmo. Suspirei profundamente, tentando voltar à minha sanidade. Isso não é um bom sinal. Desde quando eu deveria estar tão atraída pelo cara que é filho do meu maior inimigo? Do imbecil que eu enganei até descobrir pelo seu irmão mais velho? Daquele que supostamente deveria ser a minha vítima?

   Mordi o meu lábio inferior um pouco nervosa. Não era com isso que eu deveria estar preocupada. Eu deveria me preocupar com a missão! E aqui estou eu relembrando do seus olhos escuros e do seu perfume viciante. A cena chega a ser ridícula! Uma das piores golpistas da Europa atraída pelo filho da sua próxima vítima. Eu deveria me envergonhar.

   Algumas batidas na porta do meu quarto me fez acordar para a realidade.

   -Miley? Ainda está acordada?

    -Não, estou dormindo de olho aberto mesmo... - ironizei sem paciência com a pergunta inútil do meu tio.

   -Posso entrar, senhorita delicadeza? -ele perguntou do outro lado, provavelmente não gostando muito do meu fora.

   Contra a minha preguiça, me levantei da cama e destranquei a porta. Logo depois que abri, Steve adentrou meu quarto.

   -E aí? - perguntou ele, ansioso por uma resposta.

   -"E aí", o que? - perguntei confusa.

   -Como que ficou o acesso do Nicholas? Ele te falou o que se resolveu? - se especificou.

   Então eu me dei conta que não tive contato nenhum com Nicholas depois do episódio do banco. Eu tinha esquecido que ele estava resolvendo problemas do acesso da conta. Até agora eu não recebi nenhuma ligação sua, muito menos mensagem. Não é de se estranhar muito já que ele deve estar querendo que eu desapareça do jeito que ele deve me odiar. Obviamente ele deve estar evitando qualquer custo algum contato comigo.

   -Eu ainda não consegui falar com ele. - eu respondi.

   -Sério? Então o que está esperando? Ligue para ele!

   Caminhei até o meu criado mudo onde estava o meu celular digitei rapidamente o número que eu já sabia de cor. Levei até o meu ouvido e esperei ser atendida. Tentei conter minha ansiedade em ouvir sua voz, porém até a ansiedade foi inútil, pois ninguém atendia. Ele não deve ter escutado. Tentei ligar novamente, mas não houve nenhum sinal dele.

   -Ele não atende. -falei cruzando os braços. - Provavelmente está no banho, ou sei lá, não escutou. Mais tarde eu tento ligar de novo.

   Steve com ar de desconfiança ficou refletindo sobre isso.

    -O que foi? - eu perguntei.

    - Ele já deveria ter ligado para gente, não acha? Vou ligar para a casa dos Jonas para confirmar se ele está lá.

    O que o meu tio acha que aconteceu? Será que ele está desconfiando que o Nicholas fingiu? Sei lá, eu não acredito que ele fugiria. Ele nunca deixaria sua família e seus amigos em risco, deixando-os para trás. O que? Porque eu também imaginei isso? Ele apenas não atendeu o telefone. Meu tio que está preocupado de mais. E já está me fazendo imaginar absurdos como esse.

    Ele pegou o celular do seu bolso digitou o número da mansão. -Alô? Oi, Christiane! Como a senhora está? Oh, desculpa. Esqueci que você não gosta de ser chamada de senhora. Força do hábito. - ele deu uma risadinha. - Bom, eu só gostaria de saber se o Nicholas está. - ele esperou ela terminar de falar. Pela sua expressão, ele não gostou muito do que ouviu. - Ele deve ter saído com a Miley então... Ela me disse que iria dar um passeio... Obrigado, então, Christine. Beijo, tchau.

   - E então? Ele está? - perguntei cruzando os braços.

   - Não, como eu desconfiava.

   - Ele deve voltar logo. Sei lá, deve ter saído com o amigo ou com...uma garota. - falei não gostando muito da segunda opção, mas que pode ser bem provável, mesmo.

   -Espero que sim. - Steve disse pensativo. -Amanhã cedo tente ligar para ele de novo. Não estou gostando muito dessa falta de contato.

   -Ok. Agora pára de imaginar coisas demais, senão vai acabar de deixando doida... - eu falei me sentando na cama.

   -Eu só estou sendo cauteloso, Miley. Nós temos que nos lembrar que ele ainda nos considera como inimigos. Que só está trabalhando pra gente porque está sendo forçado. Devemos sempre estar de olho nele.

   Bufei entediada só de imaginar o tio Steve dando o mesmo discurso de sempre: Nós temos que fazer um crime perfeito, para isso devemos imaginar todas as possibilidades e blá, blá, blá...

   - Você não quer um crime perfeito? Então... - antes que ele pudesse dar continuação com o seu sermão, eu o interrompi rapidamente.

    -Eu já entendi, já entendi... - eu coloquei fingidamente a mão sobre minha testa com uma expressão de dor. - Olha, eu não consegui dormir muito bem ontem e estou com uma dor de cabeça insuportável.

    Steve estreitou seus olhos para mim com a óbvia descrença da minha dor de cabeça. Eu fiz um gesto com as mãos para que ele saísse.

    -Até amanhã, então. - ele murmurou antes de sair do meu quarto e fechasse a porta atrás de si.

   Inspirei e respirei profundamente, tentando limpar minha mente de qualquer preocupação para pelo menos conseguir relaxar. Joguei meu tronco pra trás, indo de encontro com o colchão macio. Deitada, eu tomava conta de quase toda a cama, com os braços estendidos. E para minha infelicidade, ouço a já conhecida música do toque do meu celular. Olhei para a direção de onde vinha o toque com a esperança que desistissem, porém continuou tocando. Um gemido de insatisfação arranhou minha garganta. Apesar de eu adorar ouvir Joan Jett, me desanima saber que eu tenho que atender o celular agora para resolver alguma coisa sobre a missão, pois é só para isso que me ligam. Porém, logo lembrei que pode ser o Nick dando o seu sinal de vida. Me arrastei preguiçosamente sobre a cama até a minha mão alcançar o aparelhinho barulhento.

   -Alô? -atendi.

   -Fiquei sabendo que seu pai ou seu tio, ou seja lá quem seja, ligou para cá perguntando pelo Nick, qual é o problema? - não foi nem preciso ser identificado para eu poder reconhecê-lo pela voz e pela sutileza.

   -O problema, Joe, é que nós estávamos nos resolvendo em alguns... compromissos - achei melhor não especificar muito bem sobre qual era o nosso plano. - Eu e Steve o deixamos por conta própria logo durante a tarde e  ele não ligou até agora para os avisar no que deu. Meu tio ficou desconfiado e ligou para a sua casa para saber se ele estava aí. Bom, pelo visto ele não está. Por acaso, sabe onde seu irmãozinho se meteu? -eu perguntei.

