sexta-feira, 8 de março de 2013

Aviso!

Oi gente! Como vão vocês? Eu sei, eu to meia sumida mesmo e é mais ou menos sobre esse assunto que eu vou explicar nesse post!
Bom, eu ainda estou me acostumando com a minha nova rotina, entao eu continuo um pouco enrolada pra entrar no blog e ler fics com calma, então me perdoem se eu estou um pouco atrasada nas fics de vocês ( para as autoras das fics que eu leio).
E para quem está ansiosa pra o novo capitulo, falta bem pouquinho para atualizá-lo. Mas infelizmente, eu nao consegui terminar pra postar essa semana, como eu queria. Eu só queria dar um sinal de vida para vocês não acharem que abandonei minha fic ou as fics que eu estou acostumada a ler. Nesse mês, eu vou conseguir me ajeitar mais e arrajar um tempinho especial pra fics. Tudo está se ajeitando aos poucos...
Então eu vejo vocês na sexta-feira, ok? Prometo que até sexta eu posto, talvez até um pouco mais cedo :)
E aí o que estão achando da fic? Alguma advinhação sobre o que vai acontecer? Quero saber a opinião de vocês!
Obrigada pela paciencia, cherry bombs. <3
Beijos!

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Capítulo 21 - No light, No light


Trecho da música “No light, No light” – Florence + the machine :
You are the hole in my head (Você é o buraco na minha cabeça)
You are the space in my bed ( Você é o espaço na minha cama)
You are the silence in between (Você é o silêncio entre)
What I thought and what I said (o que eu pensei e o que eu disse)

You are the night-time fear (Você é o medo noturno)
You are the morning when it's clear(Você é a manhã quando está claro)
When it's over you’re  start (Quando acaba, você é o início)
You're my head, you're my heart (Você é a minha cabeça, você é o meu coração)

No light, no light in your bright blue eyes (Sem luz, sem luz nos seus brilhantes olhos azuis)
I never knew daylight could be so violent (Eu nunca soube que o a luz do dia poderia ser tão violenta)
A revelation in the light of day (Uma revelação à luz do dia)
You can’t choose what stays and what fades away (Você não pode escolher o que fica e o que desaparece)


Nicholas Narrando

                Eu não conseguia processar bem tudo o que tinha acabado de ouvir. Meu pai. Aquele homem que me criou, que me educou durante todos esses anos é um crápula. Como ele poderia ser capaz de fazer todas aquelas maldades? Eram pessoas inocentes! Ele foi o responsável de uma delas se transformar numa assassina fria e cruel. Isso tudo foi por causa da sua ambição em conseguir a maldita empresa só pra ele. Fiquei um tempo tentando refletir toda essa história. Me doía saber que sou filho de um homem que fez tanta crueldade por poder. Me doía ainda mais saber que a Miley, por mais que eu não queira, a mulher que eu amo tanto, sofreu coisas absurdas antes de ser o que é.
                Chad tentou me empurrar mais algumas bebidas para poder esquecer e relaxar, mas eu acho que agora seria impossível tomar até um gole de água. Como se um nó estivesse formado na minha garganta e impedisse a passagem de qualquer líquido.
                -Agora que você sabe de tudo, finja que não ouviu nada, ok? Se soubessem que você descobriu sobre a Miley, sobraria para mim. Ela recusa a demonstrar fraqueza para as pessoas, e acho que essa história ainda não se cicatrizou nela. Eu só contei para você porque o seu pai estava envolvido nisso e acho que você deveria mesmo saber quem é o verdadeiro Paul Jonas. Talvez assim, você possa nos ajudar de verdade nessa missão. – ele disse logo depois de tomar seu terceiro drinque.
                -Como eu falei, eu não vou contar para ninguém. Ninguém vai desconfiar de nada. – eu disse me levantando da cadeira.
                -Para onde você vai? – perguntou confuso.
                -Eu vou sair para respirar melhor e poder absorver essa história toda. - eu falei pegando uma nota de cinquenta dólares e deixando em cima do balcão, não me importando com o preço exato da minha bebida que eu nem sequer toquei.
                Saí do bar rapidamente e dei partida com o meu carro. Acelerado, levei o meu Ashton Martin até um lugar já conhecido. Estacionei em frente à praia e saí do automóvel e me apoiei no capô do carro para observar o mar a minha frente.  De alguma forma, o cheiro, o barulho das ondas ou até mesmo a visão de mar quase infinito, me deixa mais calmo. Por isso escolhi vir para cá. Para poder botar minha cabeça no lugar e decidir o que fazer a partir de agora. 
                Cenas se formavam em minha mente de acordo com os relatos de acordo com o Chad. O Billy sendo assassinado na frente da filha. A insistência da Miley por justiça e sendo totalmente ignorada por um policial corrupto. Lágrimas de desespero banhando seu rosto delicado. Miley enclausurada num quarto de um manicômio ouvindo todas as noites gritos insanos de outros pacientes.
                Tentei segurar lágrimas que ameaçavam cair de meus olhos, engolindo em seco e tentando respirar profundamente o ar carregado com o cheiro de maresia. Passei nervosamente meus dedos entre meus cabelos. Eu não posso fazer nada. Miley não pode saber que eu descobri sobre ela. Com certeza ela se sentiria humilhada e poderia perder a cabeça e tomar atitude precipitada. Mas não posso evitar sentir tristeza em saber o que tudo o que aconteceu com ela foi por culpa do meu pai. A amo demais para encarar isso com tanta facilidade. Por uma parte eu também me sinto mal. Como se apenas o fato de eu ser um herdeiro do Paul já me desse a culpa por tudo o que ela passou.
                Miley Narrando
                Sentada de frente a televisão, as imagens se passavam despercebidas por mim e os sons totalmente ignorados. Eu decidi descer para a sala para evitar qualquer drama.  Abracei meus joelhos, encolhendo meu corpo. A cada dia que se aproxima da minha tão esperada vingança, mais as memórias me assombravam cada vez mais. Como se estivessem testando a minha resistência. Realmente, elas conseguem fazer seu papel, me fazendo sentir cada vez mais enfraquecida.
                O barulho da campainha me fez despertar do meu próprio mundo. Então achei melhor eu mesma ir atender. O Chad ainda estava em seu quarto descansando do seu porre e o Steve subiu para seu quarto para tirar mais uma soneca e fazer mais planos, como sempre. Quando atendi a porta dei de cara com o intrometido do Nicholas. Rolei olhos ao vê-lo. Só falta ele ficar me chateando de novo para contar a verdade.
                -O que você quer? – eu perguntei impaciente.
                Ele estendeu um aparelho de celular para mim. – O Chad esqueceu no carro. – ele disse sem se afetar com a minha grosseria. E isso me pareceu muito esquisito. Talvez ele esteja tentando me ignorar para não discutir mais comigo.
                Eu peguei o celular em sua mão e inevitavelmente meus dedos roçaram nos seus. Puxei rapidamente o celular para perto do meu corpo e afastando nossas mãos. Eu ainda podia sentir o calor da sua pele irradiada na minha. Por um motivo totalmente estranho, cruzei os braços em frente ao meu corpo, me sentindo um pouco desconfortável com a sua presença. Levantei meu olhar ao perceber que eu fitava um ponto qualquer do chão e encontrei seus olhos castanhos me encarando de um modo totalmente indiscreto. Como se estivesse avaliando o meu semblante para descobrir o que penso. Eles não carregavam raiva, muito menos aquela paixão iludida... Me pareciam tristes. Respirei fundo decidi quebrar o silencio entre nós.

-Só isso? - perguntei fazendo Nicholas acordar de seus devaneios. Ele balançou a cabeça em afirmação.

-Só. - ele disse um pouco antes de me dar as costas e voltar o seu caminho para o seu carro.

 Estranho... Ele não insistiu novamente em contar a minha verdadeira história com o xerife Holmes. Normalmente ele ficaria teimando até que eu perdesse a paciência para contar.

-Nick! – eu o chamei. Ele automaticamente virou-se para mim de novo, parando no seu caminho até o seu automóvel. – Você desistiu de me chatear para contar aquela história? – eu me apoiei no batente de porta.

Ele deu de ombros. – De um jeito ou de outro, você nunca me contaria mesmo. Se você tiver alguma coisa pessoal com meu pai ou com o xerife isso é problema seu. Como você me mesma disse, não é nada que eu me importe. – ele respondeu de um modo frio e impassível.

De alguma forma, a sua resposta me surpreendeu. Então se eu tiver algum passado ruim com o pai dele, ele não vai se importar? Ele não se preocupa com o seu pai e muito menos de mim. Ele conseguiu superar rápido... Não sei por que, mas aquilo me incomodou. Talvez porque eu me acostumei em sempre ser o centro da sua atenção.

-Que bom. – eu respondi tentando ser tão fria quanto ele.

-Era só isso que queria falar? – ele perguntou.

