terça-feira, 22 de dezembro de 2015

2ª temporada - Capítulo 14: Come back to LA?

Miley Narrando
                     
                O toque do telefone fez que a nossa atenção para o corpo fosse interrompida. Eu nem me dei o trabalho de parar para pensar se era deveria ter feito aquilo ou não. Caminhei rapidamente até o celular e o atendi, já sabendo quem estava esperando no outro lado da linha.
                -Alô? – ouvi a mesma voz de antes.  Mas dessa vez estava bastante nervoso. Provavelmente, ele não tem muita paciência para quem o interrompe com ligações. –Bruno, fala logo o que você quer! Por que você desligou na minha cara, o que está acontecendo?
                -Não é o Bruno que está falando. – eu respondi, tentando deixar minha voz mais firme possível.
                -Quem é? – ele perguntou ainda mais estressado.
                -É a Miley.
                O silêncio já foi o suficiente para saber muito bem que ele reconheceu o meu nome.  Eu conseguia ouvir a sua respiração do outro lado da linha.
                -O idiota do Bruno não conseguiu guardar o segredo, não é? – ele perguntou.
                -Na verdade, eu que descobri. Até que ele conseguiu ser muito fiel, Petrova. Parabéns. –eu pronunciei o seu nome, fazendo questão de mostrar que eu sabia muito bem com quem eu estava lidando. – É uma pena que você não vai mais ter a ajuda do seu tão dedicado funcionário, parceiro, ou seja lá o que ele era para você. 
                -O que você quer dizer com isso? – ele perguntou num tom já desconfiado.
                -Ele está morto. – disfarcei a minha tensão e respondi tranquilamente, só para provocá-lo.  – Ele pagou o preço dele, por se achar o espertinho para se meter na nossa vida assim. Mas isso não interessa mais. Eu quero saber o porquê que você o mandou se infiltrar na nossa casa e me dopar daquele jeito. O que você quer com todas aquelas mensagens, hein?
                Ele riu do outro lado da linha. – Você acha mesmo que vai conseguir me fazer falar só porque matou o Bruno?
                -Mas alguma coisa você quer. Então vamos ser diretos, ok? Chega de joguinhos.
                -Quem decide aqui quando os joguinhos acabam não é você. E quer saber? Só porque descobriu meu nome, não quer dizer que você está tão na frente assim. Na verdade não sou eu o grande interessado. Só estou fazendo alguns favores a alguém e pelo visto tenho muito a ganhar nisso. Para essa pessoa sim que você precisa perguntar.
                -E quem é essa pessoa? - eu perguntei irritada.
                -Se você acha que vai sair barato para você depois da morte do Bruno, - ele ignorou a minha pergunta. – você está muito engana. Você quer jogar sujo? Então vamos jogar sujo. – ele desligou na minha cara.
                Eu tentei ligar novamente para tirar mais satisfações, mas dizia que o telefone estava desligado. Provavelmente, vai se livrar desse número para eu não ligar de novo. Então notei que Nick escutou tudo apreensivo. Meu coração disparado no meu peito parecia me impedir de respirar normalmente. 
                -O que fazemos com ele? – Nick apontou para o corpo caído no chão e notei que ainda tinha esse problema para resolver.
                Eu pensei por um tempo e depois balancei a cabeça. – Não tem muita coisa a fazer.
                -E a polícia?
                -Eles vão notar o óbvio. Ele morreu de overdose, ninguém o matou. O único que acha que assassinamos ele é o Petrova.
                -O que você tinha na cabeça em dizer que nós matamos? – Nick perguntou indignado.
                -Eu quase o matei de qualquer maneira. – eu dei de ombros. – Pelo menos é um modo de intimidação. Se algum capanga ou espião dele cruzar o nosso caminho, vai pensar duas vezes antes ao lembrar o que aconteceu com o Bruno.
                -Ok. Agora vamos embora daqui antes que alguém chegue e note que estamos aqui. – Nick me puxou pela mão. Eu fechei a porta, sem passar a chave e fomos embora para casa.
                Chegando em casa, eu expliquei tudo para o Nick sobre a ligação e cada palavra que Petrova disse para mim. A sensação é que cada vez mais a tensão aumentava. Dava para senti-la no ar. Depois de um tempo, nos acalmamos e decidirmos esperar os próximos dias sem alarde.  Vamos intensificar os treinos de tiro e luta para estarmos mais preparados para o que vier.

                Nicholas Narrando

                Eu me joguei na cama cansado. Essa noite tinha sido mais do que complicada e eu já estava exausto. Bruno estava morto e agora o chefe dele acha que nós causamos essa morte. Estamos, no mínimo, encrencados.  Ir para Los Angeles depois de toda essa confusão? Nem pensar! Agora mesmo que eu estava decido que não deixaria Miley sozinha nessa casa com a ameaça iminente do Petrova.  Eu arranjaria alguma desculpa para não ir. Já estava acostumado a mentir para não ir para LA outras vezes. Dessa vez não será tão difícil assim. Talvez eu apareça por lá só depois que as coisas por aqui se resolvessem. E pelo visto, não vai ser tão cedo.