   -Não, eu pensei que ele ainda estava com você, mas quando seu tio ligou perguntando por ele eu fiquei mais preocupado. Onde vocês o mandaram ir?

   -Nós o deixamos no centro da cidade, nada muito perigoso ou coisa do tipo, tá? Acho que o Steve está pensando na possibilidade dele ter fugido. Mas o seu irmão deve saber que seria arriscado demais fazer uma loucura dessas. - essa última frase soou mais como uma ameaça do que uma simples afirmação. Vai que o Joe tenha apoiado essa ideia... Bom, pelo menos isso fica como um aviso. Os dois sabem do que eu sou capaz quando tentam me passar a perna. Ainda mais depois da morte do xerife.

    -Seria egoísta, mas inteligente da parte dele. No entanto, eu sei que o Nick não teria coragem deixar a família nas mãos de uma cobra como você.

   -Então, você tem alguma ideia de onde Nicholas pode estar? - perguntei ignorando o fato de ter me chamado de cobra.

   - Não, e mesmo se eu tivesse alguma ideia eu não te contaria. - imbecil! - Talvez esteja por aí com alguma garota mais interessante do que você. Só porque está trabalhando para você e para o Steve não quer dizer que ainda tem algum compromisso contigo. Nunca parou par pensar que ele já deve ter arrumado alguma namorada ou talvez só uma peguete? - odeio admitir isso, mas o Joe pode ter razão. Faria todo o sentido: ele nunca atenderia alguma ligação minha se tivesse junto com alguma garota, a explicação está fora a noite sem avisar a ninguém. Com aquele charme dele, ele conseguiria conquistar qualquer uma. Porque desperdiçaria a oportunidade dessas por minha causa? O sangue começou a subir para o meu rosto, dando sinal da minha irritação que tentei conter.

   -Espero que seja isso mesmo. - minha voz saiu mais áspera e severa do que antes. - Quando o "Dom Juan" chegar, avise-o para me ligar. - encerrei a ligação antes mesmo que ele pudesse responder alguma coisa. Desliguei o celular para certificar que ninguém me perturbaria mais essa noite.

   -"Talvez esteja aí com uma garota mais interessante do que você" - repeti a fala do Joe forçando uma voz ridícula, na tentativa de o imitar. - Nunca! Como se existisse alguma mulher melhor do que eu. Mais inteligente do que eu, mais sexy do que eu, mais bonita do que eu, mais divertida do que eu. Ele não vai conseguir achar nem um por cento do que eu tenho nessas patricinhas de Los Angeles! - eu falei comigo mesma enquanto apagava a luz.

   Me deitei na cama e me enfiei debaixo dos lençóis. Apoiei minha cabeça no travesseiro ainda com uma leve carranca impossível de ser evitada depois que se perde seu tempo ouvindo Joe Jonas tentando te irritar.

  


   Nicholas Narrando


    Abri meus olhos logo que me dei conta que a luz solar matinal batia em meu rosto. Senti ainda uma breve tontura, não me deixando prestar atenção direito do que realmente estava acontecendo a minha volta. Depois que tudo a meu redor voltou para o seu devido lugar diante de meus olhos, percebi que eu estava em um lugar desconhecido. Na verdade, mais me parecia um quarto abandonado, com suas paredes descascando e móveis velhos. Olhei para a janela que tinha uma grade de proteção antiga. Pela paisagem quase desértica lá fora, já tive certeza que eu estou bem longe de Los Angeles.

   Tentei me levantar de onde eu estava, mas era impossível sequer se mover. Cordas amarraram meu tronco junto com a cadeira de madeira que eu estava sentado. Meus pulsos e pés também estavam paralisados. Me movi com mais força, na esperança de me soltar, mas foi totalmente inútil. Elas foram amarradas forte demais.


     Aliás, onde estão os loucos que me sequestraram? Cadê a descontrolada da Miley que teve essa ideia ridícula de me prender desse jeito? Será que eles me vigiavam enquanto eu estava no banco e acharam que eu fiz algo errado?  Ou será que eles na verdade fingiram que tinham me incluído na gangue, pra na verdade quando eu menos esperar ser sequestrado para eles darem continuação aos seus planos sem minha interferência?  Que seja, quero que acabem com isso logo é que me tirem daqui!

    - Ei! -gritei olhando em direção a porta. - Que merda é essa? Me tirem daqui!

    Não demorou muito para alguém aparecer na batente da porta. Era o mesmo que eu tinha dado um soco no nariz. Ele era alto, mas não suficientemente forte para acoar alguém. A não ser pela sua cara que carregava uma expressão maldosa, como de um maníaco.

   -Pelo jeito a Bela Adormecida acordou... - ele comentou com um sorrisinho debochado ao me ver lutando inutilmente contra as cordas que me prendiam.

   - Dá para parar com essa babaquice? - respondi. - Será que não já está claro que eu vou fazer o que vocês quiserem? - tentei lembrar de algum deslize ou um erro eles tenham considerado grave. Logo me veio a cabeça o episódio em que o Chad me conta sobre ao passado da Miley e do meu pai. Só pode ser isso! - Olha, eu sei que a Miley deve estar estressada e humilhada... Mas isso aqui não tem cabimento! Chama logo essa maluca para eu conversar com ela.

   -O que esse garoto está falando? - perguntou um homem que tinha acabado de entrar no quarto também. Eu não o conhecia, nem mesmo o reconhecia de ontem a tarde. Acho que ele não estava entre aqueles três da vã, não que eu lembre.

   -Eu sei lá! Ele está falando de uma tal de Micky que está chateada e que ele quer conversar com ela.

   - Miley! Aquela Miley, uma de cabelos longos e olhos azuis. Bonitinha, mas vive de mal humor. - eu corrigi fazendo questão de dar ênfase sobre quem eu estava falando. Pelo menos essas são mas características que qualquer um reconhecia nela. Só que a diferença é que ela não é só bonitinha, ela é linda.     
                 
 -Tem certeza que você deu a dose certa de dopante para ele? Se ele continuar delirando desse jeito, vai ficar difícil para gente conseguir o dinheiro! Precisamos de informações vindas dele! - disse o homem que tinha acabado de entrar. Como assim? Então eles não conheciam a Miley? Ok... Isso está ficando mais estranho do que eu imaginava.

   -Posso saber o que vocês querem de mim?

   - Será que você ainda não percebeu? - o mais alto fez um gesto com os dedos. -Dinheiro, muito dinheiro! Nós sabemos que você é filho de um milionário.

    Não acredito. Ser forçado a trabalhar com uma gangue para ser sequestrado por outra... Isso só acontece  comigo!