-Não, amanhã nós vamos te levar ao banco para ver o esquema do seu acesso à conta bancária do seu pai. Nos encontramos uma hora da tarde em ponto aqui, ta bom?

-Tá. – ele assentiu. – Tchau, Miles. – ele pigarreou, se dando conta que me chamou pelo apelido. – Miley.

-Tchau. – eu esbocei um pequeno sorriso.

Nicholas Narrando


                Foi tão difícil encará-la e fingir que não sei de nada, que eu não me importo com nada. Por mais cruel que ela tenha sido ultimamente, eu ainda podia sentir a melancolia em seus olhos. Eu tive que me conter em não abraçá-la e me pedir desculpas por tudo o que meu pai fez. Mas infelizmente ela me odiara por isso. Além do mais, ela não está certa em escolher a vida do crime para preencher o vazio que sente. Isso nunca será uma justificativa. Ela poderia ter feito pessoas sofrerem como ela sofreu com meu pai. Mas como eu posso convencer isso ao meu coração, para me livrar dessa culpa que nem é minha, que só quer saber de confortá-la e de amá-la?

                Eu estacionei o meu carro em frente a minha casa. Minha casa... Acho que nem isso eu posso considerar agora, não é mesmo? Foi construída com dinheiro que deveria ser de outras pessoas. Subi a escadaria daquela enorme mansão em que eu costumava chamar de lar. A sensação é como se eu estivesse entrando numa casa de estranhos. Eu entrei na casa e percebi a maleta do meu pai em um dos sofás. Ele já deve ter chegado.

                -John, onde está meu pai? –eu perguntei para o mordomo.

                -Eu acho que o Sr. Jonas está no escritório dele. 

                -Ok, obrigado.

                Obviamente eu não contaria tudo o que sei para ele. Eu só pioraria as coisas. Mas eu precisava pelo menos confirmar pela boca do meu próprio pai se ele seria capaz disso. Subi as escadas até o segundo andar e bati algumas vezes na porta.

                -Pode entrar. – Paul disse.

                Entrei no cômodo e me deparei com meu pai vasculhando a sua escrivaninha, como se estivesse à procura de alguma coisa.

                -Nick, por acaso você viu onde está a minha agenda de contatos? Eu juro que a ultima vez que eu a vi, ela estava guardada aqui na gaveta. Eu já estou até começando a desconfiar que um dos empregados pegou. Você sabe que só tem contato de pessoas importantes, né? – ele falava ainda sem tirar os olhos da sua escrivaninha toda bagunçada.

Com certeza a Miley pegou. Eu lembro sobre o que o Joe me disse que havia a pego mexendo nas coisas de meu pai aqui no escritório. Ela não deve ter perdido tempo e levou a agenda. Talvez para conseguir contato com pessoas que a possam ajudar a armar contra meu pai... Quer saber? Tomara que consiga, porque ele merece cair do seu pedestal.

-Eu acho que peguei para procurar o número do Dj para minha festa e acabei não encontrando. Eu acho que esqueci na casa do Brian. Se quiser eu busco para você amanhã. – eu menti. Pelo menos assim, ele não teria que botar a culpa em nenhum empregado e ninguém seria demitido por uma coisa que não fez.

                -Então tá. Assim eu fico mais aliviado. Você sabe que não pode deixar nas mãos de qualquer um, não é? – ele me advertiu.

                -Eu sei. - eu respondi automaticamente. –Pai, eu estou com uma dúvida. Sabe, logo depois das férias eu vou entrar na faculdade, então só agora que eu estou me tocando mesmo que o meu futuro só depende de mim agora...

                Ele ignorou a bagunça no móvel a sua frente e deu mais atenção a mim. Um pequeno sorriso orgulhoso tomava conta de seu rosto.

                -Eu sei, e acho que você tomou a decisão certa, filho.

                -Pai, o que eu teria que fazer para conseguir o que quero? O que você é capaz de fazer para conseguir a liderança? – eu perguntei me aproximando mais dele e avaliando com mais precisão o seu rosto.

                Ele parou um pouco para refletir nisso, lembrando-se do que fez ao Billy e a Miley, talvez. Ou até mesmo outras coisas ruins com outras pessoas. Se ele foi capaz de fazer o que fez, pode fazer qualquer coisa. Mas eu queria ouvir isso vindo dele.

                - Qualquer coisa. – ele voltou seu olhar para mim. – Custe o que custar. – ele se levantou da sua cadeira e se aproximou de mim, apoiando sua mão em meu ombro. – Filho, infelizmente a vida não é tão fácil quanto vocês, jovens, imaginam. Você nunca vai chegar ao poder se não lutar por isso com unhas e dentes. – disse olhando em meus olhos de um modo firme. Espero que ele não perceba o ódio e o nojo que eu sinto por ele agora estampado no meu olhar. – Mas você não precisa se preocupar muito com isso. Você é o herdeiro da empresa, isso ninguém vai conseguir tirar de você. Além do mais, eu sei que você é bastante destemido quando quer, e que faria o que for preciso. – Não, nunca faria qualquer coisa por dinheiro. Não quero ser um homem repugnante como o meu pai.

                Eu balancei a cabeça, fingindo compreensão. – Obrigado pela dica.

                -Era só isso? – ele perguntou sorrindo.
               
                -Aham.
               
                -Essa fase é meia confusa mesmo, a gente começa a se preocupar com o nosso futuro, não é? – ele disse sorrindo.

                -Bastante. – eu não conseguia responder nada além de poucas palavras. Tinha medo de perder a paciência e falar mais o que deveria.

                -Seu futuro já  está traçado, garoto. Não tem necessidade para se esquentar com isso. – ele riu. Eu tentei fingir uma retribuição com um sorriso. Espero mesmo que tenha parecido um sorriso.

                -Você pode avisar o resto do pessoal que eu não vou jantar. Estou muito cansado, acho que eu vou pra cama mais cedo. - eu disse colocando as mãos no bolso.
               
                -Tudo bem. Tenha uma boa noite. – ele falou enquanto arrumava toda a sua escrivaninha do jeito que estava antes.

                -Para você também.