                Ouvi meu celular tocar e tomei um susto.  É tanta coisa acontecendo através de ligações e mensagens, que eu fico tenso até mesmo ao escutar um simples toque de telefone. Eu rolei os olhos e suspirei cansado. Isso já está passando dos limites. Vi pelo identificador que era uma ligação dos Estados Unidos. Mais especificamente lá de casa. Atendi o celular.
                -Alô? – eu atendi.
                -Nick, como você está? Sou eu. – reconheci a sua voz.
                -Oi, pai. – cumprimentei não tão animado assim. –Estou bem e o senhor?
                -Está tudo bem. Eu queria saber como estão as coisas por aí, faz tempo que eu não te ligo. Estou com saudades, filho.
                Eu vi Miley sair do banheiro enrolada na toalha
                -Está tudo ótimo por aqui. Não tem com o que se preocupar.  – menti.
                -E aí? Tem alguma novidade sobre a faculdade, amigos... namoradas?
                Miley tirou a toalha na minha frente só para me provocar e me tirar a concentração da ligação. Ela não teve pressa nenhuma em secar o seu cabelo com a mesma toalha antes, totalmente nua. Eu abri um sorriso quando ela me lançou um olhar travesso.
                -Algumas, pai... Estou me dando muito bem. – eu comentei a observando se vestir lentamente. Foco, Nick. Concentração! –Quer dizer, mas nada muito sério. Você sabe, apenas diversão.
                -Ah sim. Está certo. Está na idade de aproveitar mesmo. Então... mudando um pouco de assunto, Christine pediu para avisar que os convites já foram enviados por correio. Logo, logo você vai receber.
                -Ta bom. – Droga, a festa.
-Estou sentindo sua falta. Estava pensando em você ficar por aqui por alguns dias, além da festa. Não prejudicaria os seus estudos, não é? 
                -Olha pai... Eu não sei se vou poder ir nessa festa.
                -Por que não? – ele perguntou decepcionado.
                -Você sabe... Época de provas chegando. Seria complicado para eu faltar esses dias.
                -De novo? Nicholas, quantas vezes mais você vai dar uma desculpa qualquer para não vir para Los Angeles? – ele perguntou impaciente.
                -Pai, não é uma desculpa qualquer... Estou mesmo atarefado. – eu insisti. Miley se deitou ao meu lado, prestando atenção na conversa.
                -Nicholas, já faz um ano que você não vem para cá.  E em todas as oportunidades que teve para vir, você arranjou algum motivo para nos evitar. Você é meu filho! Estou sentindo sua falta. Custa alguma coisa você vir fazer a vontade do seu pai pelo menos uma vez? – Apelação emocional, não. Por favor, não.
                -É complicado... – eu comecei a falar, mas meu pai me interrompeu.
                -Eu sei que você ainda não superou toda aquela confusão, mas um dia você vai ter que superar de vez e seguir com a sua vida normalmente. Eu sei que aquela garota bagunçou com a sua cabeça e depois da morte dela... Você deve ainda estar pouco afetado por isso. Mas você precisa enfrentar tudo isso. Não pode se esconder na Itália para sempre.
                Eu fechei os olhos. – Eu vou fazer o que posso, ok? Não posso confirmar nada.
                -Está bem. Mas se você não vier dessa vez, eu mesmo vou te visitar. Não vou mais ficar esperando você aparecer só quando der na telha. Preciso ir. Depois eu quero que você ligue de volta para confirmar.
                -Ta ok. Tchau, pai.
                -Tchau.
                Eu encerrei a ligação e me virei para Miley que me encarava já há algum tempo.
                -O que ele disse? – perguntou curiosa.
                -Ele está insistindo que eu vá e já notou que estou dando desculpas para evitar ir embora da Itália. Agora ele me deixou numa situação complicada, porque disse que se eu não for, ele vai vir até mim.
                -Droga. – murmurou ela. – Você vai ter que ir, Nick.
                -Não, eu não posso te deixar sozinha desse jeito. Ainda mais agora que esse tal de Petrova te ameaçou depois que Bruno morreu ... Não vou te deixar exposta assim. Eu não conseguiria ir embora sabendo que você corre perigo sem ninguém por perto.
                Ela riu e beijou o meu rosto carinhosamente. – Eu sei me virar, Nicky. Já passei por situações piores. Relaxa que eu vou ficar bem.
                -Mas... –ela me interrompeu.
                -Nick, já imaginou se seu pai vier aqui com toda essa confusão? Pior, imagina se ele descobrir sobre mim? Você precisar ir para evitar que a situação piore.
                -E se eu levasse você junto comigo? Arrumamos uma identidade falsa pra você, vamos pelo jatinho mesmo e ninguém percebe. Aí você fica hospedada e segura num hotel lá por perto. – eu sugeri, sem querer dar o braço a torcer.
                - FBI já me marcou, Nick. Se, por algum descuido, me descobrirem eu não só volto para cadeia, como te colocam atrás das grades também por ser cúmplice.  Seria arriscado demais.

                -Eu não vou conseguir embora sabendo que você corre perigo com essas pessoas da máfia, ou seja lá quem elas são.
                -Olha, se acontecer qualquer coisa, eu ligo pro Chad e ele me ajuda. Não estou tão sozinha aqui.
                É isso. O Chad pode ficar aqui enquanto eu estiver longe. Pelo menos é alguém de confiança, tão bem treinado quanto ela, que vai estar por perto. Assim eu me sentiria mais aliviado em saber que ela está mais segura e não vai estar totalmente sozinha nessa casa e exposta a qualquer perigo.
                -Eu só vou para Los Angeles se o Chad ficar aqui de guarda. – eu disse.
                -Agora eu vou precisar de uma babá? – ela perguntou rindo. – Você não acha que estou bem grandinha pra isso?
                -Eu estou falando sério, Miley. Não vou embora para LA se você ficar sozinha aqui, correndo esse perigo.
                Ela suspirou em rendição. –Fechado. Amanhã eu converso com o Chad sobre isso.

                Christine Narrando
                Paul dormia ao meu lado profundamente. Virei na cama mais uma vez e encarei o relógio. Já eram três horas da manhã e eu não conseguia dormir. Meu coração disparado em ansiedade. Fechei os olhos, me concentrei e respirei profundamente... Não adianta! Eu me sentia como uma criança boba e nervosa que esperava ansiosamente para algo acontecer no dia seguinte e não conseguia fechar os olhos e cair no sono.
                Desisti de vez e saí da cama. Talvez andar um pouco pela casa possa acabar com essa insônia. Caminhei pela enorme mansão, respirando o ar puro que entravam das janelas. Tudo estava silencioso e calmo. Em compensação, minha mente estava a mil. Desci as escadas, sentindo o mármore frio nas solas dos meus pés e fui até a cozinha, tentando organizar os pensamentos na minha cabeça.
                Abri a geladeira e peguei um pouco de água para mim. Eu bebi o copo inteiro rapidamente. Eu não conseguia tirar aquela cena da cabeça. Ele me beijando com desespero e tanto desejo. Aquela boca irresistível na minha. E sua voz ofegante dizendo que estava apaixonado por mim.  Eu fechei os olhos com força. A mesma cena que repetia várias e várias vezes na minha memória, me tirando o sono. Eu nem consigo imaginar o que seria de mim se alguém daqui tivesse visto o nosso beijo. Nosso? É claro que é nosso! Querendo ou não, eu retribui. E infelizmente, lá no fundo, eu sabia que não tinha me arrependido.
                Isso é tão errado. Eu sou uma mulher casada e o Brian era só um amigo... Ele é o melhor amigo do meu enteado! Sinceramente, eu nunca tinha notado alguma coisa de diferente do modo que ele me tratava ou que sentia por mim. Talvez durante esse tempo eu estava distraída demais com a sua presença que eu tanto me sentia bem e acabei não notando nada. O que ele tinha na cabeça em me agarrar daquela forma?
                E o que eu tinha na cabeça por ter gostado tanto disso? Eu me sentia suja, culpada, nervosa, estranha, desejada... e com medo de admitir que talvez apaixonada. Não! É tudo coisa da sua cabeça, Christine!
                Tentei afastar esses pensamentos que confundiam a minha cabeça indo atrás de um calmante no banheiro.