  Miley Narrando


   Sai rapidamente do carro, não fazendo questão nenhuma de bater a porta com delicadeza. Juro que se eu a batesse mais forte, o vidro da janela se quebraria. Um misto de raiva e ansiedade tomava conta de mim, não me deixando de pensar no que pode acontecer em qualquer momento. Eu e Steve caminhamos até a entrada de um porão abandonado de uma pequena fábrica.

    Steve bateu três vezes na porta de metal e logo um homem abriu a porta deixando apenas o seu rosto do lado de fora.

   -O que vocês querem?

   - A águia ainda voa alto. Agora me deixa entrar. - eu falei o código senha de uma vez e abri mais a porta e empurrei o homem para dentro, me dando espaço.

   Steve não reclamou do meu jeito grosseiro de hoje. Ele sabe que eu tenho razão pra isso, então evitou fazer ou falar coisas que me deixassem cada vez mais irritada.

   Chegamos até uma salinha reservada que provavelmente era algum tipo de escritório do antigo proprietário da fábrica. Eu andava com uma expressão nem um pouco simpática. Alguns homens a nossa volta seguravam nas suas armas que estavam presas no cós da calça, se preparando para atacarem se por acaso eu pires de vez e queria matar todo mundo. Pelo menos é assim que seus olhares para mim me retratam.

    Entramos na salinha e encontramos com o Black Bull, um homem com uns quarenta anos de idade com os braços cheios de tatuagem, mas vestindo roupas de grife e fumando um charuto, provavelmente cubano. Se traficantes ganham tanto dinheiro assim, não era de se surpreender que tivesse algum tipo de glamour.

   -Por que você não avisou isso antes, seu merda? - eu levantei a voz para o homem sentado a minha frente, batendo na mesa fortemente o fazendo se assustar e quase engasgar com a fumaça do seu charuto.- Nós fizemos uma parceria para um ajudar o outro. E o que você me trás? Problemas com a porra da sua gangue inimiga!

   Os três homens que também estavam dentro da sala conosco tiraram suas armas se preparando para atirar em mim apenas com o pedido de seu chefe. Eu estou nem aí pra eles. Sei que se me materem, vão perder uma excelente oportunidade de ganhar uma parcela da fortuna que eu e meu tio ainda vamos conquistar. Como já era de se esperar, Black B. pediu com um gesto de mão para que abaixassem as armas, e assim foi feito.

   -Olha, eu consegui um informante de lá faz muito pouco tempo, quando ele me informou que planejavam sequestrar o caçula do Paul Jonas, eles já tinham conseguido levar o garoto. - ele disse enquanto apagava seu charuto e apoiava seus braços sobre a mesa. -Calma, ta bom? Ainda temos chance de reverter isso. De acordo com meu informante, eles ainda vão demorar para fazer a ligação de resgate para Paul. Dá tempo de irmos atrás deles e atacar, a defesa deles não está tão excelente assim.

   - Então o que está esperando? Manda logo seus homens atrás dele!

   -Não é tão simples assim. Ainda nem sabemos onde eles esconderam o garoto.

   -Então pra que vocês têm um informante? Como é que vocês querem ganhar algum dinheiro do nosso golpe- enfatizei bem o "nosso"- se vocês não querem ajudar em nada, nem em um problema que é exclusivamente seu. Ou melhor, como vamos fazer isso sem o Nick? -perguntei mais do que irada. -Quer saber? Eu acho que você é um bandido de merda que tem medo de enfrentar o seu inimigo de frente. É por isso que eles estão se dando bem.

   -E você acha que é quem pra falar desse jeito comigo, garota? - finalmente Black B. começou a se irritar de verdade comigo. Ele se levantou da sua cadeira e com um olhar fulminante me encarava. - Você está falando com o traficante mais poderoso da Califórnia.

   -Grande merda! O que basta ser poderoso- frisei bem a palavra poderoso com ironia- se não ajuda em nada! Pelo contrário, só me atrapalhou. Pra mim já chega! Eu não quero mais saber de parceria nenhuma com você.

   -Miley, espera. Vamos tentar nos resolver com mais calma. Nós nunca vamos conseguir achar o Nicholas sem a ajuda dele. -o meu tio tentou me acalmar. Porém só me provocou o contrário. Odeio quando se acha mais racional e esperto do que eu, quando ele acha que eu só faço as coisas por impulso sem pensar em nada. Odeio como ele fala desse jeito na frente de todos como se eu não fosse capaz de resolver alguma coisa sem a ajuda de alguém.

   -Eu não tenho mais nada para resolver com esse cara. O Nick foi sequestrado por culpa dele. Você não parou pra pensar o que poderia estar acontecendo com ele agora enquanto estamos apenas "nos resolvendo"? - eu me soltei do meu tio lancei um último olhar para o Black Bull e sai dali antes que eu pudesse fazer um escândalo bem pior.

   O que mais me intriga é que ninguém se tocou que isso é realmente sério. Eu sei muito bem o que os criminosos podem fazer em sequestros pra conseguir o que quer. Os mais variados tipos de torturas me vieram a cabeça desde que descobri sobe o ocorrido, me deixando cada vez mais aflita e me fazendo perder a sanidade que me resta. E eles continuam agitando como se tudo fosse muito natural. Isso me deixa fora de mim!

   Sai do local, caminhando até alguma parte mais movimentada daquele bairro. No caminho achei um táxi disponível e o peguei. Por mais que o meu orgulho esteja protestando aos gritos por isso, eu não posso deixar de procurar o Joe. Ele pode me ajudar em algum jeito, pelo menos pra acabar com as expectativas pessimistas da família em relação ao paradeiro de Nick. Eu dei o endereço ao motorista, e obedecendo ao meu pedido, o táxi não demorou muito pra chegar ao destino, sem se preocupar em avavançar sinais de trânsito e ultrapassar alguns limites de velocidade. Eu paguei ao taxista, e saltei rapidamente do carro.

   Os seguranças, que já me conheciam, liberaram a minha passagem e abriram os portões para mim. Caminhei até a enorme entrada da mansão e apertei a campainha. O mordomo me atendeu prontamente e antes que eu pudesse o cumprimentar ou perguntar pelo Joe, Christine surgiu no meu campo de visão.

   -Miley, pelo amor de Cristo, onde está o Nick? - perguntou ela preocupada. - Ontem a noite o seu pai ligou pra cá perguntando por ele. E desde que vocês saíram daqui juntos ele não voltou e nem atende o celular. - ela dizia enquanto me puxava pra o sofá. Me senteis ao seu lado com um falso sorriso de descontração.

  -Está tudo bem... O Nick estava comigo. Ele, er... dormiu lá em casa. - eu disse tentando transmitir um pouco de calma para a loira.

   -Ah é? Aí que bom! Você não sabe o susto que ele nos deu aqui em casa. -ela disse com a mão sobre o peito, em sinal de alívio. - Mas por que ele não veio com você? - ela perguntou estranhando.