Miley Narrando

               
                Eu toquei apenas uma vez a campainha da enorme casa e como já era de se esperar, o mordomo atendeu prontamente. Ele abriu um simpático sorriso. Ainda bem que eu não acordei com um humor tão terrível quanto eu imaginei, pelo menos eu ainda tenho humor o suficiente para fingir simpatia com as pessoas.
                -Boa tarde, senhorita Cyrus. – ele cumprimentou.
                -Quantas vezes eu preciso pedir para você me chamar só de Miley? – eu perguntei em um tom descontraído.
                -Tudo bem. Boa tarde, Miley. – ele respondeu segurando o riso.
                -Agora, sim! Boa tarde, John. -  eu disse adentrando a casa.
                -Miley! Como você está, querida? – Christine apareceu descendo as escadas com o mesmo impecável sorriso de sempre.
                -Eu estou ótima, tirando o fato do Nick está atrasado há uma hora. Nós combinamos para ele me buscar para almoçarmos juntos num restaurante novo e ele simplesmente não apareceu. – eu disse. Sim, o Nick está atrasado uma hora comigo e com o Steve. Já era para ele estar naquele maldito banco! O que está dando nesse cara?
                -Sério? Ele ainda está dormindo. Acho que ele deve ter dormido tarde e perdeu a hora... Bom, o que foi estranho já que ele foi para o quarto dele antes de servir o jantar... Mas enfim, por que você mesma não vai lá chamá-lo? – ela perguntou animada com a sua própria ideia. – Só não pode brigar com o coitadinho agora! – nós duas rimos.
                -Só vou brigar um pouquinho... – eu disse bem humorada. – Deixa que eu acordo ele com jeitinho, não vou matar seu enteado. Pelo menos não hoje. – nós gargalhamos novamente.
                -Se hoje ele ainda estiver vivo, tudo bem para mim.
                Eu lancei mais um simpático sorriso para ela e subi as escadas. Dormindo? Aquele folgado está dormindo até agora? Que pessoa normal dorme até às duas horas da tarde com um compromisso – muito- importante? Ele vai ter que me ouvir muito! Nicholas vai ver só como eu vou acordá-lo com “jeitinho”.
                Abri a porta de seu quarto que estava encostada e entrei no cômodo silenciosamente. Fechei a porta novamente para evitar que ninguém fique ouvindo a nossa conversa ou a minha tentativa de massacrá-lo e acordá-lo ao mesmo tempo.
                -Acho melhor você levant... – eu comecei falando alto. Mas logo meu olhar se direcionou para ele.
                Nick dormia profundamente como um bebê. Seus cachos levemente bagunçados davam ainda mais um ar adorável para visão a minha frente. Maldito seja por ser tão fofo dormindo! Ele apenas vestia uma calça de moletom, deixando todo o seu tronco a amostra. Os seus lençóis estavam jogados no chão. Acho que alguém não teve uma noite muito boa...
                -Anda, Nicholas. Acorda! – eu falei. Ok, eu não falei alto o suficiente para acordá-lo. Mas ele tem um poder de persuasão irritantemente poderoso durante o seu sono. Como a sua mãe o acordava quando criança para ir para o colégio?
                Eu me sentei ao seu lado na sua cama.
                -Nicholas... – eu o chamei, mas dessa vez mais baixo. Eu me deitei de lado, virada para ele, o observando dormir. – Nick... – sussurrei.
                Droga! Como sou covarde!Ah, quer saber? Depois eu o chamo daqui a dois minutos, ele deve estar com um sono muito pesado...
                Eu fiquei por um tempo analisando o seu rosto. O balanço suave da sua respiração me acalmava de algum jeito. O seu perfume marcante estava impregnado por toda a cama, me deixando até um pouco confusa sobre o que exatamente eu estava fazendo ali. Deixei escapar um sorriso quando vi um dos seus cachinhos caído na sua testa. Peguei a mecha de cabelo e joguei para trás, juntando com o resto de seu cabelo.
                Nicholas se mexeu e se espreguiçou, sinalizando seu despertar. Antes que ele abrisse os olhos me levantei rapidamente ficando de joelhos sobre o seu colchão.
                -Que saco, hein! Como você demora para acordar! – eu reclamei cruzando os braços. – Fiquei te chamando por um tempão! – eu sei que menti, mas é claro que eu não vou dar o braço a torcer.
                Ele coçou os olhos, ainda um pouco incomodado com a luz do sol que invadia seu quarto pela vasta janela. Ele piscou mais algumas vezes, talvez não acreditando no que via ao seu lado.
                -Miley? – ele perguntou com a voz ainda carregada de sono.
                -Não, Elvis Presley. – eu respondi irônica.
                Ele se sentou ficando na minha altura, ainda um pouco confuso com a minha presença.
                -O que você está fazendo aqui?
                -Eu vim te acordar, já que você não sabe fazer isso sozinho, não é? Por acaso você sabe que horas são?
                -Não... – ele franziu o cenho estranhando a minha pergunta.
                -São duas horas da tarde, sua anta! Eu não combinei com você para encontramos uma hora em ponto?  – eu levantei a voz. Ótimo, só agora eu tenho coragem de falar mais alto...
                Ele abriu a boca e levantou as sobrancelhas, se lembrando do meu pedido (e agora eu acho que deveria ter sido uma ordem). – Ah é! Eu esqueci disso. – Eu ainda estou impressionada com a naturalidade em que ele diz isso.
                -Então levanta logo daí e vai se arrumar! – eu ergui mais o meu corpo colocando as mãos na cintura. Mas eu perdi um pouco do meu equilíbrio quando estava prestes a cair da beirada da cama e tentei me equilibrar com os braços para não cair no chão, mas foi totalmente inútil.
            Antes que eu pudesse sentir minha cabeça ganhando um galo, Nicholas me pegou pela cintura e puxou mais para perto de si. E instintivamente me segurei em seus braços descobertos. Com os nossos corpos colados eu pude sentir a respiração falha dele batendo em mim. Seus olhos castanhos se encontraram com os meus e eu não soube exatamente o que fazer. Apenas fiquei o fitando aqueles olhos de cor chocolate tentando pensar em alguma coisa. Seu braço ainda se encontrava em volta da minha cintura, me apertando contra o seu tronco desnudo, atrapalhando ainda mais o meu raciocínio. Uma estranha sensação tomava conta de mim. Um tipo de pontinho de calor que se espalhava por mim. Não era um calor de excitação. Era um calor estranhamente confortável e confuso que fazia meu coração disparar e comprimia meus pulmões, me fazendo esquecer de respirar devidamente. Eu sabia muito bem que se ficássemos mais tempo juntos desse jeito nos beijaríamos. Não! Quer dizer, ele me beijaria. Se bem que não seria muito ruim beijar aqueles lábios avermelhados e convidativos... Olha, eu não tenho culpa disso. Com toda essa confusão e estresse sobre a missão, automaticamente minha tensão sexual aumenta junto com a emocional. É isso. Só isso...Eu pisquei algumas vezes, acordando para a realidade e desviei o meu olhar de seus olhos.

                -É... obrigada. – eu agradeci um pouco desconfortável.
                -Você ia cair muito feio. – ele disse logo antes de soltar uma risada. Eu o acompanhei imaginando a cena cômica que seria se eu caísse da sua cama.
                Nicholas então se deu conta que ainda estava me segurando, me soltou. Tentei ignorar o fato de o meu corpo protestar no momento que separei da sua pele quente. 
-Se você risse de mim, estaria encrencado comigo. Mais do que já está! - eu adverti cruzando os braços, me lembrando do motivo de eu estar aqui.

                -Já estou encrencado do mesmo jeito... – deu de ombros.
Mas em seguida, ele perdeu totalmente o foco do assunto encarando o meu colo exposto por um decote que valorizava os meus seios. Minha boca se abriu não acreditando na cara de pau dele de ficar me secando desse jeito. Nem para disfarçar! Ele levou sua mão em direção ao meu decote, antes que eu pudesse recuar. Para minha surpresa, ele pegou o pingente do colar que eu usava. Ah... então era o colar? Ele tentou disfarçar um sorriso que se formava entre seus lábios. Levei alguns segundos para me tocar do real motivo da atenção de Nicholas. Eu estava usando o colar que ele me deu de presente na festa de seu pai. Fitei o objeto e logo depois para o Nick.
-Então desistiu do colar de pimenta? – ele perguntou com ar de divertimento.
-Pois é... Mas pelo visto você ainda não perdeu o interesse por decotes, né? – eu entrei na brincadeira, o fazendo lembrar o dia em que nos conhecemos e a história do colar da pimenta e o seu indiscreto olhar para os meus seios.
Nicholas soltou uma risada e o acompanhei. Então me dei conta do que estava acontecendo. Nós estávamos... Nos dando bem? Ok, esse momento deve ter sido uma estranha, bem estranha exceção. Eu me levantei da sua cama, evitando mais algum momento embaraçoso entre nós.
-Eu vou te esperar lá embaixo. Já estamos muito atrasados. Vê se não demora muito, tá bom? – eu disse voltando com o tom de voz sério.
Ele balançou a cabeça em afirmação. – Mas chega de me apressar. Em quinze minutos estaremos saindo.

Nicholas Narrando

Saí do banco sozinho. A Miley e Steve já foram embora logo depois de me aconselhar o que fazer. Além do mais, eu era o único herdeiro entre nós três. Não seria muito confiável eu aparecer por lá querendo acesso a toda fortuna do meu pai com dois estranhos. Não fui permitido ter acesso algum por enquanto. Eu ainda teria que esperar a autorização do banco que geralmente, demora alguns dias.
No meio do caminho até o meu carro, me peguei com a mente em outro lugar. Mas exatamente hoje mais cedo. Pensando nela. Me recordei do seu olhar intenso e ao mesmo tempo um pouco confuso quando nossos rostos quase se juntaram. Do seu corpo curvilíneo colado ao meu, sentindo as batidas do seu coração bater contra o seu peito. Da sua surpreendente presença quando eu acordei.  A minha tentativa de esquecê-la é praticamente impossível. Eu juro que tento, mas tenho a sensação que nunca conseguiria.
Me surpreendi quando percebi que ela ainda usa o colar que dei de presente. Pelo menos, eu esperava que ela jogasse fora ou vendesse, se livrando de qualquer demonstração de carinho meu. Mas não. Ela não só guardou como ainda usa. Eu sei que essa esperança é totalmente sem nexo. Não teria nenhum motivo importante para ela ter guardado. Apenas gostou do objeto. Sinceramente, eu tenho que parar com isso. De ficar me martirizando, pensando que algum dia a Miley sentiria pelo menos um  afeto por mim. Isso nunca aconteceria.
Acordei dos meus devaneios quando senti uma movimentação estranha a minha volta. A rua não estava muito cheia, pelo contrário, não havia quase ninguém por aqui, além de mim e uns dois homens mal encarados que eu tinha a estranha sensação que me seguiam. Apressei os meus passos tentando me afastar deles o máximo possível até chegar ao estacionamento em que deixei o meu carro, e me livrar dessa estranha desconfiança. Porém, quando eu olhei para trás, vi os dois começaram a correr. Merda! O que está acontecendo? Eu não estou aliado da quadrilha do Steve? Então por que esses dois querem de mim? Não hesitei em correr também.
Rapidamente, uma vã surgiu e parou ao meu lado na calçada e saiu mais outro homem de lá, que também veio até mim. Eu dei um soco no nariz de um deles, quando senti me puxarem e recuei ainda mais. Desviei de um golpe que o que tinha acabado de sair da vã tinha feito e soquei sua barriga. Então corri enquanto os dois feridos de recuperavam dos meus socos. Porém, o imune, veio correndo até mim e paralisou, segurando fortemente os meus braços enquanto eu lutava contra ele para escapar.
 -O que vocês querem? -eu perguntei. -Eu já estou ajudando o Steve, já é o suficiente!
-Do que você está falando, garoto? -um deles perguntou um pouco confuso.
-Me larga! -eu gritei, ignorando a sua pergunta, ainda me rebatendo contra os braços de um deles que me seguravam firmemente. -Me lar...- eu fui interrompido pelo homem  a minha frente que pressionou um pano úmido contra o meu rosto. Tinha um cheiro forte de remédio. Eu tentei gritar contra o pano, mas logo uma sonolência pesada começou a dar conta de mim. Meus olhos começaram a pesar, e antes que eu pudesse analisar o que estava realmente acontecendo, tudo ficou preto.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Capítulo 20 - Dark Past


Oi gente! Tudo bem com vocês? Então, me desculpem pela demora, mas acho que o capítulo está bem grande, então acho que talvez recompensse a espera de vocês. O capítulo inteiro é de flashback sobre a Miley e o seu passado. Espero que gostem! 