                Alguns dias depois...
                Miley Narrando
                A chuva caia forte lá fora. Eu podia ver as gotas grossas sendo jogadas pelo vento forte contra os vidros das janelas. Todo o nosso plano para fazer um piquenique na praia foi para o espaço naquela noite chuvosa.  Hoje era o ultimo dia antes que Nicholas fosse passar uns dias lá em Los Angeles.  Passamos por dias tão estressantes que queríamos pelo menos uma noite mais tranquila e romântica, pelo menos para compensar um pouco os dias que vamos ficar longe um do outro.
Apesar de toda a tensão dessas ultimas semanas, nada de novo aconteceu em relação àquelas ameaças. O corpo de Bruno foi encontrado e o laudo foi dado como overdose de heroína, assim como realmente aconteceu.  Ele se matou. Talvez intencionalmente, talvez não. Mas ninguém o matou além dele mesmo. Bom, não é isso que Petrova deve estar achando agora. Em sua cabeça, eu tive a brilhante ideia de forjar um suicídio e que aquilo tudo fazia parte do plano. Menos mal para mim. Pelo menos eu não estou preocupada com a polícia atrás de um possível assassino se eu tivesse realmente o matado com a roleta russa se aquela discussão toda tivesse dado continuidade. Eu respirei fundo. Eu e minha impulsividade... Ainda bem que não deu tempo de eu fazer qualquer idiotice que me dava dando vontade naquele momento.
O trovão gritou estrondoso do lado de fora, me fazendo acordar para realidade. Eu pude ouvir Nick rir e percebi que ele estava se divertindo com o susto que levei, por ser acordada dos meus pensamentos com o barulho alto. Eu tentei fechar a cara, mas não eu aguentei me segurar com o seu bom humor e ri junto.
-Eu não sei como você ainda mantém o bom humor. Nosso piquenique de despedida já era. – eu resmunguei.
-Mas você está fazendo um jantar gostoso para gente. – Nick tentou ser otimista se achegando a mim no sofá. Eu estava fazendo um prato que ele gostava. Ainda estava no forno, mas seu cheiro bom já invadia não só a cozinha, como a sala de estar.
-Que nem todo dia. – fiz beicinho e ele o mordeu, me provocando.
-Para de ser rabugenta. – ele disse. Seu braço envolvendo a minha cintura e o seu casaco quentinho me aconchegando. Ele tinha acabado de sair do banho e estava absurdamente cheiroso para eu resistir. –E quem disse que não vai ter piquenique hoje?
-Claro, é só colocar umas capas de chuva e comermos comida toda molhada. Isso se não formos atingidos por um raio ou o vento jogar alguma coisa em cima da gente. Que romântico, Nick.
-Uau, seu bom humor me contagia! Posso saber por que a senhorita está tão irritada assim? É só por causa da chuva? – Não! Eu vou sentir sua falta e não quero que fique longe. Não quero parecer uma mulherzinha carente, por isso não vou admitir.
-É, só por isso. Queria uma coisa especial. – eu cruzei os braços.
-Eu já te disse que vai ter o piquenique. – ele me beijou na bochecha. – Vai tomar o seu banho que eu vou fazer uma coisa aqui pra gente. – eu olhei desconfiada pra ele. – Confia em mim.
Então eu desliguei o forno, já que a comida já estava pronta e fui para o meu banho, cheia de curiosidade. Alguns minutos depois, já de banho tomado, desci as escadas e percebi que a chuva forte ainda não tinha dado trégua. Ouvi um barulho diferente vindo da sala e apressei os meus passos até lá.
A lareira estava acesa deixando o ambiente mais quentinho e confortável. De frente para ela, Nick ainda jogava alguns pedaços de lenha, para alimentar o fogo aconchegante. No tapete felpudo o nosso jantar estava arrumado despejadamente e uma garrafa de vinho ainda fechada estava próxima. Eu não pude evitar um sorriso. Estava tudo perfeito.  Ele virou para mim e me olhou com expectativa.
-E então? Gostou do nosso piquenique? – ele perguntou divertido.
Eu balancei a cabeça em afirmação e pulei em seu colo para um beijo. –Eu amei.
Ele riu convencido e me deu mais alguns beijos rápidos nos lábios, enquanto me levava para o tapete onde seria o nosso jantar.
                Quando ele sentou no chão junto comigo, eu me sentei ao seu lado e me ajeitei melhor para me aconchegar perto de seu corpo. Ele abriu a garrafa de vinho e serviu pra nós dois. Eu tomei um gole da bebida.
                -O que você vai fazer durante uma semana lá em Los Angeles? – não consegui me conter.
                -Eu não sei muito bem. – ele deu de ombros. –Talvez passar um tempo com a família e com Brian. 
                -É... Seria bom pra você. – eu comentei sinceramente. Ficar se escondendo aqui na Itália o tempo todo não faria bem a ele.
                -Eu queria tanto que você fosse, sabe, como minha namorada. Às vezes me sinto mal em não poder te assumir de vez. – e eu me sinto mal por colocá-lo nessa situação.
                -Infelizmente, sempre vai ser assim enquanto estivermos juntos, Nick. – eu respondi desanimada.
                -Nós vamos dar um jeito... Algum dia. – eu amava o seu otimismo que ás vezes chegava a ser ingênuo, mas tão animador. Ele me encarou nos olhos por alguns segundos. Estava pronto para dizer alguma coisa, mas deixou para lá. Era sempre assim quando conversávamos sobre o que o futuro nos aguardava. Era sempre muito delicado.
                Logo depois conseguimos mudar de assunto e saborear o jantar, deixamos só o vinho por perto e ficamos sentados de qualquer jeito no tapete confortável enquanto conversamos. Parecia que não pararíamos nunca de falar. Conversamos sobre faculdade dele, a nossa infância, sobre até uns filmes bobos que estávamos interessados.
                Nick pegou o seu violão e cantou uma musica qualquer que eu pedi para que ele cantasse para mim. Toda vez que fazíamos um piquenique na praia, ele levava o seu violão. Fazia tanto tempo que não o ouvia cantar e tocar... Ele cantou mais algumas bem no clima de romance, não tirando os olhos de mim.
                Uma semana é tanto! Ficar dias sem ouvir o seu bom dia preguiçoso, sem suas conversas, sem seu jeito que tanto me alegra, sem seu corpo perto do meu, sem essa voz sedutora me cantando músicas muitas vezes baixinho ao pé da orelha... Parecia insuportável. Quer dizer, é absurdo eu ficar pensando desse jeito. É só uma semana! Aliás, se eu transparecesse com clareza esses sentimentos, Nick usaria como desculpa para ficar. Ele precisa ir. Ele não merece viver uma vida em função de mim. Eu nunca quis virar um estorvo ou uma mulherzinha que precisava de atenção o tempo todo. E não é agora que eu vou ser. Mas preciso admitir que vai ser difícil lidar com essa saudade.  Já estou tão mal acostumada!
                A tempestade continuava e a luz acabou. Só sobrou a luz da lareira e o seu calor, tomando a sala. A nossa conversa se interrompeu.
                -Ih, faltou luz. – eu olhei ao meu redor. 
                -É mesmo. Pena, que tem a lareira iluminando. Se estivesse escuro, pelo menos eu teria uma boa desculpa para passar a mão boba em você. –ele comentou travesso e eu ri.
                -Você sempre tem uma quando aparece oportunidade, Nicholas.
                Ele deixou o seu violão de lado de se aproximou de mim. –Qual desculpa eu posso dar agora?  - sua voz saía baixa acompanhada de um sorriso travesso. Sua mão começou a deslizar pela minha coxa exposta pelo short. Olhei para a sua mão e depois para os seus olhos. Não pude evitar, senão sorrir.
                -Você não precisa de desculpas, se quiser. –eu disse igualmente baixo, sentindo a sua presença ficar cada vez mais próxima. Seus olhos castanhos escuros me fitando com intensidade.
                Sua mão foi subindo do meu quadril até a minha cintura e a puxou com suavidade para sua direção. Seu hálito perfumado de vinho batia em meu rosto que estava tão perto do dele. Fechei os olhos lentamente quando senti seus lábios tocando os meus. Beijei a sua boca sem pressa e aquilo parecia tão bom que eu poderia ficar assim a noite inteira. Sua língua abriu caminho entre meus lábios e explorou minha boca com carinho e desejo. Correspondi o beijo, alisando as minhas mãos em suas costas largas por cima da sua roupa. O beijo foi sem pressa e durou alguns minutos, até que nos separamos.
                -Miles. – ele me chamou de uma forma um pouco mais séria. –Você não quer que eu vá, né? – ele mudou de assunto.
                -Só vou sentir saudades. – eu disfarcei, brincando com o seu cabelo carinhosamente.
                -Você sabe que posso cancelar essa viagem a qualquer momento... – ele insistiu.
                -Não! Você vai, Nicholas. Já decidimos isso. – não posso me dar o luxo de ser motivo de preocupação e ser o centro da sua atenção o tempo inteiro.
                Trocamos mais alguns beijos. Nick mais uma vez sendo super protetor, me intimou a fazer nenhuma besteira enquanto ele estivesse fora, já que eu tenho bastante tendência a me meter em roubada. Da mesma forma, eu fiz questão de intimá-lo a trazer presentes de Los Angeles para mim. Ele riu e concordou com o nosso acordo. Ficamos deitados ali naquele tapete felpudo conversando e trocando carinhos. Nem percebemos quando a luz voltou de madrugada, pois já tínhamos caído no sono ali mesmo.  Dormi envolta pelos seus braços e sentindo o seu perfume gostoso.