   Até que a loira meia fútil não é tão burra como eu imaginava...

  - Ele ainda está dormindo. Você sabe, balada, bebidas demais... - eu disse soltando uma risadinha, sendo acompanhada pela Christine. - Bom, acho que ele vai continuar passando alguns dias comigo. Estamos planejando de viajar juntos. Sabe, botar o pé na estrada... Queremos aproveitar bem essas ferias antes de entrar na faculdade. Enfim, eu vim aqui pra conversar sobre isso com o Joe. Ele está aí? - eu perguntei sem mais delongas.

  -Ele está lá em cima. Quer que eu o chame? -ela perguntou.

   -Por favor. - eu falei balançando a cabeça positivamente.

   -Quem quer falar comigo? -perguntou o Joe descendo as escadas na hora. Quando ele viu quem era a visita fechou o discreto sorriso que carregava no rosto. -Miley? Você sabe que o Nick não voltou pra casa até agora, né? - ele perguntou com um olhar de que eu era culpada disso.

   -Eu sei, ele está lá em casa. Eu vim aqui pra conversar com você. Sobre uma viagem que nós vamos fazer, então o Nick sugeriu que eu pedisse ajuda  a você.

   Um pouco desconfiado dos meus argumentos, ele balançou a cabeça em sinal de compreensão.

   -Claro! Se importa em vir conversar no quarto? Eu vou te mostrar algumas fotos de algumas viagens de estrada que fiz com alguns amigos, que vocês podem ir também. -ele ofereceu. Aposto que já sacou que não tem viagem nenhuma. Pela sua suspeita gentileza, ele deve estar usando uma desculpa qualquer pra conversarmos a sós.

   -Tudo bem. - respondi.

   Ele fez um sinal para que eu o seguisse e faz o caminho de volta ao segundo andar. Subi logo atrás dele. Entramos no seu quarto, que por sinal é bem espaçoso e bem decorado como o do Nick. Porém, tinha o seu próprio estilo. Joe parou na minha frente cruzando os braços.

   - Onde está o Nick? De verdade.

   -Esse é o problema. Eu não faço a mínima ideia. -eu comecei a andar de um lado pro outro. Estava sendo quase uma tortura pra mim fingir que estava tudo bem pra conversar com a Christine. O meu nervosismo estava quase chegando ao ponto de me controlar. Com o Joe eu não precisava fingir nada, então eu soltei a notícia logo de uma vez. - Ele foi sequestrado.

   -Como assim sequestrado, Miley? Como você não sabe onde ele está? -perguntou ele levantando a voz.

   -Shhh...-eu fiz o sinal de silêncio com o indicador sobre os lábios.- Ei, eles não podem saber disso de jeito nenhum. - eu apontei para a porta, me referindo a sua família. -Só pioraria a situação.

   -Como você não sabe onde ele está? Não é você a criminosa?

   -Não faria sentido eu sequestrar o Nick assim do nada. -eu disse como se fosse óbvio. -Foi uma outra gangue que o sequestrou.

   -Então para que você veio até aqui? Só pra me falar isso ou você quer alguma coisa a mais?

   -Eu preciso da sua ajuda, sei lá para alguma coisa você deve servir!

    -Tipo o que? -ele perguntou.

    -Tipo falando para o seu pai e para Christine que nós fomos viajar, e fala que você tem contato com o Nick e que está tudo bem. Eles não podem nem imaginar que ele está em perigo. Ah, e falando nisso você percebeu alguma coisa estranha essa semana? Alguém te vigiando ou algumas coisa parecida. Talvez eles poderiam ter planejado te levar no lugar dele mas desistiram. Você lembra de algum veículo que circulava com frequência perto de você?

   -Não... Eu não me lembro de nada suspeito.

   -Você tem algum plano? -ele perguntou um pouco aflito.

   -Nada específico, a não ser de salvar o Nicholas antes que percebam que ele foi sequestrado. Mas eu preciso pensar em alguma coisa. Me ajuda, vai!

    Joe sentou-se na sua cadeira ainda me observando brincar com o colar entre os dedos e andar de um lado pro outro. Provavelmente eu já devo estar assim desde que entrei aqui no quarto.

   -A situação já é complicada, com você nervosa desse jeito só vai  piorar. Parece até que se importa! -ele disse perdendo a paciência comigo.

   -Mas eu me importo! -eu protestei.

    -Se importa? -ele perguntou não acreditando no que eu tinha acabado de falar. Nem eu acredito que eu disse isso.

    -Ele é essencial pra o nosso golpe. Além do mais, se a policia for investigar o sequestro dele, vai achar sobrando pra mim. -eu falei dando de ombros. Fico até impressionada da maneira que consegui achar algum motivo plausível para estar desse jeito. Mas não era só por isso, eu sabia disso. Mas quem disse que eu quero admitir um absurdo desses?

   -É mesmo... -ele concordou com um olhar distante. - E como você vai atrás dele sem saber onde ele está?

  Isso é uma excelente pergunta que eu gostaria de saber a resposta.

   -Eu não sei. -suspirei- Se eu soubesse onde está... -falei pensando alto. - Se pelo menos ele tivesse algum tipo de rastreador...- como um fetiche de luz, uma ideia, ou melhor, uma lembrança iluminou a minha mente.

   - O que houve? -perguntou ele curioso, provavelmente sabendo que eu tive uma ideia, através da minando expressão.

   -Um rastreador! Eu tinha baixado um aplicativo no celular dele para localizá-lo, nos primeiros dias que tinha descoberto sobre mim. Caso ele cismasse de fugir ou coisa parecia, mas não tinha levado muita fé nisso. Nem sei se funciona mesmo... Mas talvez seja a nossa salvação.

   -A salvação do Nick, melhor dizendo. - eu frisou, se levantando com expectativa. -Vê se funciona!

   Eu peguei o celular do meu bolso e ativei o aplicativo. Depois de alguns segundos de carregamento, surgiu um mapa eletrônico. A setinha que representava o celular dele apontava para um ponto em frente a uma estrada em Riverside, uma cidade perto de LA. Meu coração disparou em expectativa. Esssa  é a única pista que tenho e  é nela em que vou me agarrar.

 

 

sexta-feira, 8 de março de 2013

Aviso!