Ah! Quero fazer uma divulgação de um blog novo da Bruna. Ele é sobre vampiros e outras coisas sobrenaturais. Quem gosta sobre esse tipo de história vai adorar! Eu por exemplo, estou super ansiosa para ela postar logo um capítulo ;D (sim, vou ficar fazendo pressão kkkkk Foi mal, Bruna. Mas amo história de vampiros, então você vai ter que me aguentar hahaha). Então aqui está o link : Story's the vampires...

Comentem, por favor!!!! E se não é pedir muito, eu adoraria que divulgassem o blog :) 

Beijos para os meus cupcakes
Boa leitura ;D  


Flashback on

Autora Narrando

                Abraçando o travesseiro, ela se segurava para não explodir e não fazer nenhuma besteira. Ela estava muito aborrecida. Finn, o único garoto que ela já gostou na vida, não dava a mínima para ela. Miley apenas estava sofrendo com o típico coração quebrado adolescente. Como ele não conseguiu perceber que eu sou a garota certa para ele?, ela se perguntava insistentemente durante toda aquela tarde.
                Seus devaneios foram acordados quando sua mãe bateu na porta a chamando para jantar.
                -Eu não estou com fome. –resmungou.
                -O que houve, hein? Vem logo comer, para de bobagem, Miles! – a mãe mandona, de acordo com a Miley, insistiu.
                -Eu não quero! Já falei que não estou com fome. – ela cruzou os braços, mal humorada.
                -O que está acontecendo aqui? – uma voz masculina e calma ecoou do corredor. Não demorou muito para Billy aparecer no solado da porta ao lado de Tish.
                -Oi, pai. – Miley cumprimentou não tão animada.
                -Deixa que eu resolvo isso. – o homem calmamente avisou a sua esposa, dando uma piscadela. – Vai colocando a mesa pro resto do pessoal. Braison está quase mordendo a mesa de tanta fome. – ele comentou e Miley tentou conter um riso, querendo manter a carranca, mas não conseguiu evitar um leve sorriso. – Pelo visto, não é tão grave assim. Já está sorrindo!
                Billy tinha o poder arrancar um sorriso de Miley em qualquer ocasião. Sempre equilibrado e calmo, costumava revolver as coisas com um bom humor. E Miley simplesmente adorava isso.
                -Então, vai me contar o que fez a garota mais sorridente de Nashville ficar mal humorada? – perguntou sentando-se na ponta da cama.
                -Nada demais, pai. – murmurou um pouco pra baixo.
                -Como assim nada demais? Você sabe como seu pai detesta ver você assim. Vamos, conta! – ele disse.
                Ela suspirou e decidiu contar. – Um garoto que eu gosto, não dá a mínima para mim. O que eu tenho de errado? – perguntou tristonha.
                -A pergunta certa é “o que ele tem de errado?”.  – ele respondeu um pouco mais sério. – Você é linda, Miles. E não merece ficar chateada por causa de um Zé ruela qualquer.