No dia seguinte...
Chegamos ao aeroporto particular na hora certa. O piloto já o aguardava na pista de decolagem. Caminhamos até lá, acompanhando meu namorado. Chad foi conosco para me fazer companhia e despedir-se do Nick.  Quando finalmente, chegou a sua hora de ir, Chad devolveu uma das bolsas que estava ajudando o Nick a carregar. Ele agradeceu e sorriu.
Nick se virou para mim, me fazendo acordar para a realidade. Ele deu um daqueles sorrisos irresistíveis e me envolveu com os seus braços fortes. O puxei pela nuca e o beijei demorada e intensamente,  sem me importar se estava o atrasando ou não. Quando nos separamos, ele deu um beijinho na ponta do meu nariz.
-Comporte-se. – ele disse debochado.
-Acho um pouco difícil... – eu sorri. – Relaxa, Nick. Vai dar tudo certo.
-Eu te ligo quando estiver lá. – ele me lembrou.  

Contra a vontade do meu corpo, me desfiz do abraço com ele e observei Nick caminhar para longe de mim, até entrar no avião. 

domingo, 22 de novembro de 2015

2ª temporada - Capítulo 13: Spy

 Nick Narrando

                Eu saí da minha aula de Recursos Humanos e era última antes do almoço. Eu não me aguentava mais de fome! Miley provavelmente vai estar me esperando em casa, já que não é todo dia que sou liberado no horário de almoço, então nem sempre conseguia comer junto com ela nesse horário.

                -Nick! – ouvi uma voz me chamar alguns metros atrás de mim. Olhei para trás para saber quem era. O corredor estava cheio de gente, mas eu pude identificar muito bem quem me chamou.  Bruno.

                Aí tem!

                -E aí, Bruno! Tudo bem? – eu cumprimentei, fingindo estar feliz em vê-lo.

                -Tá, ta tudo bem. – ele balançou a cabeça rapidamente afirmativamente. –É... Você tem dupla para fazer o trabalho de Recursos Humanos? – perguntou ele. Estranho, ele nunca me chamou para fazer um trabalho com ele.

                -Não... A aula acabou agora e nem deu tempo ainda de combinar algo com alguém. – respondi.

                -Posso fazer com você? – perguntou ele com interesse.

                -Hum... Pode. – perguntei estranhando a sua pergunta. Alguma coisa ele quer. –Eu tenho horário livre hoje de tarde para fazer. Está tudo bem para você? – é óbvio que eu não entrei nessa a toa. Preciso descobrir quais são os próximos passos dele.

                -Para mim está ótimo, cara! – ele sorriu satisfeito. – Tem como ser na sua casa? Eu não consigo ter muita concentração na biblioteca, sempre tem muita gente.

                Ele está querendo se aproximar de mim com um propósito. Bom, mas vou continuar fingindo que não sei de nada e deixar que ele acredite que está tudo no controle. Vamos ver até onde esse cara vai chegar.

                -Claro, que pode. Lá é bem tranquilo. Aliás, vamos agora. Aí você aproveita e almoça com a gente.


                -“Com a gente”?            

                -É! Comigo e com a Miley, minha namorada. Você se lembra dela? – ele balançou a cabeça afirmativamente. –Ela mora comigo.

                -É mesmo? Eu não sabia disso, que legal. – ele comentou sorridente. – Mas tem certeza que eu não vou incomodar vocês... ?

                -Não! Nem um pouco! Ela vai gostar em te receber. Miley gostou muito de você, sabia?

                -É mesmo? – ele perguntou surpreso com a minha afirmação.

                -Aham, ela se dá muito bem com gente que é festeira assim que nem ela. – eu respondi rindo falsamente e ele riu junto comigo.

                Bruno pegou carona comigo e alguns minutos depois estávamos chegando em casa. Eu abri a porta e avistei Miley descendo das escadas ao me ouvir chegar. Ela descia rapidamente, entusiasmada em me receber. Ela me deu um beijo rápido na boca.

                -Até que enfim você chegou! Precisamos almoçar logo para já começarmos um treino novo e... – A presença de Bruno atrás de mim, entrando em casa chamou a atenção dela, a fazendo parar de falar. Os seus olhos azuis pareciam que estavam a ponto de fuzilá-lo quando o viu.

                -Miles, trouxe o Bruno para fazer um trabalho comigo hoje. Hoje vamos ter que adicionar mais um prato na mesa para o almoço. – eu sorri. Tive o cuidado de manter um contato visual por alguns segundos com ela até ela notar o que eu estava fazendo. Não demorou muito para Miley perceber.

                Ela abriu um sorriso hospitaleiro quando voltou a sua atenção para o Bruno. – Claro! Amigos do Nick são bem-vindos aqui a qualquer hora. Entra! – ela disse fazendo um gesto para ele entrar.

                Os dois se cumprimentaram educadamente e ele entrou na casa. O almoço já estava pronto e logo todos nós no juntamos à mesa para comer. Mantemos a conversa normalmente e a Miley se mostrando muito simpática com ele. Bruno era bom de conversa e parecia bem divertido, mas mal sabe ele que nós sabíamos fingir bem melhor.

                -Então... Como vocês decidiram vir morar por aqui? – perguntou Bruno.

                Eu olhei pra Miley e ela olhou pra mim. – Bom... Nick decidiu se mudar. Você já deve imaginar que a família dele é bem rica. – ela fez um gesto com a mão se referindo à casa de praia. –Mas o Nick nunca gostou daquele glamour excessivo de Los Angeles. Então ele quis mudar um pouco de vida, me chamou pra vir com ele e eu nem pensei duas vezes, né amor? – ela um abriu um sorrisinho romântico.

                -Claro. Eu não viria pra cá se não fosse junto com ela. – eu respondi. – Aliás, foi a Miley que mais me incentivou.

                Bruno revezou o olhar entre nós dois e balançou a cabeça. –Fugir de toda aquela caretice, né? Muito legal, cara. É sempre legal mudar de estilo de vida.

                -É isso mesmo. – eu concordei.

                -E você, Miley? Ta se adaptando bem aqui? – Bruno olhou pra Miley.

                -Sim, eu estou adorando esse lugar. Eu não me senti tão afetada assim porque eu já sabia falar italiano e eu trabalho em casa, mesmo. Sou artista plástica. – Nas horas vagas, porém não é cem por cento mentira, né?