Oi gente! Como vão vocês? Eu sei, eu to meia sumida mesmo e é mais ou menos sobre esse assunto que eu vou explicar nesse post!
Bom, eu ainda estou me acostumando com a minha nova rotina, entao eu continuo um pouco enrolada pra entrar no blog e ler fics com calma, então me perdoem se eu estou um pouco atrasada nas fics de vocês ( para as autoras das fics que eu leio).
E para quem está ansiosa pra o novo capitulo, falta bem pouquinho para atualizá-lo. Mas infelizmente, eu nao consegui terminar pra postar essa semana, como eu queria. Eu só queria dar um sinal de vida para vocês não acharem que abandonei minha fic ou as fics que eu estou acostumada a ler. Nesse mês, eu vou conseguir me ajeitar mais e arrajar um tempinho especial pra fics. Tudo está se ajeitando aos poucos...
Então eu vejo vocês na sexta-feira, ok? Prometo que até sexta eu posto, talvez até um pouco mais cedo :)
E aí o que estão achando da fic? Alguma advinhação sobre o que vai acontecer? Quero saber a opinião de vocês!
Obrigada pela paciencia, cherry bombs. <3
Beijos!

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Capítulo 21 - No light, No light


Trecho da música “No light, No light” – Florence + the machine :
You are the hole in my head (Você é o buraco na minha cabeça)
You are the space in my bed ( Você é o espaço na minha cama)
You are the silence in between (Você é o silêncio entre)
What I thought and what I said (o que eu pensei e o que eu disse)

You are the night-time fear (Você é o medo noturno)
You are the morning when it's clear(Você é a manhã quando está claro)
When it's over you’re  start (Quando acaba, você é o início)
You're my head, you're my heart (Você é a minha cabeça, você é o meu coração)

No light, no light in your bright blue eyes (Sem luz, sem luz nos seus brilhantes olhos azuis)
I never knew daylight could be so violent (Eu nunca soube que o a luz do dia poderia ser tão violenta)
A revelation in the light of day (Uma revelação à luz do dia)
You can’t choose what stays and what fades away (Você não pode escolher o que fica e o que desaparece)


Nicholas Narrando

                Eu não conseguia processar bem tudo o que tinha acabado de ouvir. Meu pai. Aquele homem que me criou, que me educou durante todos esses anos é um crápula. Como ele poderia ser capaz de fazer todas aquelas maldades? Eram pessoas inocentes! Ele foi o responsável de uma delas se transformar numa assassina fria e cruel. Isso tudo foi por causa da sua ambição em conseguir a maldita empresa só pra ele. Fiquei um tempo tentando refletir toda essa história. Me doía saber que sou filho de um homem que fez tanta crueldade por poder. Me doía ainda mais saber que a Miley, por mais que eu não queira, a mulher que eu amo tanto, sofreu coisas absurdas antes de ser o que é.
                Chad tentou me empurrar mais algumas bebidas para poder esquecer e relaxar, mas eu acho que agora seria impossível tomar até um gole de água. Como se um nó estivesse formado na minha garganta e impedisse a passagem de qualquer líquido.
                -Agora que você sabe de tudo, finja que não ouviu nada, ok? Se soubessem que você descobriu sobre a Miley, sobraria para mim. Ela recusa a demonstrar fraqueza para as pessoas, e acho que essa história ainda não se cicatrizou nela. Eu só contei para você porque o seu pai estava envolvido nisso e acho que você deveria mesmo saber quem é o verdadeiro Paul Jonas. Talvez assim, você possa nos ajudar de verdade nessa missão. – ele disse logo depois de tomar seu terceiro drinque.
                -Como eu falei, eu não vou contar para ninguém. Ninguém vai desconfiar de nada. – eu disse me levantando da cadeira.
                -Para onde você vai? – perguntou confuso.
                -Eu vou sair para respirar melhor e poder absorver essa história toda. - eu falei pegando uma nota de cinquenta dólares e deixando em cima do balcão, não me importando com o preço exato da minha bebida que eu nem sequer toquei.
                Saí do bar rapidamente e dei partida com o meu carro. Acelerado, levei o meu Ashton Martin até um lugar já conhecido. Estacionei em frente à praia e saí do automóvel e me apoiei no capô do carro para observar o mar a minha frente.  De alguma forma, o cheiro, o barulho das ondas ou até mesmo a visão de mar quase infinito, me deixa mais calmo. Por isso escolhi vir para cá. Para poder botar minha cabeça no lugar e decidir o que fazer a partir de agora. 
                Cenas se formavam em minha mente de acordo com os relatos de acordo com o Chad. O Billy sendo assassinado na frente da filha. A insistência da Miley por justiça e sendo totalmente ignorada por um policial corrupto. Lágrimas de desespero banhando seu rosto delicado. Miley enclausurada num quarto de um manicômio ouvindo todas as noites gritos insanos de outros pacientes.
                Tentei segurar lágrimas que ameaçavam cair de meus olhos, engolindo em seco e tentando respirar profundamente o ar carregado com o cheiro de maresia. Passei nervosamente meus dedos entre meus cabelos. Eu não posso fazer nada. Miley não pode saber que eu descobri sobre ela. Com certeza ela se sentiria humilhada e poderia perder a cabeça e tomar atitude precipitada. Mas não posso evitar sentir tristeza em saber o que tudo o que aconteceu com ela foi por culpa do meu pai. A amo demais para encarar isso com tanta facilidade. Por uma parte eu também me sinto mal. Como se apenas o fato de eu ser um herdeiro do Paul já me desse a culpa por tudo o que ela passou.
                Miley Narrando
                Sentada de frente a televisão, as imagens se passavam despercebidas por mim e os sons totalmente ignorados. Eu decidi descer para a sala para evitar qualquer drama.  Abracei meus joelhos, encolhendo meu corpo. A cada dia que se aproxima da minha tão esperada vingança, mais as memórias me assombravam cada vez mais. Como se estivessem testando a minha resistência. Realmente, elas conseguem fazer seu papel, me fazendo sentir cada vez mais enfraquecida.
                O barulho da campainha me fez despertar do meu próprio mundo. Então achei melhor eu mesma ir atender. O Chad ainda estava em seu quarto descansando do seu porre e o Steve subiu para seu quarto para tirar mais uma soneca e fazer mais planos, como sempre. Quando atendi a porta dei de cara com o intrometido do Nicholas. Rolei olhos ao vê-lo. Só falta ele ficar me chateando de novo para contar a verdade.
                -O que você quer? – eu perguntei impaciente.
                Ele estendeu um aparelho de celular para mim. – O Chad esqueceu no carro. – ele disse sem se afetar com a minha grosseria. E isso me pareceu muito esquisito. Talvez ele esteja tentando me ignorar para não discutir mais comigo.
                Eu peguei o celular em sua mão e inevitavelmente meus dedos roçaram nos seus. Puxei rapidamente o celular para perto do meu corpo e afastando nossas mãos. Eu ainda podia sentir o calor da sua pele irradiada na minha. Por um motivo totalmente estranho, cruzei os braços em frente ao meu corpo, me sentindo um pouco desconfortável com a sua presença. Levantei meu olhar ao perceber que eu fitava um ponto qualquer do chão e encontrei seus olhos castanhos me encarando de um modo totalmente indiscreto. Como se estivesse avaliando o meu semblante para descobrir o que penso. Eles não carregavam raiva, muito menos aquela paixão iludida... Me pareciam tristes. Respirei fundo decidi quebrar o silencio entre nós.

