domingo, 11 de outubro de 2015

2ª temporada - Capítulo 11: Forgive me

Nicholas Narrando

                O Bruno? Aquilo não estava parecendo real. Por qual motivo o Bruno teria para dopar a Miley daquele jeito e planejar toda aquela confusão com o celular dela... Até a perseguição! Logo o meu colega de turma?

                -Espera aí, você está dizendo que aquele cara que estuda junto com o Nick que me dopou? – perguntou Miley desacreditada. –Mas por quê ela faria isso?

                Francesco balançou a cabeça com uma expressão desanimada. – Eu não faço ideia... Quando estávamos no bar naquele dia, eu estava um pouco alto e por não estar sóbrio, eu não desconfiei que alguma coisa estranha estava acontecendo. Só depois que eu vi o Nick meio esquisito na faculdade e as minhas lembranças começarem a fazer sentido que eu entendi o que estava acontecendo. Vi claramente o Bruno misturando a bebida da Miley com um líquido enquanto ela não estava vendo. E logo depois ela ficou esquisita, meia lenta demais. E vi o Bruno a levando pro lado de fora, dizendo que ela queria vomitar... Depois os dois não voltaram.

                -Você não ouviu nenhum comentário suspeito vindo dele? – eu perguntei.

                -Não. Isso é tudo o que eu sei.

                Eu troquei olhares preocupados com a Miley. Essa história está cada vez mais estranha.

                -Tudo bem. – suspirei pesadamente. – Obrigado por contar pra gente.

                -Por favor, não falem pra ninguém que fui eu que contei para vocês. Eu não quero me encrencar. – ele pediu nervoso. Eu assenti com a cabeça em concordância.

                -Nós não vamos envolver você nisso, Francesco. – Miley falou por nós dois. – Fica tranquilo.

                A visita foi bem rápida.  Não tinha muito o que conversar depois de receber uma notícia dessas. Agradecemos mais uma vez ao meu colega, e certificamos que ninguém vai saber que foi ele quem descobriu tudo. Poucos minutos depois ele foi embora novamente. Fechei a porta e encarei os rostos confusos da Miley, do Joe e do Brian.

                -Qual é a desse cara? Você sabe alguma coisa sobre esse tal de Bruno? – Miley perguntou de braços cruzados.

                Queria dizer que não, que ele sempre foi um cara normal acima de qualquer suspeita. Mas a realidade não era essa.

                -Esse cara não é legal de se envolver. – eu respondi. – Eu não posso dizer que ele é uma pessoa má, porque nunca tive muita convivência com ele, mas...

                -Mas...?

                -Eu sei que ele está envolvido com drogas. Ele que é o fornecedor lá da faculdade.

                Miley adotou um semblante mais sério ainda. –Nick, já pensou que esse cara só está fazendo isso tudo para ganhar dinheiro às suas custas?

                Eu suspirei pesadamente. – Eu não sei, pode ser... Saber que foi ele só me deixou ainda mais confuso. Quer dizer, como é que ele foi saber que você tem problemas com a polícia?

                Ouvi a voz do meu irmão mais velho pronunciar. – Ele convivendo diariamente com você deve ter o facilitado ainda mais a saber sobre a sua vida. E se ele é envolvido com o tráfico...

                -Ele pode estar envolvido com gente da pesada. Gente que não presta até o ultimo fio do cabelo. – Miley completou. – Não seria uma surpresa ele ser influenciado a tentar ganhar dinheiro fácil em um milionário que nem você.

                -Vocês têm razão. – eu balancei a cabeça, enquanto voltava a sentar no sofá. – Agora eu preciso tirar satisfações com esse cara.

                -Nós precisamos. – Miley corrigiu. – Eu vou junto com você.  Mas não podemos fazer isso com pressa.

                -Por que não?

                -Se ele realmente estiver nos vigiando, viu o Francesco nos visitar, e perceber que já sabemos sobre ele agora... O seu amigo vai se encrencar feio. Vamos dar um tempo, ver qual é o próximo passo dele. E depois, quando tivermos a chance, nós o encurralamos sozinho e tiramos a informação que queremos.

                -E damos um susto nele. – eu complementei pensativo. Esse filho da puta merece uma boa lição por tentar mexer com a gente.

                -Isso! – Miley concordou.

                Percebi o olhar reprovador do Joe depois do meu comentário. Com certeza ele deve estar pensando o quanto eu estou sendo influenciado pelo comportamento “violento” da Miley. Mas quer saber? Todo mundo muda. Eu me encontrei numa situação em que eu preciso aprender a me defender e a defender minha namorada, nem que seja de uma maneira não pacífica. Diante de criminosos, você precisa se mostrar forte para não ser ameaçado. E é isso que vamos fazer. Na hora certa.

                -Só de pensar que você estava desconfiada que a Selena estava envolvida nisso. – eu balancei a cabeça achando graça. – Ela não é capaz de fazer mal nem para um inseto. -Miley fechou a cara na mesma hora em que toquei no assunto.

                -O que? – O Joe riu. – Mas por qual motivo Selena faria isso?

                -Porque ela é uma sonsa, que nem o seu irmão. – Miley rebateu, se referindo a mim. – Se faz de santinho para depois botar as asinhas para fora. – ela respondeu, me fuzilando com olhar. Ah, sério mesmo que essa discussão ainda não acabou?

                -O que está acontecendo aqui? – Brian perguntou curioso, quebrando o seu silêncio enquanto estava apenas nos ouvindo até agora.

                -O seu amiguinho preferiu defender a amiga atirada dele, em vez de ficar ao meu lado. – Miley respondeu. Eu rolei os olhos e suspirei cansado com essa confusão.

                Joe se sentou no sofá de frente para nós, curioso para ouvir mais da nossa briga. Parece cada vez mais animado em saber mais.  –Eu faria o mesmo. – ele se meteu.

                -Cala a boca, Joseph! – eu o repreendi. A situação já não estava muito boa pro meu lado e ele ainda quis atiçar ainda mais! – Miles, você sabe que isso não é verdade.