                A conversa foi rendendo. Bruno fazia perguntas “despretensiosas”, procurando saber sobre a nossa vida pessoal e depois disfarçava com algum assunto diferente. Ele estava procurando mais informações sobre a nossa vida e isso estava me incomodando profundamente, mas eu tinha que manter a pose e me fingir de inocente. Miley não parecia fazer isso com tanta dificuldade. Ela sabia enganar muito bem.  Miles entendeu muito bem que tínhamos que esperar a hora certa e que precisamos observar até onde ele vai com toda essa aproximação.

                Alguns minutos depois, todos nós terminamos de almoçar. Eu me dispus a ajudar a
Miley a tirar a mesa.  Quando eu levei as ultimas coisas para cozinhas, aproveitei que ficamos sozinhos para conversarmos.

                -Esse filho da puta está tentando se aproximar a todo custo. – comentei baixo com a Miley.


                -Eu sei. É muito perigoso manter esse cara aqui dentro de casa. Ainda bem que tinha guardado todas as armas e nenhuma delas está ao alcance dos olhos dele. Mas precisamos deixá-lo achar que está dando tudo certo.  Pelo menos, por enquanto...

                Eu concordei e voltamos rapidamente para a sala onde ele estava. Bruno observava cada detalhe da casa ao seu redor e quando percebeu que chegamos, ele tentou disfarçar.

                -Casa bonita. – ele comentou sorrindo.

                -Valeu. – eu respondi. – Então. Vamos ao que interessa? – eu cruzei os braços. Ele me olhou confuso. –O trabalho.


                -Ah sim! Vamos.

                -Vou deixar vocês à vontade aqui embaixo. – Miley disse subindo às escadas. Eu olhei para ela e fiz leitura labial. –“Se precisar, é só me chamar.” – ela fez um gesto, que significava arma e apontou para o andar de cima. Ela queria dizer que tinha uma arma lá em cima, caso precisasse. Eu balancei a cabeça em afirmação.

                A tarde se passou tranquilamente. Não conseguimos fazer o trabalho por completo, porque sempre Bruno puxava algum assunto comigo e atrasava os nossos afazeres. E sinceramente, acho que ele atrasou de propósito para que ele tenha que vir aqui de novo para finalizar o trabalho comigo amanhã.  E foi isso que combinamos. Ele viria aqui amanhã mais uma vez depois da aula. Miley me incentivou com a ideia de deixá-lo cada vez mais próximo, mas a ideia desse cara estar na nossa casa, sabendo do que ele aprontou com a Miley, me deixa extremamente incomodado.

                No dia seguinte, ele veio de novo, sempre muito simpático e comunicativo. Nos cumprimentou normalmente. Eu e a Miley continuamos com a simpatia de antes.

                Miley Narrando
               

                Bruno almoçou conosco mais uma vez. Assim como ontem com perguntas sobre nossas vidas e detalhes sobre a casa. O infeliz estava querendo conhecer melhor o espaço, mas eu sempre, “inocentemente”, desviava o assunto para outra coisa para que ele não conseguisse tantos detalhes sobre nós.

                Não é a toa que o Nick estava apreensivo com toda essa situação. Eu também não estava gostando nem um pouco. Ainda mais que não fazíamos ideia de qual é a intenção desse cara de se meter na nossa vida desse jeito e ainda saber segredos sobre mim. Depois desses dois dias conhecendo nossa casa e detalhes da nossa vida, ele já terá informações o suficiente para repassar para quem for que está por trás disso também.

                Logo depois do almoço, Nick o apressou para terminar o que restava do seu projeto da faculdade.  Os dois se juntaram na sala de estar para fazer o que restou e eu fazia questão de aparecer de vez em quando por perto para observá-lo melhor. 

                -Onde que é o banheiro? –ele perguntou pro Nick depois de alguns minutos fazendo o seu trabalho.

                -Segundo andar, segundo à direita. – Nick respondeu.

                Ele se levantou e subiu às escadas para o segundo andar.  Eu e Nick trocamos olhares desconfiados.  Ele não deve ter perguntado isso à toa. Me certifiquei se o Bruno nos vigiava lá de cima antes de me aproximar do meu namorado e conversar entre sussurros.

                -Não acho seguro ele sozinho lá em cima. Sabe-se lá se ele realmente está com intenção de ir ao banheiro. – Nick comentou.

                -Eu sei... E a minha arma está lá no quarto. Ele não pode entrar lá de jeito nenhum, mas ele não pode saber que estamos desconfiados.

                -Vamos esperar mais um pouco. Se ele demorar, um de nós sobe para ver o que está acontecendo.


                -Ok. – eu concordei com o seu raciocínio.

                Assim como desconfiamos, ele demorou alguns minutos torturantes para nós simplesmente esperarmos alguma coisa acontecer daqui de baixo.  Nick olhou para mim e apontou para cima. Eu balancei a cabeça, compartilhando o mesmo pensamento.

                -Eu vou lá. – avisei.

                Subi as escadas numa velocidade normal, sem que desse algum sinal de desespero. Ele não estava no corredor. Caminhei silenciosamente para o meu quarto e tive certeza que ele não estava lá também. A porta do banheiro estava fechada. Bruno ainda estava lá. Aproximei meu ouvido da porta e ouvi a sua voz conversando num volume propositalmente baixo.

                -Então, eles não desconfiaram de nada até agora... – o ouvi dizer. Estava conversando com alguém suspeito pelo celular. – Não, nenhum dos dois chegou a comentar sobre o roubo do celular. Acho que eles querem ser mais discretos sobre isso... A casa? É enorme. Tem uma piscina nos fundos e um galpão bem grande do lado de fora... Não, ainda não entrei lá para saber o que tem... Tudo bem, vou tentar convencê-los a mostrar, mas não sei se vou conseguir sem que eles desconfiem. Voltando, segundo andar tem uns quatro quartos, além de dois banheiros. Estou em um deles agora... O quarto deles? Eu entrei rapidamente só para dar uma olhada sem que percebessem. Não tive tempo para vasculhar com mais cuidado... Tem uma suíte lá dentro e um closet. Pela rapidez que vi ali, não conseguir ver nada de diferente. Olha, preciso desligar. Estou muito tempo aqui em cima e eles vão acabar achando estranho.  Você quer que eu faça mais uma coisa? – um breve silêncio. – Ok, vou tentar. Tchau.

                Me afastei do banheiro antes que ele abrisse e me pegasse o escutando atrás da porta. Em passos silenciosos e o mais rápidos que eu pude, fui em direção à escada. Bruno abriu o banheiro e fingi que estava subindo os degraus a seu encontro.

                -Bruno, está tudo bem? Você demorou e fiquei preocupada, pensando que você tinha ficado trancado ou alguma coisa parecida. – eu me pronunciei, fazendo a cara mais adorável possível.
                Ele forçou um sorriso e balançou a cabeça. – Está tudo bem, não precisa se preocupar.

                Eu abri um sorrisinho sínico para ele. – Nick está te esperando lá embaixo.

                Ele assentiu e desceu as escadas junto comigo. Esse desgraçado já estava repassando detalhes daqui para alguém. Provavelmente, a pessoa que o instigou a roubar o meu celular e se infiltrar na nossa vida. Aquilo já estava me deixando irada por dentro. Seja lá o que tiver em mente, eu não vou mais permitir que essa espionagem toda passe de hoje.

                Nick olhou nos meus olhos, tentando saber se havia alguma coisa de errado, mas eu desviei o olhar e deixei os dois terminarem os seus afazeres sozinhos. Eu estava começando a ficar nervosa e se eu deixasse que o Bruno percebesse isso, não daria certo.