-Só isso? - perguntei fazendo Nicholas acordar de seus devaneios. Ele balançou a cabeça em afirmação.

-Só. - ele disse um pouco antes de me dar as costas e voltar o seu caminho para o seu carro.

 Estranho... Ele não insistiu novamente em contar a minha verdadeira história com o xerife Holmes. Normalmente ele ficaria teimando até que eu perdesse a paciência para contar.

-Nick! – eu o chamei. Ele automaticamente virou-se para mim de novo, parando no seu caminho até o seu automóvel. – Você desistiu de me chatear para contar aquela história? – eu me apoiei no batente de porta.

Ele deu de ombros. – De um jeito ou de outro, você nunca me contaria mesmo. Se você tiver alguma coisa pessoal com meu pai ou com o xerife isso é problema seu. Como você me mesma disse, não é nada que eu me importe. – ele respondeu de um modo frio e impassível.

De alguma forma, a sua resposta me surpreendeu. Então se eu tiver algum passado ruim com o pai dele, ele não vai se importar? Ele não se preocupa com o seu pai e muito menos de mim. Ele conseguiu superar rápido... Não sei por que, mas aquilo me incomodou. Talvez porque eu me acostumei em sempre ser o centro da sua atenção.

-Que bom. – eu respondi tentando ser tão fria quanto ele.

-Era só isso que queria falar? – ele perguntou.

-Não, amanhã nós vamos te levar ao banco para ver o esquema do seu acesso à conta bancária do seu pai. Nos encontramos uma hora da tarde em ponto aqui, ta bom?

-Tá. – ele assentiu. – Tchau, Miles. – ele pigarreou, se dando conta que me chamou pelo apelido. – Miley.

-Tchau. – eu esbocei um pequeno sorriso.

Nicholas Narrando


                Foi tão difícil encará-la e fingir que não sei de nada, que eu não me importo com nada. Por mais cruel que ela tenha sido ultimamente, eu ainda podia sentir a melancolia em seus olhos. Eu tive que me conter em não abraçá-la e me pedir desculpas por tudo o que meu pai fez. Mas infelizmente ela me odiara por isso. Além do mais, ela não está certa em escolher a vida do crime para preencher o vazio que sente. Isso nunca será uma justificativa. Ela poderia ter feito pessoas sofrerem como ela sofreu com meu pai. Mas como eu posso convencer isso ao meu coração, para me livrar dessa culpa que nem é minha, que só quer saber de confortá-la e de amá-la?

                Eu estacionei o meu carro em frente a minha casa. Minha casa... Acho que nem isso eu posso considerar agora, não é mesmo? Foi construída com dinheiro que deveria ser de outras pessoas. Subi a escadaria daquela enorme mansão em que eu costumava chamar de lar. A sensação é como se eu estivesse entrando numa casa de estranhos. Eu entrei na casa e percebi a maleta do meu pai em um dos sofás. Ele já deve ter chegado.

                -John, onde está meu pai? –eu perguntei para o mordomo.

                -Eu acho que o Sr. Jonas está no escritório dele. 

                -Ok, obrigado.

                Obviamente eu não contaria tudo o que sei para ele. Eu só pioraria as coisas. Mas eu precisava pelo menos confirmar pela boca do meu próprio pai se ele seria capaz disso. Subi as escadas até o segundo andar e bati algumas vezes na porta.

                -Pode entrar. – Paul disse.

                Entrei no cômodo e me deparei com meu pai vasculhando a sua escrivaninha, como se estivesse à procura de alguma coisa.

                -Nick, por acaso você viu onde está a minha agenda de contatos? Eu juro que a ultima vez que eu a vi, ela estava guardada aqui na gaveta. Eu já estou até começando a desconfiar que um dos empregados pegou. Você sabe que só tem contato de pessoas importantes, né? – ele falava ainda sem tirar os olhos da sua escrivaninha toda bagunçada.

Com certeza a Miley pegou. Eu lembro sobre o que o Joe me disse que havia a pego mexendo nas coisas de meu pai aqui no escritório. Ela não deve ter perdido tempo e levou a agenda. Talvez para conseguir contato com pessoas que a possam ajudar a armar contra meu pai... Quer saber? Tomara que consiga, porque ele merece cair do seu pedestal.

-Eu acho que peguei para procurar o número do Dj para minha festa e acabei não encontrando. Eu acho que esqueci na casa do Brian. Se quiser eu busco para você amanhã. – eu menti. Pelo menos assim, ele não teria que botar a culpa em nenhum empregado e ninguém seria demitido por uma coisa que não fez.

                -Então tá. Assim eu fico mais aliviado. Você sabe que não pode deixar nas mãos de qualquer um, não é? – ele me advertiu.

                -Eu sei. - eu respondi automaticamente. –Pai, eu estou com uma dúvida. Sabe, logo depois das férias eu vou entrar na faculdade, então só agora que eu estou me tocando mesmo que o meu futuro só depende de mim agora...

                Ele ignorou a bagunça no móvel a sua frente e deu mais atenção a mim. Um pequeno sorriso orgulhoso tomava conta de seu rosto.

                -Eu sei, e acho que você tomou a decisão certa, filho.

                -Pai, o que eu teria que fazer para conseguir o que quero? O que você é capaz de fazer para conseguir a liderança? – eu perguntei me aproximando mais dele e avaliando com mais precisão o seu rosto.

                Ele parou um pouco para refletir nisso, lembrando-se do que fez ao Billy e a Miley, talvez. Ou até mesmo outras coisas ruins com outras pessoas. Se ele foi capaz de fazer o que fez, pode fazer qualquer coisa. Mas eu queria ouvir isso vindo dele.

                - Qualquer coisa. – ele voltou seu olhar para mim. – Custe o que custar. – ele se levantou da sua cadeira e se aproximou de mim, apoiando sua mão em meu ombro. – Filho, infelizmente a vida não é tão fácil quanto vocês, jovens, imaginam. Você nunca vai chegar ao poder se não lutar por isso com unhas e dentes. – disse olhando em meus olhos de um modo firme. Espero que ele não perceba o ódio e o nojo que eu sinto por ele agora estampado no meu olhar. – Mas você não precisa se preocupar muito com isso. Você é o herdeiro da empresa, isso ninguém vai conseguir tirar de você. Além do mais, eu sei que você é bastante destemido quando quer, e que faria o que for preciso. – Não, nunca faria qualquer coisa por dinheiro. Não quero ser um homem repugnante como o meu pai.

                Eu balancei a cabeça, fingindo compreensão. – Obrigado pela dica.