                -Eu sei que você preferiu me empurrar, para me “proteger” – ela fez sinal de aspas com os dedos. – da polícia. E quando eu fui embora, você nem mesmo pensou em ir atrás de mim. Ficou lá, cuidando da coitadinha da Selena.

                -Ah, por favor! Não vai começar tudo de novo, né? Nós não acabamos de nos entender lá em cima?

                -Ninguém se entendeu lá em cima. Você só me beijou para tentar botar panos quentes em cima desse assunto.

                -Pelo visto, você estava odiando. – Joe ironizou. Droga, esse cara gosta de ver o circo pegar fogo! Miley lançou um olhar furioso para o meu irmão que fazia uma cara sarcasticamente inocente.  –Vai me dizer que não? Eu sei que o Nick tava em cima de você, mas eu vi muito bem que você tava concordando com aquela pegação toda.

                -Joe, não se mete na briga que é entre Miley e eu. – eu chamei sua atenção antes que a Miley o mandasse tomar no cu. Porque pela cara dela, era exatamente o que ela iria falar, senão coisa pior. – Desculpa, ok? – eu pedi.

                Eu vi o Brian cochichando alguma coisa para o meu irmão e contrariado, Joe se levantou do sofá acompanhado do meu amigo. Os dois subiram para o segundo andar logo depois. Brian deve ter me feito o favor de convencer o Joe a nos deixar a sós e nos resolver sozinhos. Pelo menos tem alguém diplomático e com bom senso nessa casa, né?

                -Não vai nesse papo do Joe que só porque eu correspondi aquele beijo que eu vou deixar isso passar, me ouviu? – Miley cruzou os braços.

                -Sinceramente, Miley. Deixa de ser infantil. Ficar disputando quem tem mais minha atenção agora não era uma coisa que eu esperava de você.

                -Ah, agora você acha isso ruim?- ela abriu um sorriso irônico. – Para quem estava se divertindo fazendo joguinhos de ciúmes comigo no bar, é de se surpreender que agora eu me tornei a infantil que começou com isso tudo.

                -E o que você quer que eu faça, Miley? Hein? Que eu peça desculpas a você? Eu já pedi! – eu comecei a aumentar o tom de voz. – Com tanta coisa para se preocupar agora, você fica dando importância a babaquice.

                -Babaquice, né? – ela repetiu e balançou a cabeça com um olhar reprovador me olhando de cima a baixo. – Você fica se comportando como a porra de um Dom Juan e eu que estou de babaquice.  – eu ia retrucar, mas ela não me deu tempo de falar. – E realmente, Nicholas. Eu estou cheia de coisa para me preocupar agora. Não vou perder minha paciência com você e a minhas babaquices.

                Eu suspirei pesado. Isso tem me deixado cansado. Eu só quero que tudo dê certo! Logo agora que mais precisamos nos unir, estamos brigados. Ela virou de costas para mim e subiu rapidamente as escadas.

                -Miley! Miley, espera. – eu a chamei, mas ela me ignorou e continuou o seu caminho até o quarto. 

                Tentei alcançá-la, mas ela foi mais rápida e entrou no quarto e fechou a porta na minha cara antes de trancá-la. Eu fiquei uns dois minutos batendo na porta, pedindo pra ela abrir a porta e conversar, até que a Miley abre a porta com uma pilha de tecidos e joga pra o meu colo. Eram algumas peças de roupa minhas. Ela jogou o travesseiro na minha cara também, que eu não consegui pegar e caiu no chão.

                -Mas o que é isso? – eu perguntei indignado.

                -Muita inocência sua achar que eu ia deixar você dormir comigo depois disso. – Miley respondeu. – Tenha uma boa noite. – e bateu a porta novamente e depois a trancou.

                Eu ia gritar que o quarto era meu, mas isso só ia a deixar ainda mais enfurecida. E do jeito que ela é, ela poderia até querer passar a noite fora de casa só por orgulho.

                Peguei minhas coisas do chão, soltando palavrões aleatórios entre resmungos e fui para o terceiro quarto de hospedes. Brian me viu passar pelo corredor, pelo seu quarto aberto, e foi atrás de mim. 

                -Nick? Ela te expulsou do quarto? – ele perguntou surpreso.

                Eu joguei meu travesseiro e as minhas roupas sobre a cama arrumada, enquanto balançava a cabeça afirmativamente. – Ela está mais puta comigo ainda. Tudo isso porque eu defendi a Selena.

                Brian se sentou na beirada da cama do meu lado. –É, eu ouvi vocês gritando sobre isso. – ele comentou. – Veja pelo lado bom, cara. Agora você está sendo disputado por duas gatas. – ele disse brincalhão enquanto me sacudia pelo braço. Eu ri da sua animação.

                -Eu to começando a me sentir culpado, cara. Acho que fiz besteira, mesmo. – confessei, lembrando a maneira que agi. –Mas eu não era minha intenção ficar provocando a Miley ou seja lá o que ela está pensando.

                -Ela ta chateada agora, mas ela também vai se tocar disso e vai perdoar você. Relaxa.

                -Espero que sim.

                Eu e Brian ficamos conversando até mais tarde. Fazia muito tempo que não conversamos desse jeito.  Ter meu melhor amigo por perto para poder desabafar simplesmente faz toda a diferença. Com o tempo, a Brian foi pro seu quarto dormir. Tomei um banho na suíte e coloquei a roupa de dormir que a Miley tinha jogado pra mim. Mesmo contrariado e sentindo falta do corpo da Miley do lado do meu, o sono chegou e dormi na cama de solteiro.


Joe Narrando


                Virei mais uma vez na cama, tentando arrumar um jeito de dormir, mas pelo jeito não vou conseguir tão cedo. Eu não consigo parar de pensar nesse caso da Demi e do tal Bruno. Esse tal colega do Nick poderia ser o cara que estava acompanhado da britânica lá no bar. Ainda mais que de acordo com o meu irmão, esse Bruno é metido com o tráfico e isso começou a se encaixar perfeitamente com o fato da Demi estar armada rondando por ali.  E se ela estiver com algum plano junto com esse cara pra conseguir arrancar dinheiro do meu irmão caçula?
    