                - Acho que vou desistir do amor. – ela comentou pensativa. – Olha o que acontece comigo quando aparece um cara errado!
                -O que?! Miles, você ainda vai fazer dezesseis anos! Ainda tem muito que viver! – ele disse surpreso com o pensamento doido da própria filha. Os dois eram tão amigos que não se incomodam em conversar sobre esse tipo de coisa. Billy era tão tranquilo e carinhoso com ela que a Miley as vezes o considerava até como um melhor amigo. – É claro que eu só quero que a senhorita se case e saia de casa com mais ou menos uns cinquenta anos de idade...
                -Pai! – repreendeu Miley enquanto ria.
                -Tudo bem, com quarenta e cinco anos você pode. – Billy respondeu sorridente, satisfeito em irradiar o bom humor para a garota dos adoráveis olhos azuis.  – Mas um dia você vai encontrar um cara que te faça feliz pelo resto da vida. Só tem que ter paciência, minha flor. Cada um tem sua hora.
                -Fazer feliz pelo resto da vida? – repetiu Miley descrente. – Hoje em dia isso é impossível!
                -Olha eu e sua mãe. Tudo bem que ela é um pouco durona e mandona, mas nós nos amamos tanto ou até mais do que quando éramos namorados. E tenho certeza que vamos continuar assim até velhinhos.  Viu? Quando o “impossível” acontece, nada vai poder desfazer. – ele apertou a ponta do nariz de Miley que logo deu um leve tapinha na sua mão de brincadeira.
                -Obrigada pai. – ela abraçou carinhosamente o homem a sua frente. – Te amo muito.
                -Também te amo, minha flor. – eles se separaram. – Agora vamos jantar logo? Porque nessa sua idade você precisa se preocupar mesmo é com comida para crescer forte, não com falsos conquistadores.  – Será que ele ainda acha que eu tenho cinco anos? , se perguntou Miley.
                -Ta bom. Só vou comer porque que eu sei que hoje tem lasanha. – disse com uma cara de marrenta.
                -E se comer tudo, amanhã eu te levo para tomar sorvete. – Com certeza ele acha que eu tenho cinco anos! , concluiu Miles.
                -Pai, eu não sou mais uma criancinha! – protestou.
                -Então você não vai querer tomar uma banana split amanhã? – perguntou Billy desconfiado.
                -Claro que quero! - respondeu animadoramente.
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                Numa tarde ensolarada, Miley e Billy se deliciavam com a banana split. Mesmo sendo um momento muito agradável para ela, Miley estranhou o fato de seu pai estar numa sorveteria com ela no meio da tarde quando ele deveria estar no trabalho.
                -Você está de folga? – perguntou Miley enquanto largava, já satisfeita, a sua colher na ponta do prato.
                Ele olhou para a Miles que ainda esperava a resposta. Hesitou em responder, porém mais cedo ou mais tarde ela e toda sua família descobriria.
                -Fui demitido. – ele respondeu com nenhum pingo de culpa ou vergonha. Como se sua consciência estivesse tranquila. O que foi bem estranho para ela.
                Quase que os grandes olhos azuis de Miley saltaram de seu rosto, pega de surpresa. – Por quê?
                -É complicado, minha flor...
                Ela cruzou os braços em protesto e disse seriamente. – Eu te contei sobre o que aconteceu comigo ontem, porque você não quer falar o que aconteceu com você?
                Ele suspirou vencido. Aliás, ele fez a coisa certa. Não precisava esconder nada dela por vergonha.
                -O dono da empresa já está bem velhinho, então ele decidiu deixar a empresa nas mãos de outra pessoa. Como ele não tem herdeiros, pelo menos não em quem confiasse,  ele recrutou alguns funcionários de lá, os mais eficientes, para fazer um grande e revolucionário projeto para empresa crescer. Quem for o dono do melhor projeto, conquistaria a presidência e a empresa só pra ele. – ela assentiu compreendendo o que ele dizia.
                -Acho que eu ouvi você falar sobre isso com a mamãe. E você foi um deles, né? – perguntou interessada no assunto.
                -É, eu fui. – Billy balançou a cabeça positivamente. – Mas descobri que um dos selecionados, planejava desviar uma parte do dinheiro da empresa. E eu pensei em denunciá-lo, mas Paul Jonas conseguiu me impedir antes e conseguiu acabar com qualquer tipo de prova contra ele. E advinha? O infeliz conseguiu roubar meu projeto. E foi escolhido para liderar a empresa.  Ele não perdeu tempo em me demitir. Porém, eu conseguir contar para todo mundo o que ele fez. Eu ainda vou denunciá-lo por tentativa de roubo! E falei isso para ele, mas Paul não se importou com a minha ameaça.
                -Que horror! – comentou Miley indignada. – Então se ele não tivesse roubado seu projeto, você teria comandaria a empresa toda? – perguntou ainda atônita.
                Ele assentiu um pouco desanimado. – Mas não me arrependo do que fiz, Miley. Se eu tivesse escondido sobre o que eu soube, com certeza, eu não me sentiria bem comigo mesmo. Mas fica tranquila, porque eu vou tentar achar algumas provas contra ele e vou denunciá-lo. – Billy parou de falar e logo se deu conta com quem estava falando e balançou a cabeça negativamente. – Eu não poderia ter contado isso para você. Você é muito nova para ficar envolvida nesse tipo de coisa.
                -Não, pai. Você está certo em ter contado isso para mim. Eu tenho muito orgulho do senhor. Você fez a coisa certa. A vida dá voltas, não é? Você vai conseguir o que merece!
                Ele abriu um leve sorriso. – Obrigado, filha. – ele analisou a taça de sorvete vazio e logo mudou de assunto. – Vamos?
                -Vamos! – ela levantou igualmente ao Billy e foram embora logo depois de pagar conta no caixa.
                Os dois foram caminhando calmamente até a rua onde o carro se encontrava estacionado. Billy apalpou seus bolsos e deu falta de algo.
                -Miley, acho que esqueci a carteira lá na sorveteria. Você pode ir buscar lá pra mim enquanto eu vou ligando o carro?
                -Ok. – assim ela o fez, fazendo caminho contrário até a soverteria. Buscou a carteira que educadamente a caixa havia guardado, e voltou até o carro. No caminho, ela sentiu uma movimentação estranha.  Algumas vozes masculinas discutindo. Então ela dobrou a esquina e avistou seu pai discutindo com dois homens desconhecidos.
                -Eu não vou retirar o que disse! Pode mandar o recado para o Paul que eu ainda o vou tirar do comando e colocá-lo na cadeia! – Billy vociferou irado. Miley nunca havia o visto tão irritado. Era uma visão totalmente inédita e desagradável para ela. E quem são aqueles homens?, se perguntou Miley. – E na próxima vez, peçam para ele mesmo vir falar comigo, se ele é homem de verdade. Parece que ele está com medo de se resolver comigo e manda dois capangas que nem vocês, achando que vou me sentir acuado.
                -Você não sabe com quem está se metendo, Billy. – um deles se pronunciou. – Você tem uma ultima chance, desista de passar a perna no Paul ou vai se dar muito mal.
                Enquanto eles continuavam discutindo, e seu pai negando terminantemente se render, Miley viu um deles puxar uma arma por trás, do cós da sua calça. O medo foi tanto, que a garota nem mesmo conseguiu gritar ou até mesmo correr até lá, para evitar mais nenhuma confusão. Eles estavam armados. Estavam dispostos a feri-lo. Antes que ela pudesse ao menos se mexer, o homem puxou de vez o revolver e atirou três vezes contra o peito de Billy, que automaticamente, caiu no chão cimentado. Um deles pegou as chaves do carro que ainda estavam em uma das mãos do Billy e entrou no carro rapidamente.
                -Entra logo aqui, anda! – apressou o outro que procurava alguma coisa nos bolsos de Billy, mas não achou. Talvez seja a carteira que estava nas mãos de sua filha. Entrou no carro também, e logo, deram partida, deixando Billy sozinho jogado na calçada.
                Miley não conseguia crer no que acabou de assistir.  Seu pai, um homem tão honesto, bem-humorado e amoroso, alguém que ama a vida com intensidade, estava caído ensanguentado no chão, inerte. Era uma visão surreal demais. Sua boca estava aberta em descrença e seus olhos marejados piscavam insistentes em não acreditar no que via. Era seu pai!
                -Pai! – puxou todas as suas forças para gritar com a voz falha. Ele tem que estar vivo!
                Miley correu até o Billy e o abraçou. Ele não se mexia, e Miley não sentia mais o calor em seu corpo. Lágrimas corriam sobre seu rosto. Por que logo com ele?, ela se perguntava. Os soluços de desespero tomaram conta dela. Ele não pode morrer! Não agora, não tão cedo.  Um grito agudo de socorro arranhou sua garganta e ecoou por toda a rua. Miley se sentia sem chão, inconsolável. Todas as histórias que o bem vencia o mal eram uma mentira. Uma mentira cruel e esfarrapada.  Ela abraçou mais forte o corpo sem vida de Billy e chorou incansavelmente, esperando que toda essa cena horrível fosse apenas um pesadelo.
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                Sentadas na sala de espera, Miley e Tish esperavam para ser atendidas e dar parte na delegacia. Miley ainda se encontrava com olhar distante e triste. Ela queria que tudo se resolvesse, mas sabia que seu pai não voltaria mais. Não desistiria em fazer o Paul pagar pelo que fez. Ela ouviu muito bem a discussão entre Billy e os bandidos. Sabe que foi o Paul que mandou eles para matá-lo. Seu pai era uma ameaça para Paul. Ver Paul por trás das grades era tudo o que a Miley queria agora.
                Ela sentiu uma lágrima teimosa ainda rolar sobre sua bochecha e deitou a cabeça no ombro da mãe, procurando por um conforto. Tish a abraçou de lado carinhosamente. Miley havia contado tudo o que sabia para ela. Ela ficou igualmente indignada, mas não havia alguém mais abalado do que sua filha. Ás vezes Miley se culpava por não conseguir fazer nada enquanto assistia tudo o que ocorreu. Talvez se ela estivesse chegado antes, ou chamado a atenção dos três para interromper aquela confusão. Talvez alguma outra ação dela poderia ter evitado o que aconteceu.