                A tarde se passou lentamente para mim, que esperava ansiosa para que esse cara fosse embora. Durante esse tempo, ele continuou com o mesmo joguinho de antes, com perguntas e olhares criteriosos sobre a casa. Finalmente, terminaram o trabalho. Bruno se despediu de nós e eu fiz questão de ir até a porta para uma despedida simpática. Logo depois que ele saiu, eu fechei a porta.

                -Que cara é essa Miley? – Nick perguntou.

                -Ele estava repassando tudo que sabe de nós por telefone. Pra alguém provavelmente que está acima dele. Eu ouvi tudo lá em cima. - eu comentei. – Precisamos segui-lo agora mesmo!

Em Los Angeles...

Brian Narrando

                Lá estava eu mais do que perdido no meio de um bando de madames e almofadinhas. Só a espera dela. Sinceramente, Rodeo Drive não foi o melhor lugar para Chris me chamar para encontrá-la. Apesar de eu estar um pouco acostumado a conviver com gente podre de rica, graças à minha amizade de anos com o Nick, eu sentia que estava no lugar mais inapropriado do mundo. Chegava a ser engraçado ver aquelas pessoas esquisitas demorarem o olhar em mim e eu abria um sorriso debochado quando estacionei meu carrinho simples ali por perto.
               
-Moça, você sabe onde fica o Café Rodeo? – eu perguntei a uma vendedora de uma das lojas sofisticadas que tinham por lá.
               
Ela me deu algumas referências e descobri que eu não estava muito longe. Pelo visto, o café ficava dentro de um hotel conhecido por ali e eu pude avista-lo à distância quando saí da loja.

                Entrei no tal café e como imaginei, era todo chique. Até o cheiro do expresso que impregnava o ar parecia ser caríssimo. Não demorei muito para reconhecer Christine de longe sentada em uma das mesas. Uau, ela estava uma gata hoje... Brian, foco! Sem me conter, tentei ajeitar improvisadamente o meu cabelo rapidamente e fui até ela.

                Ela abriu um daqueles sorrisos encantadores quando me viu andando em sua direção. Não pude evitar senão sorrir de volta. Chris caminhou até mim e meu um beijo na bochecha antes de se sentar. Ela deixou suas incontáveis sacolas nas mãos do seu segurança e motorista, Jackson. 

                -Obrigada, querido. Você pode guardar essas bolsas no carro pra mim, por favor? – ela pediu simpaticamente. – Ainda vou andar muito hoje e carregar ainda mais novas sacolas! –Chris disse direcionando o seu olhar animado pra mim e eu não entendi nada.

                -Chris, se você continuar comprando roupa desse jeito, não há mansão que tenha espaço para caber tanta coisa! – eu comentei assustado. Quando me dei conta, Jackson já tinha ido embora com as várias bolsas.

                Ela riu e balançou a cabeça. – A partir de agora, eu não vou comprar roupas para mim hoje. São para você!

                O que? Eu não quero que o Paul me culpe por ser o novo motivo de compulsão por compras da Christine! Ela deve ter percebido minha reação obvia de surpresa e rolou os olhos.

                -A festa, Brian. Acorda! Eu estou quase te obrigando a comparecer. O mínimo que posso fazer é te ajudar com as despesas das roupas.

                Eu ri com a sua explicação. – Não precisa se preocupar com isso. Eu tenho um terno lá em casa. – eu dei de ombros.

                -Brian Chase, não discuta comigo! – ela me chamou a atenção e eu suspirei contrariado. - Eu vou te deixar deslumbrante. Você vai ver. – piscou e não pude evitar sorrir. É impossível contrariar essa perua.

                Quase perdemos a noção da hora quando fizemos um lanche por ali. Era incrível como a hora passava rápido quando eu estava com ela. Chegava a ser engraçado nós dois com as nossas diferenças obvias nos dando tão bem, mas simplesmente fluía. Em alguns momentos quando eu olhava no fundo dos olhos azuis e doces dela, me dava vontade absurda de contar tudo de uma vez, mas aí a minha consciência me obrigava a olhar para a aliança grossa e imponente na sua mão esquerda para me lembrar exatamente do motivo para não fazer isso.

                Quando percebemos que estava ficando tarde, tivemos que nos apressar para ir embora dali e para finalmente eu ser usado como manequim de Christine. Ela dispensou Jackson por telefone e o avisou que não tinha hora para voltar pra casa. 

                Sua mão delicada me puxava com insistência para dentro de uma loja de grife e logo um casal de vendedores veio prontamente nos atender.  Pelo visto, eles já conheciam Christine, pois não paravam de conversar.  E eu? Bom, eu estava totalmente disperso, checando as peças de alta costura que tinham por lá sem muito interesse, enquanto Chris já pedia estilos de roupas específicos que nem prestei atenção para o que dizia. Tanto faz, ela deve entender melhor do que eu.

                Depois de me apresentar vários tipos de ternos e Christine por algum motivo colocar os tecidos na altura do meu rosto para ver se a cor e a textura combinam comigo, fui levado para a cabine.  Vesti um dos modelos que achei que ficaria mais legal em mim.

                -Gostou de algum, Brian? – ouvi sua voz por trás da porta da cabine. Eu chequei mais uma vez o meu visual no espelho antes de responder.

                -Acho que já tenho um favorito. – respondi, enquanto abria a cabine para mostrar qual eu escolhi.

                Entre vários que Christine tinha escolhido para mim, esse era um conjunto de terno, gravata e camisa com tons escuros.  Não tinha cores extravagantes e nem texturas que chamam atenção, eu gostei exatamente por isso. Ela me olhou de baixo para cima com uma expressão de surpresa e logo depois abriu um sorriso.

                -Uau! Está impecável! – ela disse e fez um gesto para que eu desse uma volta completa. Eu não pude impedir que um sorriso convencido surgisse no meu rosto quando notei que os seus olhos checavam cada detalhe do meu corpo com admiração. –Brian... Você fica maravilhoso de terno!

                -Já me disseram isso quando estou sem ele, também. – eu brinquei dando de ombros e ainda convencido. Ela rolou os olhos e riu. 

                -Porque não me surpreendo com uma frase dessa vinda de você? – ela caminhou em minha direção para alinhar o terno e ajeitar a gravata que eu coloquei de qualquer jeito.

                A aproximação dela fez que meu coração disparasse. Por um momento, respirar passou a ser uma atividade bastante difícil quando senti o seu perfume feminino e sensual tão de perto. O seu corpo pequeno e elegante perto do meu, me fazendo imaginar como seria se ficássemos presos ali dentro daquela cabine e eu a prensasse contra a parede dali para roubar um beijo intenso e quente. Acordei para realidade quando percebi que ela já tinha terminado de dar os ajustes.

                -Prontinho. – sua voz saiu baixa e me toquei que eu não tinha parado de fitá-la nem por um segundo. Seus olhos perceberam a intensidade do meu olhar e se desviaram de volta para a roupa. Ela alisou o paletó para alinhá-lo. Suas mãos macias correndo pelo meu tronco, de uma forma que eu pude perceber que tinha despertado partes do meu corpo que não deveriam.  –Tira logo essa roupa, ok? –ela disse dando um passo para trás.

                Eu me sentia distante e meio tonto quando ouvi a última frase. – O que? – perguntei desacreditado. Ela me mandou tirar a roupa?