    Droga! Eu e meu imã de mulheres-problemas!

                Fui burro em me deixar ser levado por algum tipo de desejo ou fetiche por um perigo ambulante que nem ela. A única coisa que me alivia é que aparentemente ela não sabia quem eu era. Se ela soubesse que sou o irmão do Nick e estiver mesmo envolvida com esse roubo do celular, ela não teria nem mesmo pensado em me dar os foras que me deu antes. Pelo menos, eu espero que não.

                Eu ouvi um barulho esquisito do primeiro andar da casa. Olhei o relógio pra me certificar que era tarde o suficiente para todo mundo já estar dormindo. Estranho, mas pelo barulho parece que tem alguém lá em baixo. Toda essa neura já está me deixando doido... Mas quer saber? Não estou com sono, mesmo.  Além disso, curiosidade está quase virando meu nome do meio. Ouvi novamente outro barulho, dessa vez mais alto. Parecia o som de coisas quebrando, como se alguém tivesse derrubado. Saí do quarto, com pressa em saber o que estava acontecendo.

                Logo vi a porta do outro quarto de hospedes sendo aberta pelo Nick. Parece que ele também ouviu o barulho. Pela sua cara ele tinha acabado ser acordado. Olhei ali de cima e vi a Miley caída no chão ao redor de alguns cacos que antes pareciam ser  um enfeite de cristal que estava em cima de uma mesinha que também estava jogada no chão, próxima ao sofá. De primeira, achei a visão meio confusa, mas depois percebi uma garrafa quase vazia de alguma bebida que eu não conseguia identificar. Um pouco do líquido também tinha derramado no chão por causa do possível tombo.

                -Não foi nada, não. Podem voltar a dormir. – Miley disse com uma voz arrastada quando percebeu nossa presença no andar de cima. Bêbada era pouco pra descrever o estado dela.  Estava, no mínimo, acabada. 

                -Merda. – Nick murmurou logo antes de descer as escadas rapidamente.  Ele acendeu a luz da sala e foi possível ver melhor o estrago que a sua namorada problemática fez.  Miley tentou levantar sozinha, mas meu irmão não deixou que ela fizesse. – Espera! Cuidado com os cacos de vidro. Está tudo bem com você? – ele a analisou por inteiro e percebeu um corte no seu braço. Nick puxou o braço dela para observar melhor o ferimento.

                -Só foi um machucadinho. Não precisa se preocupar. – ela disse meio enrolada. – Aliás, eu posso me virar sozinha. Volta a dormir, vai.

                -Eu não vou voltar a dormir sabendo que você está nesse estado. – ele insistiu. – Para de teimosia e deixa eu te ajudar. - Nick não esperou mais alguma reação da Miley e puxou pro seu colo, longe dos cacos de vidro que provavelmente a cortariam ainda mais, se ela “se virasse sozinha”.

                Eu desci as escadas para me aproximar e saber o que está realmente acontecendo. Por que a Miley encheu a cara até cair de bêbada há essa hora da noite? E por que o Nick está agindo com tanta familiaridade com isso, como se já tivesse acontecido outras vezes? Nick colocou a Miley no sofá, que já tinha notado a minha presença por perto.

                -O que você está fazendo aqui? – ela perguntou lentamente, mas mesmo assim com uma conotação nada gentil.

                -Eu estou aqui porque ouvi um barulho estranho vindo daqui de baixo. Agora eu quero saber o porquê disso.

                -Eu caí. Pronto, você já está sabendo. Pode dar o fora agora. –ela pode estar em péssimo estado, mas ainda está afiada nos seus foras.

                Eu encarei o meu irmão, esperando respostas, mas ele estava mais preocupado com a Miley nesse momento. Ele voltou o seu olhar para a víbora alcoolizada. Franziu a testa,  observando mais uma vez o machucado no braço da Miley que estava começando a sangrar e não parecia uma coisa muito pequena. Nick tirou a sua camisa e pressionou o tecido contra o corte para estancar com mais rapidez. – Continua pressionando assim. Eu vou pegar a caixa de primeiros socorros lá no banheiro. Não sai daí, ok? – ela balançou a cabeça e ele beijou a sua testa carinhosamente e se afastou.  –Joe. – ele olhou pra mim e fez um gesto para que eu o seguisse. Assim eu fiz.

                Eu o acompanhei até o banheiro do primeiro andar. Nick me esperou entrar para fechar a porta. Ele sabia que eu estava confuso e que ele deveria me explicar o que estava acontecendo.

                -Isso tudo foi só porque vocês brigaram? – perguntei, cruzando os braços.

                Ele balançou a cabeça negativamente. – Não. Não é a primeira vez que acontece e acho que não vai ser a última. A Miley... – ele demorava pra escolher as palavras. – ela... encontrou um jeito para tentar lidar com os traumas dela. Ela sofre com pesadelos de noite. –ele percebeu que eu continuei quieto o ouvindo e isso o encorajou a desabafar mais sobre isso. -Pesadelos sobre o passado dela, sobre todo o sofrimento que ela passou em Nashville.   Às vezes também é sobre a culpa de tudo que ela fez. É como se o subconsciente dela concentrasse toda a culpa que ela sente para os pesadelos.  Ela já passava por isso antes de me conhecer. Quando a gente passou a morar juntos, no começo, ela não gostava de falar comigo sobre isso. Ela fingia que era nada e tentava mudar de assunto. Mas era impossível deixar isso para lá ou achar que não era nada demais! Era muito frequente, era quase todo dia! Eu fui insistindo e com o tempo ela foi se abrindo comigo, contando sobre o que era os pesadelos. Eu passei a ajudar nisso, do meu jeito. Ela melhorou muito de uns tempos pra cá, mas ela ainda tem. Eu já disse que eu pagaria o melhor terapeuta para ajudar pra valer nisso, mas ela não quer. Ela tem medo que se descobrirem a verdade, quem ela é, vai tudo por água abaixo.