                Alguns policiais saíram da sala do delegado, fazendo Miley acordar de seus devaneios. Eles chamaram as duas para dentro da sala para finalmente depor. E assim que as duas se sentaram de frente para mesa do delegado, o xerife Holmes, um conhecido policial da cidade, entrou também e sentou-se de frente para as duas.
                -No que eu posso ajudar? – perguntou ele extremamente calmo revezando o olhar entre Miley e Tish.
                -Quero fazer uma denuncia de um assassinato. E de um roubo, também. – falou Miley.
                O xerife apoiou os seus braços sobre a mesa, ligeiramente interessado no depoimento da garota.
                -Então, prossiga. – ele disse.
                Ela contou tudo o que sabia, tudo o que presenciou e tudo o que ouviu tanto do seu pai, quanto dos bandidos. A sua voz falhava entre algumas frases, não querendo lembrar a cena horrível daquele dia. Porém, era necessário lembrar cada detalhe para poder dar o Paul o que ele merece.
                -Minha querida, não podemos prender esse tal de Paul Jonas se você não tem uma prova concreta que ele que mandou esses homens, muito menos se ele tentou mesmo roubar essa empresa antes de conseguir o comando. – respondeu o xerife estranhamente calmo, o que deixava Miley cada vez mais nervosa. 
                -Como não tem prova concreta? – pronunciou Tish. – Ela ouviu a briga entre os bandidos e o meu marido! Eles falaram sobre Paul essa confusão sobre o dinheiro da empresa em que eles trabalhavam.
                -Ela só pode dar depoimento contra o que ela viu. A senhora nunca parou para pensar que essa conversa pode ter sido forjada? Talvez eles sejam contratados para incriminar o Paul. Nós temos que investigar esse caso com cuidado. Há muita coisa além de um simples assassinato. – falou ele.
                -Simples assassinato? – Miley repetiu a frase com indignação. – Um “simples assassinato” acabou com a vida do meu pai! Não tem mais nada para investigar. – ela aumentava o tom de voz, perdendo a paciência com a calma e o descaso do xerife. – Está na cara! Qualquer um que ouvir essa história vai ter certeza que quem foi o mandante disso tudo foi o Paul. Além do mais, se ele mandou matar meu pai, é porque meu pai sabia coisas demais sobre ele. Não tem nada de complicado nisso. Não existe mais nenhum suspeito.
                -Senhorita Cyrus, - ele disse ainda tranquilo. – Não podemos colocar alguém na cadeia simplesmente porque a senhorita acha que é o culpado. Nada é assim tão simples. Algumas testemunhas do local disseram que levaram o carro da vítima também, é verdade?
                Ela assentiu. – É.
                -Já parou para pensar que foi apenas um roubo de carro seguido de um assassinato? Isso é muito comum.
                -Você quer que eu repita que eu ouvi toda a conversa deles? O Paul está envolvido nisso! – Miley vociferou levantando-se da cadeira, não aguentando mais toda essa palhaçada. – Qual é o seu problema?
                -Espera aí. Cadê o escrivão? Ele deveria estar aqui registrando tudo o que a Miley falou! – Tish disse quando olhou para trás apenas encontrou dois policias ao lado da porta e mesa do escrivão vazia.
                -Ele... Adoeceu. Não pode estar aqui.
                -Então deveria ter outro! Que tipo de policial é você? Parece até que está evitando de investigar direito nosso caso.
                 -Eu sou o xerife. Eu sei o que o deve e o que não deve fazer. Eu que mando aqui. – ele respondeu cortante. – Vocês não podem vir aqui me ensinando como eu devo trabalhar.
                Demorou um pouco para ligar os pontos. Mas logo uma faísca surgiu na mente da Miley que logo fez tudo ficar mais claro. Ele está fazendo isso de propósito, pensou Miley. Nenhum policial poderia trabalhar com tanto descaso desse jeito e indo totalmente contra as palavras de uma testemunha como ele está fazendo.
                -Imprestável. – pronunciou a garota. Todos direcionaram o olhar para ela, incrédulos com a sua ousadia. – Será que você não pode tomar vergonha na cara e fazer seu trabalho direito?
                -Como é que é? – perguntou o xerife totalmente descrente com as palavras da garota a sua frente. – Só porque você é menor de idade, não quer dizer que você não esteja errada em falar desse jeito com uma autoridade. – ele disse quase a fuzilando com o olhar.
                -E só porque você é o xerife daqui, não quer dizer que você não esteja errado em acobertar o Paul por dinheiro, seu desgraçado! – A raiva e o ódio apenas cresciam ainda mais no peito de Miley. Ela não suportava mais viver de um jeito tão injusto. Será que nem a dignidade da memória do seu pai haverá?
                -Saia já da minha sala, garota! – ele gritou apontando o dedo indicador para a porta. Aquela adolescente irritante já estava abusando da sua paciência. – Agora mesmo, antes que eu mande meus homens te tirarem daqui à força!
                Ela encarou no fundo dos olhos no homem, agora não tão mais calmo assim. O olhar que aqueles olhos azuis transmitiam dizia que isso ainda não acabou. Ele sabia que a garota não desistiria tão fácil assim. Ela fechou seus punhos fortemente e repirou profundamente, se contendo para não avançar nele. Por mais que ele pudesse negar ou fingir, ela sabia que aquelas palavras só o atingiram porque eram verdadeiras. Ela deu as costas e saiu da sala acompanhada pelos policias.
                Tish também se levantou da cadeira e deu meia volta para seguir o mesmo caminho que a filha, mas uma mão apoiou-se sobre o seu ombro, a interrompendo.
                -Senhora Cyrus. – o xerife Holmes a chamou um pouco menos nervoso. Ela virou-se para o policial e cruzou os braços esperando impacientemente o que ele tinha a dizer. Ela também estava nervosa, muito. Ela sabia que tudo o que sua filha falou era verdade, e também queria Paul Jonas na cadeia mais cedo possível. Porém, parcialmente, o policial está certo. Nada é tão simples assim. Por mais que ela desejasse ao contrário, toda essa coisa de denuncias e condenações é algo muito complicado. – Me desculpe pelo o que aconteceu. E se pareci ofensivo, não foi a minha intenção. Mas ás vezes não dá pra controlar. Eu sei que sua filha está muito abalada com a morte do pai, mas não dá para me controlar quando sou acusado de corrupção. Eu só estou fazendo o meu trabalho. A senhora sabe que é complicado. Nós vamos investigar melhor o caso. Só peço para que não espalhe que o Paul é o principal suspeito, segundo a sua filha. Para o bem e a segurança da sua família. Sabe como é, nunca é bom se expor muito. – Tish assentiu diante do comentário. A segurança dos seus filhos era tudo o que ela quer preservar agora. - Vamos procurar por câmeras de segurança e outras testemunhas. Quando tudo estiver resolvido, eu ligarei para senhora, tá bom?
                -Só espero que façam isso o mais rápido possível. Miley não é a única que quer ver o Paul por trás das grades. – a respondeu indiferente para o policial e logo depois o dando as costas.
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                Ela olhou mais uma vez em volta, para se certificar que não tinha ninguém por perto. Mesmo na escuridão da noite, ela tinha certeza que não havia ninguém a olhando. Então pulou a cerca branca do quintal bem cuidado e correu até a grande casa.
                Bom, só pra recapitular, depois de alguns dias de “investigação”, a Tish recebeu uma ligação do xerife Holmes. Eles haviam encontrado os bandidos. Miley reconheceu os dois, mas por incrível que pareça, eles negaram a tal conversa. Os bandidos confessaram que foi uma tentativa de roubo e que não havia nenhum objetivo pessoal com o Billy e muito menos conheciam Paul Jonas. Miley não se conformou com todo esse mistério e acobertamento. Ela tinha certeza do que tinha ouvido e vai provar isso para todos. Ela sabe que o xerife está envolvido nisso. Depois dessa estranha e suspeita investigação, Miley conseguiu ouvir escondida uma conversa dele com um “Sr. Jonas”. Ela precisa tirar isso a limpo. As pessoas terão que acreditar nela. Havia pessoas até especulando que ela havia ouvido coisas, que não estava bem. Dizendo que o choque da morte de seu pai a fez imaginar coisas que não havia acontecido. Para ela, essa história já está mais do que absurda.
                Então escondida, Miley fugiu de casa a noite e foi até a casa do Sr. Holmes. Ela conseguiu uma escuta com a ajuda de um amigo nerd do colégio. Ele achou que ela já estava exagerando, mesmo assim, aceitou a ajudar. Nessa noite, ela vai fazer o xerife admitir e vai conseguir incriminá-lo com a suas provas concretas.
                Miley pegou uma lanterna para poder enxergar com mais clareza a janela e viu que estava aberta e que não havia nenhum obstáculo no interior da casa. Miley deu um impulso e pulou para dentro da sala. Não havia ninguém ali. A luz da lanterna percorreu todo o cômodo.  Ela avistou um celular sobre a mesinha de centro da sala e o pegou. Provavelmente era do xerife. Miley verificou as ultimas chamadas. Várias ligações para um número nomeado “Paul”. E ainda a achavam louca! Miley xingou baixinho, praguejando o empresário por ser tão esperto em comprar o xerife da cidade. Ela teve que confessar que foi uma jogada de mestre. Ninguém poderia ir contra a palavra de um xerife, muito menos uma garota de dezesseis anos emocionalmente abalada. Ela guardou o celular dentro do bolso de sua calça e continuou procurando por mais provas. Mas a sua procura foi interrompida quando as luzes da sala se acenderam. Holmes se encontrava perto da escada vestindo uma calça de moletom e uma regata branca. Seus olhos levemente inchados denunciavam que tinha acabado de acordar, mas isso não escondida a raiva que seu rosto demonstrava.
                -Sinceramente, não achei que você tinha chegado a esse ponto. – ele cruzou os braços a encarando.