                -Era só isso? – ele perguntou sorrindo.
               
                -Aham.
               
                -Essa fase é meia confusa mesmo, a gente começa a se preocupar com o nosso futuro, não é? – ele disse sorrindo.

                -Bastante. – eu não conseguia responder nada além de poucas palavras. Tinha medo de perder a paciência e falar mais o que deveria.

                -Seu futuro já  está traçado, garoto. Não tem necessidade para se esquentar com isso. – ele riu. Eu tentei fingir uma retribuição com um sorriso. Espero mesmo que tenha parecido um sorriso.

                -Você pode avisar o resto do pessoal que eu não vou jantar. Estou muito cansado, acho que eu vou pra cama mais cedo. - eu disse colocando as mãos no bolso.
               
                -Tudo bem. Tenha uma boa noite. – ele falou enquanto arrumava toda a sua escrivaninha do jeito que estava antes.

                -Para você também.

Miley Narrando

               
                Eu toquei apenas uma vez a campainha da enorme casa e como já era de se esperar, o mordomo atendeu prontamente. Ele abriu um simpático sorriso. Ainda bem que eu não acordei com um humor tão terrível quanto eu imaginei, pelo menos eu ainda tenho humor o suficiente para fingir simpatia com as pessoas.
                -Boa tarde, senhorita Cyrus. – ele cumprimentou.
                -Quantas vezes eu preciso pedir para você me chamar só de Miley? – eu perguntei em um tom descontraído.
                -Tudo bem. Boa tarde, Miley. – ele respondeu segurando o riso.
                -Agora, sim! Boa tarde, John. -  eu disse adentrando a casa.
                -Miley! Como você está, querida? – Christine apareceu descendo as escadas com o mesmo impecável sorriso de sempre.
                -Eu estou ótima, tirando o fato do Nick está atrasado há uma hora. Nós combinamos para ele me buscar para almoçarmos juntos num restaurante novo e ele simplesmente não apareceu. – eu disse. Sim, o Nick está atrasado uma hora comigo e com o Steve. Já era para ele estar naquele maldito banco! O que está dando nesse cara?
                -Sério? Ele ainda está dormindo. Acho que ele deve ter dormido tarde e perdeu a hora... Bom, o que foi estranho já que ele foi para o quarto dele antes de servir o jantar... Mas enfim, por que você mesma não vai lá chamá-lo? – ela perguntou animada com a sua própria ideia. – Só não pode brigar com o coitadinho agora! – nós duas rimos.
                -Só vou brigar um pouquinho... – eu disse bem humorada. – Deixa que eu acordo ele com jeitinho, não vou matar seu enteado. Pelo menos não hoje. – nós gargalhamos novamente.
                -Se hoje ele ainda estiver vivo, tudo bem para mim.
                Eu lancei mais um simpático sorriso para ela e subi as escadas. Dormindo? Aquele folgado está dormindo até agora? Que pessoa normal dorme até às duas horas da tarde com um compromisso – muito- importante? Ele vai ter que me ouvir muito! Nicholas vai ver só como eu vou acordá-lo com “jeitinho”.
                Abri a porta de seu quarto que estava encostada e entrei no cômodo silenciosamente. Fechei a porta novamente para evitar que ninguém fique ouvindo a nossa conversa ou a minha tentativa de massacrá-lo e acordá-lo ao mesmo tempo.
                -Acho melhor você levant... – eu comecei falando alto. Mas logo meu olhar se direcionou para ele.
                Nick dormia profundamente como um bebê. Seus cachos levemente bagunçados davam ainda mais um ar adorável para visão a minha frente. Maldito seja por ser tão fofo dormindo! Ele apenas vestia uma calça de moletom, deixando todo o seu tronco a amostra. Os seus lençóis estavam jogados no chão. Acho que alguém não teve uma noite muito boa...
                -Anda, Nicholas. Acorda! – eu falei. Ok, eu não falei alto o suficiente para acordá-lo. Mas ele tem um poder de persuasão irritantemente poderoso durante o seu sono. Como a sua mãe o acordava quando criança para ir para o colégio?
                Eu me sentei ao seu lado na sua cama.
                -Nicholas... – eu o chamei, mas dessa vez mais baixo. Eu me deitei de lado, virada para ele, o observando dormir. – Nick... – sussurrei.
                Droga! Como sou covarde!Ah, quer saber? Depois eu o chamo daqui a dois minutos, ele deve estar com um sono muito pesado...
                Eu fiquei por um tempo analisando o seu rosto. O balanço suave da sua respiração me acalmava de algum jeito. O seu perfume marcante estava impregnado por toda a cama, me deixando até um pouco confusa sobre o que exatamente eu estava fazendo ali. Deixei escapar um sorriso quando vi um dos seus cachinhos caído na sua testa. Peguei a mecha de cabelo e joguei para trás, juntando com o resto de seu cabelo.
                Nicholas se mexeu e se espreguiçou, sinalizando seu despertar. Antes que ele abrisse os olhos me levantei rapidamente ficando de joelhos sobre o seu colchão.
                -Que saco, hein! Como você demora para acordar! – eu reclamei cruzando os braços. – Fiquei te chamando por um tempão! – eu sei que menti, mas é claro que eu não vou dar o braço a torcer.
                Ele coçou os olhos, ainda um pouco incomodado com a luz do sol que invadia seu quarto pela vasta janela. Ele piscou mais algumas vezes, talvez não acreditando no que via ao seu lado.
                -Miley? – ele perguntou com a voz ainda carregada de sono.
                -Não, Elvis Presley. – eu respondi irônica.
                Ele se sentou ficando na minha altura, ainda um pouco confuso com a minha presença.
                -O que você está fazendo aqui?
                -Eu vim te acordar, já que você não sabe fazer isso sozinho, não é? Por acaso você sabe que horas são?
                -Não... – ele franziu o cenho estranhando a minha pergunta.
                -São duas horas da tarde, sua anta! Eu não combinei com você para encontramos uma hora em ponto?  – eu levantei a voz. Ótimo, só agora eu tenho coragem de falar mais alto...
                Ele abriu a boca e levantou as sobrancelhas, se lembrando do meu pedido (e agora eu acho que deveria ter sido uma ordem). – Ah é! Eu esqueci disso. – Eu ainda estou impressionada com a naturalidade em que ele diz isso.
                -Então levanta logo daí e vai se arrumar! – eu ergui mais o meu corpo colocando as mãos na cintura. Mas eu perdi um pouco do meu equilíbrio quando estava prestes a cair da beirada da cama e tentei me equilibrar com os braços para não cair no chão, mas foi totalmente inútil.
            Antes que eu pudesse sentir minha cabeça ganhando um galo, Nicholas me pegou pela cintura e puxou mais para perto de si. E instintivamente me segurei em seus braços descobertos. Com os nossos corpos colados eu pude sentir a respiração falha dele batendo em mim. Seus olhos castanhos se encontraram com os meus e eu não soube exatamente o que fazer. Apenas fiquei o fitando aqueles olhos de cor chocolate tentando pensar em alguma coisa. Seu braço ainda se encontrava em volta da minha cintura, me apertando contra o seu tronco desnudo, atrapalhando ainda mais o meu raciocínio. Uma estranha sensação tomava conta de mim. Um tipo de pontinho de calor que se espalhava por mim. Não era um calor de excitação. Era um calor estranhamente confortável e confuso que fazia meu coração disparar e comprimia meus pulmões, me fazendo esquecer de respirar devidamente. Eu sabia muito bem que se ficássemos mais tempo juntos desse jeito nos beijaríamos. Não! Quer dizer, ele me beijaria. Se bem que não seria muito ruim beijar aqueles lábios avermelhados e convidativos... Olha, eu não tenho culpa disso. Com toda essa confusão e estresse sobre a missão, automaticamente minha tensão sexual aumenta junto com a emocional. É isso. Só isso...Eu pisquei algumas vezes, acordando para a realidade e desviei o meu olhar de seus olhos.