                -Então toda vez que ela tem um pesadelo, ela bebe?

                -A maioria das vezes, sim. Ela bebe pra tentar tirar a tensão ou só pra esquecer e voltar a dormir. – ele respondeu triste. – Se eu estivesse lá com ela. Se eu estivesse perto dela hoje, talvez ela não teria descido pra beber. Ela não teria se machucado.

                -Nicholas, não é culpa sua. – eu disse o segurando pelos ombros. – Você não tem responsabilidade nenhuma com o que aconteceu com ela hoje.   

                -É culpa do nosso pai. – ele respondeu baixo. –Por todas as vezes que isso já aconteceu. Por tudo de ruim que aconteceu na vida dela. Você não vê isso?

                A verdade. A mais ácida verdade. Quem causou isso tudo foi realmente o nosso pai.

                -Sim, eu vejo. Mas isso não faz dela menos culpada pelo que fez.

                -Eu sei disso, mas ela já lida com essa culpa o suficiente. Não precisa de mais alguém a julgando e tentando a separar de mim, ok? – ele me respondeu com um olhar acusador.

                Eu suspirei pesadamente. Indiretamente, ele estava me pedindo para ceder, para dar uma chance pra valer para a Miley. Eu não gosto dela, e isso não vai mudar tão cedo. Mas eu tenho alguma escolha?

                -Eu só não queria que você fosse babá de uma alcoólatra. – o seu olhar era reprovador. – Ta, ok. Desculpa. Você venceu! Eu vou dar uma trégua...

                -Só não comente nada sobre o que eu disse pra você, ok? – eu assenti em concordância. Nick pegou a caixa de primeiros-socorros que estava dentro do armário.         -Vou logo lá pra sala antes que a Miley se machuque mais.

                Voltamos para a sala. Por sorte, a Miley continuou no mesmo lugar onde foi deixada. Vi que o Nick suspirou em cansaço ao olhar para a bagunça na sala que teria que arrumar. 

                -Vai cuidar dela. Pode deixar que eu arrumo isso. – eu avisei. Ele me olhou esquisito, estranhando a minha generosidade. – É melhor aproveitar enquanto estou bonzinho com você, senão eu desisto e volto a dormir.

                Nick sorriu e me deu dois tapinhas no ombro.  –Valeu, Joe.

                -Tá. – eu respondi tentando parecer indiferente, sem querer alimentar muito esse momento fraternidade.


                Miley Narrando
               
                Abri os olhos lentamente, já sentindo os raios do sol entrando pela fresta entre as cortinas do quarto. Minha cabeça doía, mas não pude deixar de notar o conforto que sentia. Nick ainda dormia ao lado, dormindo profundamente. Seu corpo colado no meu e seu braço me envolvendo. Ele parecia estar bastante cansado. E não é a toa.

                Meu corte no braço estava coberto por um curativo e não parecia doer mais quanto eu lembrava ontem. Eu usava uma camiseta limpa do Nick e uma calcinha que não lembro ter usado ontem. Meu cabelo ainda estava levemente úmido e eu não cheirava a bebida. Ele deve ter me dado banho e trocado a minha roupa.

                Vi que no criado-mudo ao meu lado tinha uma jarra de água e um copo vazio. A aspirina estava ali também, bem em cima de um pequeno bilhete. Peguei a aspirina e tomei com bastante água. Logo depois li o bilhete.

                “Desculpa por ter sido um imbecil. Te amo”. Estava escrito na sua letra corrida. Provavelmente ele fez o bilhete achando que ia dormir no outro quarto, mas por algum motivo acabou dormindo aqui do meu lado. Abri um sorriso comigo mesma. Esse imbecil sabe como me amolecer.

                Fofo da parte dele, patético da minha. Eu não deveria ter dado tanta preocupação pra ele. Odeio quando dou tanto trabalho desse jeito no meio da noite. Eu deveria saber me virar sozinha e saber me garantir sem dar dor de cabeça pra ninguém.  

                Dei um beijo na sua bochecha e levantei da cama. Me vesti com as minhas próprias roupas adequadamente e penteei o cabelo antes de descer para a cozinha para comer alguma coisa. Joe e Brian já estavam acordados tomando café da manhã na ilha da cozinha. Eu olhei para cara do Joe e o Joe olhou para minha cara em silêncio. O que falaríamos? “Ei, dormiu bem ontem a noite?”.  Além de ter sido bem constrangedor saber que ele viu tudo o que aconteceu de madrugada. 

                -Bom dia. – ouvi a voz agradável de Brian quebrar a quietude. Ele tinha um simpático sorriso no rosto.

                Eu sorri de volta. – Bom dia!

                -O que aconteceu com o seu braço? – ele perguntou preocupado apontando para o curativo.

                Eu vi o Joe me encarar, esperando pela minha resposta. – Eu escorreguei e acabei caindo junto com o enfeite de vidro da sala. – eu dei de ombros. – Sou uma desastrada, mesmo. Não foi nada demais.

                -Então... – Brian continuou a falar, sem abrir mão de comer ao mesmo tempo. – Você e Nick fizeram as pazes ontem, né? Eu vi que ele não estava mais no outro quarto. – ele fez a observação com um sorriso malicioso. Eu ri.

                -Mais ou menos. Quer dizer, não foi bem assim. Ainda não o perdoei oficialmente. Ainda vamos conversar sobre isso.

                -Se ajuda, ele me disse que estava arrependido. Nick gosta de você, mas às vezes ele é meio lerdo não saca muito a mente feminina. Ele não fez de propósito. – Brian continuou a tagarelar.

                -Obrigada por tentar ajudar, Brian. – eu ri. – Mas ele vacilou feio comigo e temos que conversar melhor sobre isso.

                -Ah, não seja ridícula! – a voz de indignação do Joe deu o ar de sua graça pela primeira vez no dia para mim.

                -Como é que é?

                -Você sabe muito bem o que eu quero dizer. – ele pegou o seu sanduiche e saiu da sala, evitando que a discussão rendesse mais alguma coisa.