                Miley sabia que uma hora outra, ele se perceberia sua presença ali. Por isso ela veio com uma escuta. Mesmo assim, aquele olhar furioso sobre ela a dava medo. Ele é um policial, por mais que seja corrupto, ele não poderia fazer nada contra ela, não é mesmo? Ela tentou disfarçar seus dedos trêmulos fechando-os fortemente.
                -Eu ainda não desisti. – ela disse tentando soar mais firme possível. – Você não me engana. Sei que Paul te pagou alguma coisa. Confessa logo!
                -Olha Miley, você já está passando dos limites. – ele advertiu caminhando em direção a ela. A cada passo que Holmes se aproximava dela, Miley recuava um. – Eu fiz o que pude. Prendi os responsáveis pelo terrível incidente com o seu pai. Chega te tentar incriminar mais pessoas. Isso não vai fazer bem para você. – ele disse com um sorriso sarcástico, entregando que suas palavras são falsas. Então, ele deu falta de algum objeto que deveria estar em cima da mesinha.  – Você pegou meu celular.
                -Eu não! – ela respondeu.
                -Isso não foi uma pergunta. Eu sei que você pegou. Me devolva. – ele estendeu a mão para ela.
                 -Por que? Tem medo que saibam sobre as suas ligações com o Paul? – ela perguntou com um sorriso vitorioso.
                -Miley, eu já te falei que não há nenhum Paul Jonas no caso de seu pai. Eu preciso do meu celular. Ele tem informações importantes do meu trabalho! – ele começou a vociferar mais, perdendo a paciência com Miley. Ela ainda recuava alguns passos, fazendo questão de manter certa distancia do xerife.
                -Por que você não admite logo? – Miley levantou a voz.
                -Porque eu não sou idiota em admitir isso sabendo que você tem uma escuta. Você pensa que eu nasci ontem, é? – ele gritou irado.
                Miley percebeu que a partir de agora, ela teria que sair dali o mais rápido possível. Ela não perdeu tempo e correu até a porta de entrada. Obviamente estava trancada. Ela tentou correr em direção até a janela, mas os braços grandes do xerife conseguiram a agarrar a tempo. Miley sentiu seu coração bater freneticamente contra o seu peito, em alerta. Ela sabia que iria se dar mal.
                -Me solta! – ela gritava enquanto se debatia contra os braços de Holmes. – Me deixa em paz!
                -Onde está a escuta? – ele gritava também, se igualando ao tom de voz da garota. Ele a apertava mais forte cada vez que ela tentava se soltar. Miley não o respondeu, apenas continuou tentando lutar contra o corpo grade, em relação ao seu delicado corpo. – Me diga logo onde está a escuta – ele continuou gritando. A jogou brutalmente no sofá. Instintivamente, Miley se encolheu, em defesa diante da visão de um homem irado a sua frente. – antes que eu seja obrigado a arrancar toda a sua roupa para achá-lo. Você não vai querer isso, não é? – ele abaixou o seu tom de voz, mas ainda mantendo-a firme.
                Ainda assustada, Miley balançou a cabeça em negação. – Está no meu casaco. – ela disse se levantando para tirar o agasalho. – Aqui por dentro num bolso secreto.
                Holmes a ajudou a tirar o casaco. Miley aproveitou que o homem estava distraído procurando a escuta em seu casaco e correu até a cozinha, em busca da porta dos fundos. Ele  rapidamente correu até lá. Novamente, a porta estava trancada. Antes que ela fosse pega de novo, ela correu até as gavetas e tirou de lá uma faca de cozinha. Ela estendeu a faca em direção ao xerife. Ele levantou as mãos em rendição.
                -Você não faria isso comigo. Você não seria louca o suficiente de me atacar com essa faca. – ele disse confiante.
                -Por que você acha que não? – ela pergunta ainda a apontando o obejeto cortante para Holmes.
                -Você é muito inocente. Não teria coragem de fazer mal a uma mosca. – ele dizia se aproximando dela. – Agora deixa essa faca em cima da pia.
                -Não. Só se você me deixar ir embora com a minha escuta.
                -Eu nunca deixaria isso. Agora larga isso. – ele tomou coragem a avançou agilmente sobre a Miley. Mas conseguiu ser rápida o suficiente para fazer um corte superficial no braço do homem. Ele gritou de dor.
                -Sai de perto de mim! – ela gritou recuando ainda com a faca em suas mãos.
                Ele correu até ela e finalmente conseguiu arrancar a faca de sua mão. Mesmo com sangue escorrendo de seu corte não muito profundo, ele a carregou a força até o banheiro. Ela o arranhava e o batia em protesto pedindo para ser solta, porém em nenhum momento se arrependendo do que fez. Xerife Holmes pegou a chave do banheiro e a trancou lá dentro.
                -Me deixar sair! – ela gritava do lado de dentro batendo na porta. – Você acha que me trancando aqui vai mudar alguma coisa? Agora que você confirmou tudo, eu vou fazer da sua vida um inferno até você se entregar! – Miley berrava o máximo que podia.
                -E você acha que eu só vou te deixar presa aí? – ele respondeu do corredor enrolando a sua camisa no corte em seu braço. – Você nunca ouviu falar que quem brinca com fogo se queima?  - ele perguntou com um sorrisinho. – Você pode ser esperta, garota. Mas não mais do que eu.
                -O que você vai fazer? – perguntou Miley.
                Holmes não respondeu. Apenas pegou o seu celular e discou rapidamente um número já conhecido. Esperou por alguns segundos até ser atendido.
                -O que foi? – uma voz entediada soou do outro lado da linha.
                -A garota descobriu. – ele suspirou. – Você sabe que ela já estava desconfiada. A vadiazinha veio até aqui em casa, viu as suas ligações no meu celular e ainda trouxe uma escuta para cá. Ela tentou até fugir e me cortar com uma faca, mas consegui pegá-la e trancar dentro do banheiro. E agora? O que eu faço com ela? – ele perguntou nervoso.
Miley escutou tudo o que o xerife disse de dentro do banheiro. Ela sentiu um aperto em seu peito. Um homem que foi capaz de mandar matar seu próprio pai seria capaz de mandar fazer o que com ela? 
-Não acredito que essa garota fez isso! – Paul exclamou nervoso. – Que atrevida...  Mas não acho que você deve matá-la. Seria suspeito demais. Acho que devemos dar um tratamento de choque. Um susto, para ela saber com quem está lidando. Assim ela fica quieta de uma vez e que sirva de exemplo para mãe e para os irmãos.
-E o que você tem na cabeça? – Holmes perguntou.
-Algo que não há como te culpar. Nem me culpar... – Paul refletia do outro lado do telefone. – Algo que fizesse todo mundo acreditar que o que ela diz é uma mentira, coisas de sua imaginação. Ligue para o manicômio.
-Bem pensado, Jonas. – o xerife sorriu com a brilhante ideia. – Realmente vai ser um tratamento de choque, literalmente! – os dois riram com o trocadilho. – Ainda bem que minha esposa está viajando a trabalho. Imagina se ela encontra essa doida invadindo a nossa casa?
-É... Você teve sorte. Ainda mais por conseguir pegá-la há essa hora. Agora não nos deixe mais dependendo da sorte. Faça o seu trabalho direito! 
-Ok, deixa comigo. – ele desligou o telefone.
Miley escutou aflita o homem conversar no telefone. Milhares de possibilidades se passaram pela sua mente do que ele faria com ela. Torturas, os mais frios assassinatos, até apelação emocional usando um dos seus irmãos ou a sua mãe. Ela poderia esperar qualquer coisa a partir de agora.
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                Ela esperneava, gritava por socorro, tentava se debater contra os braços fortes de um enfermeiro, mas ninguém a acudia. Para Miley, essa era a pior sensação do mundo. Ela suplicava por ajuda, mas era como se ninguém a pudesse ouvir. Como se ela fosse nada. Nada além de uma pobre garota insana. Mais lágrimas banhavam seu rosto. Toda a rua acordou e a assistia ser trancada em uma ambulância de loucos.
                -Eu não sou louca! – Miley gritava chorando, enquanto ainda tentava se esquivar dos braços do enfermeiro. – Por favor... Não deixem me levar. – ela implorava para um casal que morava em frente ao xerife e estavam parado a assistindo toda essa cena do quintal.
                -Vai ser o melhor para você, querida. - a mulher falou com o coração apertado.
                -Desculpe, Miley. Mas foi preciso fazer isso. Para o seu próprio bem. – Holmes falou sinicamente enquanto o outro enfermeiro se oferecia gentilmente em fazer um curativo em seu corte.
                -Seu filho da - Miley foi interrompida pelo enfermeiro quando a colocou dentro da ambulância e fechou a porta, a trancando dentro do veículo.
                Dois minutos depois, a ambulância deu partida, correndo a toda velocidade e sinalizando com uma estridente sirene a sua passagem.
                -A coitadinha assistiu todo o assassinato do pai. Acho que isso a afetou muito. – contava fingidamente o xerife a história de Miley para a vizinha preocupada. – Ela disse que ouviu uma conversa estranha e cismou que um antigo colega de trabalho do pai foi mandante do crime. Eu mesmo investiguei o caso, e não era nada disso. Ela não se conformou e invadiu minha casa e até me atacou com uma faca de cozinha. Acho que ela até teve algumas alucinações aqui em casa, dizendo que eu estava conversando com o tal suspeito. Ela ainda está muito abalada. É de partir o coração.
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                Dois meses depois...
                Steve dirigia rapidamente até a casa de sua cunhada ainda atordoado. Faz poucos dias que descobriu que seu irmão mais velho foi assassinado. Ele estava em Califórnia resolvendo coisas com uma gangue. Estava tão ocupado e preocupado que nem se deu conta do telegrama e dos vários e-mails da Tish. Primeiramente ele pensou que fosse uma brincadeira, mas logo se deu conta que isso nunca se brinca. Ele apenas sabe uma parte da história, de um resumo confuso que Tish o mandou por e-mail. Que ele teve sérios problemas no trabalho semanas antes do crime, que foi assassinado na frente da Miley e que a sua sobrinha foi internada num hospital psiquiátrico. Ele ainda não acreditava não tinha descoberto, e muito menos entendia.