                -Tira logo essa roupa para pagar logo e irmos embora. Já está tarde.  – ela repetiu inocentemente.

Apenas balancei a cabeça afirmativamente, me sentindo meio idiota por estar imaginando coisas demais.

Depois de eu ter trocado de roupa e Christine ter pagado o que eu tinha escolhido, nós fomos em direção ao meu carro. Chris disse que pegaria um taxi ali por perto, mas fiz questão de dar uma carona. Durante o caminho até a sua casa, ela tagarelava como sempre, mas dessa vez eu apenas dava respostas curtas. Eu não parava de pensar no efeito que ela me provocou naquela loja. De algum modo sabia que aquela situação não seria a ultima, se continuássemos tão próximos assim. E sabe-se lá até quando eu conseguiria esconder isso dela.

-Brian, o que houve? Você está meio distante. Está chateado com alguma coisa? – ela perguntou.

-Eh... Não... Quer dizer, eu estava aqui pensando se não teria problema eu devolver esse terno. Eles reembolsam, né? – eu perguntei um pouco hesitante e ela me encarou confusa.

-Você não gostou?

-Eu gostei, mas... eu não sei se vou à festa, Chris.

Meu carro travessou os grandes portões da mansão dos Jonas e seguiu o caminho de pedras.

-Por quê? – ela perguntou decepcionada.

-Eu... – tentei arrumar uma boa desculpa, mas nada vinha à cabeça. – eu não sei vai ser  bom se eu for.

-Ah, Brian, fala sério! Vai me dizer que está com vergonha e que não gosta de se misturar com “gente rica”?  Não é a primeira vez que você vem para uma festa aqui e nem vai ser a última.

-Não é isso. Deixa pra lá. – eu balancei a cabeça. – Mas obrigado mesmo assim.

-Qual é o problema, então? – ela destravou o cinto de segurança e virou o seu corpo para a minha direção para olhar bem para mim. – Você está brigado com o Nick? Ou você tem alguma pendência com o Paul? Ah, é alguma coisa com o Joe?

-Não. Não, é nada disso. – eu neguei, começando a me sentir pressionado demais.

-Não é possível. Deve ser alguma coisa com alguém daqui. O problema é comigo? – ela perguntou.

-É, o problema é você. – eu não tive controle para me segurar e ela me olhou surpresa. – Você é o problema. Não quero ir nessa festa por sua causa.

Chris tentou reformular alguma coisa para dizer, mas demorou a dizer as palavras. – E-eu não sabia... – ela parecia constrangida e triste.  – Se você não gosta de mim, não precisava passar todo esse tempo comigo. Eu não queria te chatear... Era só ter me avisado.

Eu fechei os olhos e suspirei. – Eu gosto de você.

-Mas então por que você disse que tem problema comigo? – ela parecia mais confusa do que antes.

Eu não me dei o trabalho de responder. Minhas mãos foram para sua nuca e a puxei para um beijo.  Ela ficou paralisada no primeiro momento enquanto meus lábios pressionavam os seus até que abrissem. Chris pareceu resistir por um tempo, mas deu passagem para a minha língua um pouco depois de sugar e beijar seus lábios. Quando senti minha língua tocar a sua, eu não resisti e inclinei mais o meu corpo em direção do dela, para aprofundar ainda mais o beijo e conseguir sentir o seu corpo ainda mais perto do meu. Com o tempo, percebi que ela também respondia tímida e hesitante ao beijo e isso fez meu coração disparar forte contra o peito. Quando percebi que ela também se entregava ao beijo, de algum modo eu sentia que estava fazendo a coisa certa. Por mais errado que tudo aquilo pareça. Mas então, senti suas mãos pousarem meu peito e me empurrarem para que eu parasse.

Afastei meus lábios dos seus, mas ainda assim há poucos centímetros do meu seu rosto. Nós dois estávamos ofegantes e ninguém teve coragem de dizer alguma coisa. Christine tocou os seus lábios inchados e vermelhos com as pontas dos dedos enquanto me encarava com os olhos arregalados, se dando conta do que acabou de acontecer. Eu terminei de me afastar voltando para o meu lugar de antes.

-Estou apaixonado por você. – eu ousei quebrar o silêncio.

Ela ainda não respondeu, assustada e surpresa demais para reagir de alguma forma. Ela olhou em volta, tentando certificar que ninguém ali por perto viu a cena que acabou de acontecer.

-Diga alguma coisa! –eu pedi nervoso.

-Eu... –ela ainda estava ofegante e tentou desviar o olhar dos meus olhos. - eu preciso ir. – ela abriu a porta do carro e saiu rapidamente do carro com desespero.

Eu assisti Christine subir os degraus da entrada casa quase correndo e parou em frente à porta sem abri-la. Ela levou sua mão à sua boca novamente e abaixou a cabeça, claramente confusa. Virou a cabeça para olhar mais uma vez para mim e viu que eu ainda não tinha tirado os olhos dela. Desviou o olhar mais uma vez e entrou na casa.

Joguei minha cabeça para trás para apoiar no banco e fechei os olhos, sentindo a culpa me esmagar. Acabei de agarrar a força uma mulher casada e de praxe consegui arruinar de uma vez só a nossa amizade. Eu fiz a maior besteira de toda a minha vida.

Nick Narrando

Entre passos apressados e discretos, eu e Miley não tirávamos os olhos do trajeto do Bruno. Era tão arriscado segui-lo a pé desse jeito, mas não paramos para pensar nem um segundo antes de decidirmos vigiá-lo pelas ruas. Pelo menos já era noite e é muito mais fácil para se esquivar e não sermos percebidos. Ambos carregávamos uma arma na cintura. Sabe-se lá o que nos espera depois da ideia louca de persegui-lo há essa hora.  Pelo modo que a Miley falou sobre ele, eu já estava certo que o plano de continuar naquele teatrinho tinha ido todo por água a baixo. Apesar da impulsividade da Miley, eu tinha que concordar que já estava passando da hora de descobrir de uma vez por todas o que esse cara quer com a gente. Nem que tenhamos que descobrir na marra.

Bruno parou em um dos prédios residenciais da rua mal iluminada. Era um prédio pequeno, de poucos apartamentos. Miley me puxou pelo braço para se esconder atrás de um carro no momento me que ele parou para procurar suas chaves nos bolsos. Era ali onde ele morava.

-Não temos muitas chances e nem tempo pra joguinhos. Vam... – eu não deixei que ela terminasse de falar.
Antes que Bruno pudesse entrar e fechar a porta, corri até lá segurei antes de ser fechada. A minha ação rápida assustou o meu colega de faculdade que não soube muito bem como reagir. Ouvi um xingamento baixo de uma Miley contrariada, que logo me seguiu até lá.

-Nick!? – ele perguntou sem entender muita coisa. – Como você sabe que eu moro aqui? Você por acaso me seguiu?

-Isso não importa agora. Queremos conversar com você.

-Não vai nos convidar para entrar? – perguntou a Miley. Pude sentir um toque de sarcasmo em sua voz e Bruno também notou, deixando o clima ainda mais estranho entre nós. Obviamente, ele estava bem desconfiado.

Ele nos encarou cheio de desconfiança. – Por que estão aqui?


-Nos deixa entrar. – eu disse. – Lá dentro nós conversamos.

-Sobre o que querem conversar?

-Sobre o celular que você roubou de mim. – Miley foi logo ao ponto.

-Que celular? – ele se fingiu de desentendido, mas estava claramente nervoso.