Acho que sei o que quis dizer.  Joe estava se referindo à ontem a noite quando Nick cuidou de mim. Pelo olhar dele, ele acha que estou sendo dura demais com o seu irmão.
 
Brian ficou meio confuso com o meu rápido dialogo com o Joe, enquanto eu me recusei a explicar alguma coisa sobre isso e passei a comer meu café da manhã. Não demorou muito tempo para Nick descer e ir direto para cozinha. Ele já estava arrumado e com a sua bolsa transpassada, pronto para ir para faculdade. Ele estava com uma cara de sono, mas ainda estava lindo.

-Bom dia. – ele disse educadamente. Ele sorriu para o seu melhor amigo por momentos breves e depois direcionou o seu olhar para mim.

-Bom dia, Nick. – Brian começou a perceber a nossa troca de olhares silenciosos. – Acho que ta na minha deixa. – ele murmurou. – Vou deixar vocês sozinhos, aí. – e rapidamente saiu da cozinha, adivinhando exatamente o que precisávamos.

-Você leu o meu bilhete? – ele perguntou e eu logo concordei com um aceno de cabeça. – E então? Me perdoa?

Os seus olhos cor de chocolate me encaravam de uma maneira tão adorável que deveria ser proibida.

-Nunca mais faça uma coisa parecida, ok? Aquela sonsa já é louca por você, aposto que ela já deve estar se achando sua dona depois de ontem. – eu entrei na defensiva.

–Olha Miles, eu não queria ser colocado naquela situação de quem escolher. Você é a minha namorada e ela é minha amiga. Por mais que vocês não se gostem, eu não quero virar as costas pra uma só pra deixar a outra satisfeita, entende? Mas eu me arrependo de ter te magoado de alguma forma. Desculpa.

Eu suspirei pesadamente quando me veio à cabeça que estou numa situação parecida. O Chad é o meu melhor amigo e eu nunca ia querer ser obrigada a ter que tomar algum partido. Os dois são importantes pra mim.

-Tudo bem, eu te perdoo. – eu respondi finalmente. Ele sorriu satisfeito.

Nick largou sua bolsa no chão de qualquer jeito e se aproximou de mim. Seus olhos fitando os meus. Ele entreabriu os seus lábios os deixando ainda mais convidativos. Suas mãos envolveram a minha cintura de uma forma carinhosa e me beijou.

-Obrigada por ontem. – eu sussurrei quando nossas bocas se separaram, mas nossos rostos ainda estavam bem próximos. Ele balançou a cabeça carregando um sorriso.

-Não precisa agradecer. – ele respondeu igualmente baixo.

Seu hálito fresco batia em meu rosto, atraindo ainda mais os lábios de volta para sua boca. Beijei seus lábios suavemente e passei a distribuir beijos demorados na sua bochecha, maxilar, pescoço... Abracei o seu corpo quente quando senti suas mãos acariciarem minhas costas por debaixo da blusa. Deixei uma leve mordida em sua nuca e voltei a beijá-lo na boca. Sua língua habilidosa explorava a minha boca e me deixava cada vez mais ansiosa pra mais. Mais do Nick.

Como eu queria que ele ficasse hoje em casa e expulsasse Joe e Brian por um tempo só pra termos a casa e o dia inteiro só pra nós dois! Nos separamos lentamente, já cientes que não poderia rolar nada agora. O Nick já estava atrasado.  

-Eu tenho que ir. Já está em cima da hora. – ele disse um pouco desanimado de ir embora.

-Leva isso aqui. – o estendi uma maçã. –Pelo menos pra não ir de barriga vazia.

Ele pegou a maçã com um sorriso fofo e me deu um selinho rápido antes de se afastar. Antes que ele saísse da cozinha, eu o puxei pela gola para mais um beijo intenso e apressado. 

-Não me faça mudar de ideia e faltar tantas aulas por sua causa. – ele murmurou antes de me dar um chupão na nuca.

-Então vai logo antes que eu te prenda em casa. – respondi em um suspiro e o empurrei.

-Nos vemos no almoço? – ele perguntou. Às vezes eu me encontrava com Nick depois de suas aulas no horário do almoço para comermos num restaurante por perto da sua faculdade.

-Ok, eu te encontro por lá. Ah, fica de olho naquele Bruno!

Nicholas pegou a sua bolsa do chão, colocou em seu ombro enquanto apressadamente devorava a sua maçã e saiu para a garagem me mandando um beijo rápido no ar.

                Aproveitei o resto da manhã conversando com o Brian e me dispus a mostrar rapidamente alguns pontos da cidade que ele gostaria de conhecer. Eu não fui hipócrita de chamar o Joe, então ele ficou em casa, mesmo. Não temos brigado muito ultimamente, apenas temos suportado a presencia de cada um. Isso não quer dizer que nos damos bem. Eu não pude ficar muito tempo mostrando a cidade para o Brian, pois tinha planos de me encontrar com o Chad. Fazia um tempo que não conversava com ele e decidi fazer uma vizita surpresa no seu trabalho.

Chad trabalhava por meio período numa loja de artigos esportivos do shopping local. Geralmente ele ainda tava lá antes do horário de almoço. Entrei na grande loja, que pelo horário não estava tão movimentada assim. Lá estava ele com a sua camisa esportiva que valorizava o seu corpo atlético, atendendo simpaticamente uma moça que simplesmente não estava nem mais prestando atenção no que ele dizia. Eu ri comigo mesma. Típico do Chad. Provavelmente o contrataram por ser um cara bem apessoado e capaz de convencer qualquer cliente a gastar uma boa grana nessa loja.

Esperei de longe ele terminar de atender a moça. Quando ele ficou livre, me aproximei antes que ele pudesse notar e o surpreendi pelas costas:

-Ei, bonitão. Não vai me atender também, não? – eu disse em tom de brincadeira. Ele se virou e abriu um enorme sorriso quando me viu.

-Miles! – ele me abraçou que me fez ficar na ponta do pé. – Veio me atrapalhar no serviço, é?