                Steve sempre foi a ovelha negra da família. Sempre metido em más companhias e gangues. A vergonha dos Cyrus. Mas Billy era o único que não o tinha abandonado. Sempre convidava para ir visitá-lo para passar um feriado e ver seus filhos como estão crescidos. Típico do Billy! Por mais que aprontasse, seu irmão sempre o amaria. É lógico que ele não se orgulhava do que Steve fazia, mas não tinha coragem de repudiá-lo e esquecê-lo, como se ele nunca fosse o seu irmão. Quem imaginaria que um homem como Billy seria tão friamente morto?
                Ele estacionou o carro rapidamente em frente à casa dos Cyrus e andou até a porta. Tocou a campainha apenas uma vez. Tish atendeu a porta e puxou seus lábios em um pequeno sorriso ao vê-lo, mas seus olhos ainda denunciavam que não havia nenhum motivo para sorrir. Ele abraçou calorosamente a sua cunhada, compartilhando a mesma dor do que a mulher.
                -Me desculpe não ter vindo esse tempo todo... Eu só tinha visto o seu telegrama há poucos dias. – ele disse quando se afastaram.
                -Eu entendo. Sem problemas. – ela respondeu. Tish deu um passo para trás dando passagem para Steve. – Entra. – e assim ele fez.
                Os dois se sentaram no sofá da sala de estar. Tish contou toda a história, detalhe por detalhe. Steve tinha o direito de pelo menos saber o que aconteceu com seu irmão. Ele não se conformou, como todos da família.
                -Só os mais íntimos sabem disso. Não posso espalhar essa história para todo mundo. Isso poderia botar a minha segurança e a dos meus filhos em jogo. Você sabe disso. Depois do que aconteceu com a minha Miles, eu não quero arriscar mais nada.
                Miles. A sua sobrinha tão querida. Seu coração se apertou ao lembrar dela.
                -Como ela está? – ele perguntou hesitante.
                -Ela levou alta há uma semana. Ela não está nada bem. – Tish comentou com uma voz falha e olhos marejados. Ela deu uma pausa e inspirou profundamente para evitar chorar de novo. – Eu sinto que a Miles que a gente conhecia foi embora junto com o Billy. Depois que ela voltou, não é mais a mesma. Sempre com um olhar distante, quase não fala mais com a gente... Aqueles desgraçados acabaram com a minha filha. – não aguentando mais segurar as insistentes lágrimas, Tish abaixou a cabeça e começou a chorar baixinho. Steve ainda atônito com toda essa louca história, a abraçou novamente. – Me desculpa. – Tish murmurou se afastando de Steve enquanto secava suas lágrimas.
                -Você não tem que se desculpar, Tish. – ele disse compreensivo. – Onde está a Miley? Eu quero conversar com ela.
                -Eu não sei. Ela saiu sem avisar. Talvez ela esteja visitando o túmulo de Billy. A maioria das vezes em que ela sai, é para lá. Também acho que você deve conversar com ela. Talvez você consiga a distrair mais um pouquinho. – ela abriu um pequeno sorriso.
                -Ta bom. Vou atrás dela agora. – ele se levantou do sofá. – Vou ficar na cidade por uns três dias. Se precisar de alguma coisa é só ligar, ok? – ele disse saindo da casa.
                Ela balançou a cabeça em afirmação enquanto abria a porta para a sua visita.
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Abraçando seus joelhos, Miley observava o vento carregar algumas folhas secas das árvores. Sentada sobre o túmulo de seu pai, ela apenas olhava o lugar quieto ao redor. Esse era o único lugar em que ela conseguia se sentir confortável. Ela sente que esse lugar é o único em que a pudesse acolher bem com seu silêncio permanente. Talvez ela sinta que uma parte da presença de seu pai ainda pairasse por ali. Então ela decidiu ir a esse lugar mais vezes, para pensar ou até mesmo para desabafar sozinha, ou com a tal presença de seu pai.
Ela não derramava mais nenhuma lágrima desde que chegou em casa. Seus olhos já estão cansados demais de chorar. Eles já derramaram muitas lágrimas desde a morte de Billy. E seu coração estava cansado demais para sentir. Tantos sentimentos ruins que a atormentaram ultimamente, que a única coisa que ela ainda faz questão de sentir é o ódio.
                Miley desistiu ir atrás de justiça. Já passou por humilhações demais para suportar mais alguma coisa. Todos ainda a olhavam estranho ou com pena, a vendo como uma garota problemática. Talvez até a própria mãe esteja começando a ver assim. Eles conseguiram o que queriam. Paul se vingou de meu pai e ainda saiu impune, conseguindo fazer todos se virarem contra ela, a única que teve coragem de enfrentá-lo.
                -Miles? – ela ouviu uma voz familiar ecoar no silencioso lugar. Miley olhou para trás e avistou seu tio Steve, caminhando até ela.
                -Oi, tio Steve. – ela cumprimentou friamente, apenas por educação.
                Ele sentou-se ao lado dela. E a analisou por um tempo. – Você já é praticamente uma mulher. Confesso que imaginei encontrar com uma garota baixinha e magrinha usando trancinhas nas laterais do cabelo. – ele comentou tentando quebrar o gelo, esperando pelo menos um sorriso.
                -É... Faz um tempo que a gente não se vê, não é?  - ela comentou séria.
                -Desculpa aparecer só agora. Eu soube há pouco tempo... Talvez se eu tivesse chegado meses antes, eu poderia ter te ajudado.
                -Ou talvez não.
                -Olha Miley, eu sei que eu não tenho muita moral para falar disso, mas eles ainda vão receber o que merecem de qualquer jeito.
                -Você acredita mesmo em mim? – perguntou levada pela curiosidade.
                -Claro que acredito! Eu sei muito bem do que esse tipo de gente é capaz. – ele disse convicto. – Essa história está muito estranha para ser só uma tentativa de roubo. Eu também não me conformo.
                De repente uma ideia brilhante a veio em mente. Ela olhou de uma forma mais diferente, talvez esperançosa.
                -Tio, se você pudesse de vingar de algum jeito, você faria? – perguntou.
                -Faria. Se eu tivesse algum jeito, sim. – ele respondeu automaticamente.
                -Eu já sabia. Sei o que você faz. – ela falou. – Você vive metido em gangues, não é?
                -Miley, isso não vem ao caso agora... – ele disse um pouco cauteloso.
                -Eu não estou te julgando, foi só uma pergunta.
                - É, esse tipo de coisa. – ele assentiu.
                -Você aceitaria trabalhar comigo? Me ajudar a acabar com a raça do Paul? – ela perguntou com um brilho nos olhos.
                -O que? – ele perguntou incrédulo. Será que sua sobrinha enlouqueceu mesmo de vez? Como ela pode querer trabalhar com esse tipo de coisa. – Olha Miles, isso não é uma coisa pra ser orgulhar. O que eu faço não é certo.
                -E daí? Já cansei de ser certa, de tentar concertar as coisas de forma justa. Olha o que me aconteceu. – ela falava firme. – Não existe “o bem vence o mal”. O mais forte consegue tudo. E eu quero ser a mais forte. – ela disse demonstrando toda a raiva que guardava no peito.
                -Miley, isso...
                -Não venha me dar lição de moral, falando que vingança não leva a nada. Eu sei que você lá no fundo também quer isso! – ela levantou a voz cortando a fala de seu tio. – Eu estou disposta a fazer qualquer coisa para conseguir me vingar do Paul. Podem levar dias, meses ou até anos, desde que eu consiga acabar com ele.
                Depois de muita insistência, Steve aceitou a proposta. Eles teriam que fazer vários golpes para conseguir experiência e dinheiro, para conseguirem fazer uma jogada de mestre contra o Paul Jonas. Inicialmente, Steve achou loucura levar sua sobrinha de dezesseis anos para entrar no mundo do crime. Mas sua sede de vingança e ganância gritavam mais alto do que sua consciência. Dois dias depois ela iria embora e começaria todos os seus planos com Steve.
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                Miley pegou sua pequena mala, que levava apenas o essencial. E desceu as escadas silenciosamente para ninguém escutar. Eram três horas da manhã. Era o melhor horário para ir embora. Assim ninguém saberia, não haveria despedidas, não haveria escândalos de mãe, não haveria drama. Pegou a carta que tinha acabado de escrever do bolso e deixou em cima da mesa. Ela precisava dar uma explicação a sua mãe. Ela sabe que Tish ficaria desesperada, mas tentou não pensar nisso. Ela vai ficar bem, pensou Miley se livrando da culpa. Deu a sua mala para Steve que rapidamente a guardou no porta-malas. Entrou no carro e esperou seu tio dar a partida.
                Carta:
                “Mãe,
Essa carta eu escrevi para te avisar que eu decidi ir embora com tio Steve. Desculpa se eu saí desse jeito, sem avisar ninguém. Mas sei que você não aceitaria de jeito nenhum eu começar uma vida nova com um tio que é criminoso. Pode parecer loucura, mas nada é mais louco do que tudo que passamos nesses meses.
E se você estiver se perguntando se eu fui embora para me vingar do Paul, a resposta é sim. Ainda vou resolver tudo isso. Custe o que custar. Acho que não suportaria mais ficar aqui em Nashville sendo taxada como uma doida. Ainda mais sobre a vigilância de xerife Holmes. Eu preciso vingar não só o papai, mas a mim mesma. Por tudo que eles me fizeram passar. Acredite, ir embora vai ser o melhor para mim.
Por favor, não procure por mim. Ninguém deve saber que fui embora com tio Steve por causa de um acerto de contas. Se perguntarem por mim, diga que me internou numa clínica melhor, e que eu ficarei lá por tempo indeterminado. Com certeza todo mundo acreditaria nisso.
Você sabe muito bom que ir atrás de mim não vai mudar nada. Eu continuaria com o mesmo pensamento e tentaria fugir de novo. Eu vou ficar bem. Quando puder eu te mando algumas cartas ou e-mails.
Te amo,
                Miles”