                -É... obrigada. – eu agradeci um pouco desconfortável.
                -Você ia cair muito feio. – ele disse logo antes de soltar uma risada. Eu o acompanhei imaginando a cena cômica que seria se eu caísse da sua cama.
                Nicholas então se deu conta que ainda estava me segurando, me soltou. Tentei ignorar o fato de o meu corpo protestar no momento que separei da sua pele quente. 
-Se você risse de mim, estaria encrencado comigo. Mais do que já está! - eu adverti cruzando os braços, me lembrando do motivo de eu estar aqui.

                -Já estou encrencado do mesmo jeito... – deu de ombros.
Mas em seguida, ele perdeu totalmente o foco do assunto encarando o meu colo exposto por um decote que valorizava os meus seios. Minha boca se abriu não acreditando na cara de pau dele de ficar me secando desse jeito. Nem para disfarçar! Ele levou sua mão em direção ao meu decote, antes que eu pudesse recuar. Para minha surpresa, ele pegou o pingente do colar que eu usava. Ah... então era o colar? Ele tentou disfarçar um sorriso que se formava entre seus lábios. Levei alguns segundos para me tocar do real motivo da atenção de Nicholas. Eu estava usando o colar que ele me deu de presente na festa de seu pai. Fitei o objeto e logo depois para o Nick.
-Então desistiu do colar de pimenta? – ele perguntou com ar de divertimento.
-Pois é... Mas pelo visto você ainda não perdeu o interesse por decotes, né? – eu entrei na brincadeira, o fazendo lembrar o dia em que nos conhecemos e a história do colar da pimenta e o seu indiscreto olhar para os meus seios.
Nicholas soltou uma risada e o acompanhei. Então me dei conta do que estava acontecendo. Nós estávamos... Nos dando bem? Ok, esse momento deve ter sido uma estranha, bem estranha exceção. Eu me levantei da sua cama, evitando mais algum momento embaraçoso entre nós.
-Eu vou te esperar lá embaixo. Já estamos muito atrasados. Vê se não demora muito, tá bom? – eu disse voltando com o tom de voz sério.
Ele balançou a cabeça em afirmação. – Mas chega de me apressar. Em quinze minutos estaremos saindo.

Nicholas Narrando

Saí do banco sozinho. A Miley e Steve já foram embora logo depois de me aconselhar o que fazer. Além do mais, eu era o único herdeiro entre nós três. Não seria muito confiável eu aparecer por lá querendo acesso a toda fortuna do meu pai com dois estranhos. Não fui permitido ter acesso algum por enquanto. Eu ainda teria que esperar a autorização do banco que geralmente, demora alguns dias.
No meio do caminho até o meu carro, me peguei com a mente em outro lugar. Mas exatamente hoje mais cedo. Pensando nela. Me recordei do seu olhar intenso e ao mesmo tempo um pouco confuso quando nossos rostos quase se juntaram. Do seu corpo curvilíneo colado ao meu, sentindo as batidas do seu coração bater contra o seu peito. Da sua surpreendente presença quando eu acordei.  A minha tentativa de esquecê-la é praticamente impossível. Eu juro que tento, mas tenho a sensação que nunca conseguiria.
Me surpreendi quando percebi que ela ainda usa o colar que dei de presente. Pelo menos, eu esperava que ela jogasse fora ou vendesse, se livrando de qualquer demonstração de carinho meu. Mas não. Ela não só guardou como ainda usa. Eu sei que essa esperança é totalmente sem nexo. Não teria nenhum motivo importante para ela ter guardado. Apenas gostou do objeto. Sinceramente, eu tenho que parar com isso. De ficar me martirizando, pensando que algum dia a Miley sentiria pelo menos um  afeto por mim. Isso nunca aconteceria.
Acordei dos meus devaneios quando senti uma movimentação estranha a minha volta. A rua não estava muito cheia, pelo contrário, não havia quase ninguém por aqui, além de mim e uns dois homens mal encarados que eu tinha a estranha sensação que me seguiam. Apressei os meus passos tentando me afastar deles o máximo possível até chegar ao estacionamento em que deixei o meu carro, e me livrar dessa estranha desconfiança. Porém, quando eu olhei para trás, vi os dois começaram a correr. Merda! O que está acontecendo? Eu não estou aliado da quadrilha do Steve? Então por que esses dois querem de mim? Não hesitei em correr também.
Rapidamente, uma vã surgiu e parou ao meu lado na calçada e saiu mais outro homem de lá, que também veio até mim. Eu dei um soco no nariz de um deles, quando senti me puxarem e recuei ainda mais. Desviei de um golpe que o que tinha acabado de sair da vã tinha feito e soquei sua barriga. Então corri enquanto os dois feridos de recuperavam dos meus socos. Porém, o imune, veio correndo até mim e paralisou, segurando fortemente os meus braços enquanto eu lutava contra ele para escapar.
 -O que vocês querem? -eu perguntei. -Eu já estou ajudando o Steve, já é o suficiente!
-Do que você está falando, garoto? -um deles perguntou um pouco confuso.
-Me larga! -eu gritei, ignorando a sua pergunta, ainda me rebatendo contra os braços de um deles que me seguravam firmemente. -Me lar...- eu fui interrompido pelo homem  a minha frente que pressionou um pano úmido contra o meu rosto. Tinha um cheiro forte de remédio. Eu tentei gritar contra o pano, mas logo uma sonolência pesada começou a dar conta de mim. Meus olhos começaram a pesar, e antes que eu pudesse analisar o que estava realmente acontecendo, tudo ficou preto.