-Eu sei que daqui a pouco você vai sair para almoçar, então eu nem estou atrapalhando tanto assim.  

-Ainda bem que você apareceu. Nesse horário quase não tem movimento e hoje está um saco! – comentou.

-Eu não entendo o que você ainda está fazendo aí. Chad, você é formado em Direito! Poderia arrumar um emprego melhor na Itália, sei lá, de consultor, talvez.

-Fala sério... Vê se tenho cara de ter paciência para trabalhar todo engomadinho num escritório?  O único momento que fiz questão de trabalhar de terno foi quando eu ajudei uma moça encrenqueira a fugir da prisão. – ele apertou a ponta do meu nariz e eu sorri.

-E valeu a pena? – perguntei debochada.

-Muito! Eu sou capaz de fazer qualquer besteira por ela. – ele respondeu com um sorriso. O seu olhar se desviou do meu rosto e deu atenção ao meu braço. – O que aconteceu o com o seu braço? 

-Levei um tombo ontem. Acabei me cortando com caco de vidro. – eu respondi me lembrando de ontem a noite.

Pela sua expressão, ele notou que não foi um simples tombo. – Estava bêbada mais uma vez? – ele perguntou sério.

Eu suspirei profundamente e troquei um olhar obvio com ele. Isso já foi o suficiente para responder a sua pergunta. 

-E o Nick? – ele perguntou. Chad queria saber como ele estava reagindo a tudo isso.

-Ele me ajudou, como sempre, mas...

-Mas?

-O Joe viu. Acho que Nick explicou pra ele o que estava acontecendo. – eu respondi desanimada.

-E por que isso seria ruim? Pelo menos o Joe viu um lado seu que não conhecia. Sei lá, talvez ele repense melhor antes de ficar de julgando como uma golpista que não tem sentimentos.

-É, talvez você tenha razão... – concordei um pouco contrariada. Chad ainda percebeu que eu estava um pouco mau humorada. Eu odiava quando as pessoas passam conhecer minhas fragilidades. Eu tenho a vontade, talvez a necessidade, de estar no controle sempre. Pelo menos aparentar estar. Minhas fraquezas eu posso lidar sozinha, sem que ninguém precise se envolver nisso.

-É claro que eu tenho razão! Ele tinha que saber de alguma forma um pouco mais sobre você, a verdadeira você, para entender que você não é tão prejudicial assim na vida do Nicholas. Ok, talvez você seja um pouco, sim. – eu o empurrei de brincadeira e ele riu. – Mas você vai ver que ele vai passar a te ver de outra forma e não vai se comportar como antes.

-E se ele usar isso para me atingir? E se ele tentar colocar na cabeça do Nick que isso é só mais um motivo para eu estar atrapalhando a vida dele, com todos esses meus problemas? – eu decidi ir ao ponto. Não tinha nada a esconder do Chad, mesmo.

-Durante todo esse tempo que vocês estão juntos por acaso teve algum momento que o Joe aprovou? – ele perguntou e eu balancei negativamente. – E você acha que só mais “um motivo para você estar atrapalhando a vida do Nick” vai ser o suficiente para separar vocês? Quer dizer, isso é ridículo! Você pode ter todos os defeitos do mundo, mas, de qualquer forma,  você ainda é incrível. E se o Nick te deixar por isso, ele seria o maior imbecil da face da terra. –seus olhos verdes me encaravam penetrantes, mas preferi desviar o olhar e quebrar o clima estranho mudando de assunto.

-Falando em tentativas para nos atingir... Eu preciso te contar sobre umas coisas muito estranhas que estão acontecendo.

 Então o atualizei sobre todo aquele acontecimento no bar, o roubo do meu celular, as mensagens misteriosas, o Bruno e todo o nosso receio de qual o motivo disso tudo. Também aproveitei para contar sobre a minha suspeita da Selena e a briga que tive com ela e Nick e que no mesmo dia fui vigiada e perseguida na rua.

Chad ficou mais do que surpreso com as notícias e se chateou por eu não ter o contado antes. Ele disse que queria estar por perto para ajudar a desvendar essa confusão e descobrir quem é que está por trás disso tudo e o que quer em troca. Contei que agora, mais do que nunca, eu e principalmente Nick vamos precisar de mais treinamentos de luta e tiro. De alguma forma eu sentia que essas habilidades vão ser muito uteis a partir de hoje, pois podemos estar metidos com gente perigosa. Chad concordou e disse que vai nos ajudar nisso. Confessei que tinha receio do que quer que seja essa pessoa misteriosa por trás das mensagens possa fazer daqui pra frente. Seria que me entregariam para a polícia ou fariam algum mal ao Nick? Eu não posso deixar que isso aconteça. Nem que eu precise voltar sujar as minhas mãos de sangue de novo.

Joe Narrando

Encarei novamente aquela maldita pulseira na palma da minha mão. Eu não posso carregar mais essa dúvida. Se meu irmão estiver em perigo por causa de alguma coisa relacionada a essa Demi, eu vou ter que descobrir e logo! Não posso mais esperar aqui dentro dessa casa ela simplesmente aparecer na porta e me explicar tudo que está acontecendo.


Peguei minha carteira e celular, saí de casa sem paciência para avisar o Brian qualquer coisa. Aliás, ninguém pode saber quem estou procurando e o porquê disso. Essa cidade é pequena, não deve ser tão difícil achar pistas sobre uma britânica misteriosa que provavelmente pode estar envolvida com o tráfico junto com esse tal de Bruno.  É hoje que vou encontrar essa mulher e vou querer respostas! 

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

ESTRÉIA DE FULL CIRCLE

Heey! :D





Amoress, vim aqui avisar que eu comecei um novo projeto em parceria com a Amy Jonas, a mesma autora que escreve Eu odeio/amo Miley Cyrus. A fanfic se chama Full Circle e tem um tema hollywoodiano, tipo O namorado de uma estrela, mas é mais baseado na Miley e no Nick da vida real :) É uma comédia romântica. 
Estou bem animada pra saber o que vocês acharam!