-A essa altura você já deveria ter notado que a gente já está de saco cheio para joguinhos e fingimentos. – Miley  retrucou  com um olhar ameaçador. – Agora vamos logo entrar na porra da sua casa, porque não quero tirar satisfação com ninguém no meio da rua. Anda!

Se sentindo, no mínimo, pressionado, ele fechou da porta de entrada do prédio logo depois que entramos. Nos conduziu para o andar onde morava e em poucos minutos já estávamos no apartamento. Era um apartamento típico de universitário: despojado e bem bagunçado. Com exceção de alguns detalhes sobre a mesinha de centro. Havia algumas drogas ali e parei para pensar se são para o se uso pessoal ou era mercadoria para vender.

-Tudo bem. Agora que estamos aqui, eu quero deixar claro que não foi nada pessoal, ok? – ele disse.

-Quem te mandou fazer isso? – eu perguntei depois de tê-lo empurrado para baixo, o sentando na cadeira ao meu lado. Assim seria mais difícil que ele reagisse e veríamos com clareza os seus movimentos.

-Quem são vocês? – ele ignorou a minha pergunta, revezando o seu olhar entre mim e Miley.

-Eu sou Miley, namorada do seu colega Nick. – Debochada, Miley apontou para si mesma e depois para mim falando pausadamente.  Ela colocou o revolver em cima da mesa. -E essa aqui é a arma que vou brincar com você, se não começar a falar. Você gosta de roleta russa?

Pude ver a glote do Bruno descer vagarosamente. 

-Eu não tenho muita coisa para falar. – ele respondeu ainda um pouco assustado.

-Ah, tem sim! – eu disse. –E pode começar falando para gente quem te mandou dopar a Miley e para quem você estava repassando detalhes da nossa vida.

-Eu não posso dizer.

Miley tirou todas as balas da arma ali mesmo. Ela deixou apenas uma no tambor e o girou. Por um momento parei para pensar se a roleta russa seria para valer mesmo ou ela apenas está fazendo isso para assustá-lo. Tentei não pensar muito, antes que eu tente intervir e talvez estragar tudo.

-É melhor você dizer. Se você tem medo do seu mandante, deveria começar a ter ainda mais medo de mim. – disse ela já apontando o revolver para sua direção.

Ele encarou Miley por um tempo, talvez pensando na possibilidade de se safar e escapar de uma possível morte. Depois seu olhar preocupado foi para mim, esperando alguma reação minha que o ajudasse.

-Miley abaixa essa arma. – eu disse. – Ele vai contar tudo o que for necessário, não vai? – eu perguntei com mais firmeza na voz. Ele afirmou com a cabeça rapidamente em desespero. –Se ele não disser, você faz o que entender com ele.

Ela abaixou a arma, sem tirar os olhos dele.

-Por que você estava repassando detalhes da nossa casa? – ela perguntou.

-Eu não sei. Só me mandaram fazer e eu fiz.

-Também não sabe o motivo que te mandaram sedar a Miley e roubar o seu celular? – eu arqueei uma das sobrancelhas.

Ele apenas balançou a cabeça negativamente. –Eu não faço ideia. Eu só sei que vocês vieram dos Estados Unidos e que o Nick é podre de rico. Nenhuma novidade. O que vocês andaram aprontando, hein? Por que alguma coisa pendente vocês têm.

-Não é você que faz as perguntas. Você apenas responde, ok? – eu dei um corte e cruzei os braços impaciente.

-Bruno, quem está por trás disso? – ela perguntou se aproximando dele. – Quem te mandou fazer essas coisas?

Ele balançou a cabeça.  –Eu já disse que não posso dizer.

-Você vai ter que me dizer. – ela insistiu.

-Eu não posso. Se eu contar, vão me procurar onde for para me matar. Não vou contar. – ele respondeu extremamente nervoso.

-Se me contar, eu te ajudo a fugir. Se não me contar, eu te mato antes deles e ainda vou vasculhar essa casa até descobrir. Você não tem muita escolha.

A respiração dele estava pesada, claramente não conseguindo controlar o nervosismo e o medo. Assim como Miley, ele não quebrou o contato visual nem por um segundo. Mesmo com a sugestão dela, ele parecia certo do que iria acontecer.

-Não.

Ela estendeu o revolver novamente em sua direção.

-Último segundo para mudar de ideia. – ela disse.
               
                O clima estava tão tenso e pesado, que eu podia sentir o meu coração bater forte. A sensação era que eu podia ouvir as batidas ecoando por todo o apartamento. Miley destravou a arma.

                -Eu não vou contar.

                Ela apertou o gatilho e me preparei para o barulho de tiro, mas não veio. Consegui respirar fundo, como se tivesse me faltado ar por um momento. Também percebi que Bruno respirou aliviado.

                -Menos uma chance. Você vai mesmo contar com a sorte? – Miley não desistiu. – Quem te mandou fazer tudo isso?

                -Eu já disse que eu não posso contar. Por favor...

                Ela apertou o gatilho novamente, mas não disparou nenhum tiro.
               
                -Menos duas chances. E aí? – ela perguntou ainda apontando a arma.

                Antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, um toque de celular quebrou o clima de tensão. Não era meu telefone e nem o da Miley. Olhamos em volta da casa e depois para o Bruno. Miley abaixou a arma por um momento.

                -Levanta. – eu puxei Bruno pelo braço, para que ele levantasse da cadeira. Peguei o celular do seu bolso.

                Olhei no visor do celular. Estava escrito “Petrova” no identificador.

                -Petrova. – eu disse lendo o nome do contato e estendi o celular para Miley para que ela pudesse ver.

                Miley deslizou o dedo na tela e encostou o aparelho em seu ouvido. Bruno nos encarou assustado e ainda mais nervoso. Ela ouviu alguma voz do outro lado da linha e depois desligou sem falar um silaba.

                -É ele, não é? Petrova. Ele é o seu mandante. – Miley concluiu e Bruno não negou.

                No segundo seguinte vi Bruno correr em um supetão e pegar algumas coisas na sua mesinha de centro. Eu peguei a arma do cós da minha calça e apontei para ele, já destravando o revolver, pensando que ele iria tentar nos atacar de alguma forma. Mas não. Ele rapidamente pegou uma seringa que tinha por lá.

                -O que você está fazendo?

                -Heroína. – ele injetou no seu braço, ofegante.

                Provavelmente ele já era dependente. Em momento de desespero, ele decidiu se dopar para não entrar em surto, imaginei.

                -Mas isso é muito. – Miley comentou observando de longe ele já ter injetado.

                Segundos depois, a conclusão da minha namorada se confirmou. Bruno começou a se estremecer e percebi que ele estava tendo uma convulsão e espumava pela boca. Eu e Miley corremos até ele, com o intuito de segurá-lo, tentar fazer alguma coisa para impedir, qualquer coisa. Mas não tinha nada a fazer. Em pouco tempo depois, a convulsão parou e ele ficou gelado. Eu encarei Miley, no mínimo, perplexo.

                -Ele morreu. – eu disse o obvio.

                Miley abriu sua boca em surpresa e voltou a olhar para o corpo inerte do Bruno.

                -Puta merda. – ela murmurou ainda sem reação.

                -O que fazemos agora? – eu perguntei me levantando.

                Antes que ela pudesse responder, o celular dele voltou a tocar de novo. Era Petrova ligando.