O link do blog é esse: http://fullcircle-niley.blogspot.com.br/

Sigam por lá para receberem atualizações da fic e não deixem de comentar, porque é super importante pra mim!

Beijunda <3

terça-feira, 18 de agosto de 2015

2ª temporada - Capítulo 10: Stalker

Miley Narrando

Selena me encarava com um misto de raiva e surpresa, já o Nick ainda parecia completamente perdido com toda aquela situação. Continuei firme na minha postura em defensiva. Encarei a morena com a mesma intensidade de ira.

-Miley me explica qual é o motivo... – Nick gesticulou com as mãos, se referindo à bagunça. - ...disso?

-Eu vim procurar o meu celular. Eu quero ele de volta. – eu respondi num tom de obviedade.

-Por acaso você é louca? Você precisa tratar esse seu ciúme doentio que tem pelo Nicholas! – a voz da Selena era cheia de indignação e os seus olhos sínicos me fitavam como se eu realmente fosse uma louca. – Você sempre me tratou mal, mas de uns dias pra cá isso tem beirado ao absurdo. Primeiro me veio com uma conversa maluca no bar para eu me manter longe do Nick porque você é perigosa. Sinceramente, eu pensei que fosse só um papo de bêbado, mas depois de você vir invadir a minha casa desse jeito, eu não duvido mais de nada!

-Espera. – Nick se pronunciou antes que eu retrucasse. – Você quer dizer que a Miley, naquele dia que ela estava bêbada, te ameaçou?

Por alguns segundos nós três mantivemos silêncio, trocando olhares de estranheza diante da descoberta.

-Sim! – ela respondeu sem tirar os olhos cautelosos de mim. – De uma maneira meio confusa, por causa da embriaguês, mas claramente me ameaçou.

Com a observação da Selena, minha memória foi resgatando fragmentos de lembranças no meu inconsciente. Principalmente da discussão.
“Não se meta comigo, ouviu bem? Você não faz ideia do que eu sou capaz. Eu sou muito perigosa” Foi uma das besteiras que eu disse naquele dia. Obviamente eu só falei aquelas coisas porque eu estava bem longe da sobriedade.

Então, como um flash, a uma frase do SMS misterioso atingiu o meu raciocínio.
"Nós sabemos muito bem que a Miley não se dá muito bem com a polícia."

A ira explodiu em meu peito e subiu para minha cabeça. Era ela! Selena se aproveitou da minha ameaça para usá-la de informação pro seu terrorismo idiota! Antes que Nick pudesse dizer algo que tentasse, em vão, apaziguar a nossa situação, meu corpo se chocou contra o dela, num ataque de raiva. Selena soltou um grito de susto um pouco antes de perder o equilíbrio e cair no chão junto comigo. Nick berrou meu nome em reprovação e perplexidade com a minha reação. Mas eu não estava nem aí. Eu estava focada em deixar marcas vermelhas por todo aquele rostinho cínico da Gomez.

-Me solta, sua louca! Socorro, Nick!- ela gritava assustada.

-Sua sonsa! - minha mão desceu pesada sobre a pele do seu rosto. Ela em defesa tentou segurar minhas mãos, mas eu paralizei seus braços por debaixo com minhas pernas. Continuei dando vários tapas em seu rosto, enquanto sentia os braços fortes do Nick tentando me puxar pra longe dela. Minhas unhas acabaram arranhando o seu rosto, quando Nick conseguiu me tirar de cima da Selena e eu tentei em vão segurar de seus cabelos.
Nicholas me colocou em pé em sua frente, fazendo questão de ficar entre mim e sua amiguinha nojenta.

-Saia da minha frente, Nicholas!

-Você não vai fazer mais nada! - ele me respondeu autoritário. Sua voz estava não estava tão alterada quanto a minha, mas era firme o suficiente para mostrar quão irritado estava comigo. Eu não acredito que ele ainda está a defendendo!

Eu o ignorei, quando eu vi a Selena se levantando descabelada por trás dele.

-Já chega! Eu vou chamar a polícia. - ela resmungou, me fuzilando com olhar.

-Você não vai chamar coisa nenhuma! - eu tentei avançar mais uma vez pra cima dela, mas Nick se meteu na minha frente, colocando o seu braço na minha frente. Consegui me desviar do meu namorado e quando minhas mãos alcançaram Selena de novo, Nick perdeu paciência e me empurrou com força. Eu perdi o equilíbrio e caí no chão.

Não era apenas dela que eu estava com raiva agora. Eu fitei os seus olhos escuros com uma seriedade flamejante. Nick desviou do olhar poucos segundos depois, pedindo para que a Selena não chamasse a polícia. Que a polícia se exploda! Tudo o que importava agora era ele. O imbecil do Jonas defendendo aquela patricinha doente que nos chantageou por SMS.

-Chega de escândalo por hoje. De jeito nenhum a gente pode deixar a policia se meter nisso. - ele estendeu sua mão pra mim, me oferecendo ajuda para levantar. Eu o empurrei pra longe de mim e me levantei sozinha.

"Vá à merda, Nicholas", era o que eu mais queria dizer. Mas deixei o silêncio responder por si só. Peguei minhas coisas e dei o fora dali.

Nicholas Narrando

            Seus olhos azuis quase me perfuravam de raiva. Eu não queria ser bruto com ela, mas se eu não fizesse, o estrago seria ainda maior. Miley não estava se importando com o estrago. Ainda mais agora que eu me posicionei a favor da Selena. Eu queria pedir desculpas à ela, mas estávamos agitados demais pra isso agora. Primeiro de tudo, eu preciso desarmar toda essa confusão antes que a polícia ou a família da Selena se envolva nisso.

            -Chega de escândalo por hoje. De jeito nenhum a gente pode deixar a policia se meter nisso. - eu disse estendendo mão na direção da Miley, oferecendo ajuda para levantar. Mas ela preferiu me empurrar, querendo deixar bem claro que não vai me querer ver nem pintado de ouro agora na sua frente. Às vezes nem parece que ela é mais velha do que eu. Tão teimosa e infantil!

Miley se levantou sozinha pegou sua bolsa e saiu do quarto sem nem mesmo me lançar uma rápida olhadela. Eu sabia que ela devia estar magoada comigo, e senti um pouco de culpa. Mas eu precisava ser firme. Pelo bem de nós dois. Ouvi seus passos rápidos pela escada e logo depois bateu a porta de entrada com força. Eu e Selena levamos um pequeno susto com o estrondo da porta.

Selena também não parecia estar nada bem. E com razão. O seu quarto estava uma zona, acabou de apanhar da minha namorada e deveria estar indignada com a perseguição que a Miley estava fazendo com ela. Ela estava de braços cruzados e olhando pra mim, esperando que eu falasse alguma coisa. Eu respirei fundo tentando procurar alguma coisa de útil para melhorar toda essa situação, mas estava difícil.  

-Me dê pelo menos um motivo para eu não ligar para polícia depois de todo esse escândalo. - nunca ouvi a voz da Selena, que geralmente era sempre muito doce, ríspida do jeito que ela falou comigo.

-Ela só está de tpm? - joguei uma piadinha pra tentar quebrar o gelo, mas não funcionou.

-Eu estou falando sério, Nick. Muito sério! Qual é a explicação que eu vou dar pros meus pais pra isso? - Selena apontou para bagunça que estava o seu quarto. - Como eu vou poder dormir tranquila sabendo que sua namorada maluca invadiu a minha casa para revistar minhas coisas sem motivo nenhum? E ainda me agrediu!

-Tudo bem, ela exagerou. Exagerou muito! Mas ela está assim porque está muito nervosa com tudo o que aconteceu. Naquela noite do bar, alguém a dopou e roubou o seu celular. E ainda tiveram coragem de nos mandar mensagens de mau gosto. A gente não faz ideia do motivo que fizeram isso e… Enfim.- Eu a segurei pelos ombros amigavelmente. - Dê uma chance pra ela, ou melhor, dê uma chance pra mim. Ela só está um pouco confusa e está tentando achar o responsável por isso de qualquer jeito. Eu prometo que eu vou conversar com ela. Por favor, não chama a polícia. Se ela se encrencar com a polícia, talvez ela possa ser até exonerada daqui. E eu não vou aguentar ficar longe dela.

Selena me olhava nos olhos durante cada palavra que eu dizia. - Miley não te merece, sabia? - será que ela não vai ceder? - Mas eu vou fazer isso por você.

-Obrigado, Sel. - eu abracei e ela retribuiu o abraço. Quando nos separamos eu olhei ao redor e suspirei. - Bom, acho melhor eu te ajudar logo nessa bagunça antes que alguém chegue e veja.

-Não precisa, Nick…

-Precisa, sim. Foi minha namorada que fez isso tudo aqui e é o mínimo que eu tenho que fazer. - eu disse já colocando as mãos à obra.

Selena agradeceu e logo estava ao meu lado me guiando na arrumação.

Brian Narrando

O toque do meu celular me acordou do cochilo que eu tirava na estiradeira. Eu devo ter dormido por bastante tempo, pois já era tardinha e estava começando a escurecer. Estiquei meu braço para alcançar o celular barulhento e atendi.

-Alô?

-Hello darling! - sua voz e seu jeitinho engraçado de falar no telefone me fez abrir um sorriso quase que instantaneamente. - Está com uma vozinha de sono, por acaso de te acordei? Achei que estava de tarde por aí.

-Chris! - eu me ajeitei na estiradeira. - Já está de tardinha por aqui. Eu que tirei um cochilo preguiçoso, mesmo.  Qual é a honra da sua ligação, miss California?

-Eu só queria saber se está tudo bem com você. A última vez que ligou, você parecia estar bem bêbado...

-Ah, estou bem. Valeu pela preocupação. Só estou meio sem graça agora por me lembrar do vexame de quando eu te liguei. Eu falei muita besteira pra você? Se sim, me desculpa. Desculpa mesmo! Eu costumo ser um imbecil quando encho a cara. - ela soltou uma risada gostosa do outro lado da linha.

            -Fica tranquilo… Você não disse nada demais. O Nick não deixou.

            -Preciso agradecer o Nick por isso.

            -Então, tem alguma novidade daí da Itália?

            -Não… Nada muito importante… - Bom, eu só descobri que a Miley está viva e toda aquela história de morte foi arquitetada pelo Nick e por um cara para ajudar numa fuga da prisão que eu só achei que aconteceria em filmes. Ah é, Miley e Nick estão juntos até hoje e ela está morando aqui com ele desde o dia da sua “morte”. Estamos todos muito bem, nada de muito importante aconteceu, mesmo…  - Nick está indo bem na faculdade. Eu e Joe conhecemos alguns amigos dele. São bem legais.

            -Queria tanto rever o Nick… É uma pena que não pude ir com vocês. - Ainda bem que não veio! Chris enfartaria se soubesse da verdade. -Mas não tem problema, porque em breve o Nick vai ter que vir para Los Angeles, por livre e espontânea obrigação, para festa que eu estou planejando!

            -Festa? Que festa?

            -Aniversário de casamento! Vai ser fabuloso, Brian. O Paul ia adorar a surpresa se o Nick viesse.

            -Mas vocês não estavam brigados? Como você está tão animada para o aniversário?

            -Nós fizemos as pazes. Paul me deu um colar lindo de pedido de desculpas. – Quem o Paul pensa que é para tentar comprá-la com joias toda a vez que a magoa? – eu sei que falando assim parece meio insensível da parte dele, mas... Uma hora faríamos as pazes de qualquer jeito, não é?

            -Você não deveria facilitar tanto as coisas pra ele, Chris. Ele tem que te dar valor de verdade. Você vale muito mais do que uma joia e sabe disso.

            -Own, Brian... Você é um amor! Obrigada por se importar comigo, mas fique tranquilo que eu me entendo com aquele brutamontes.

            Eu ri um pouco sem vontade para disfarçar a tensão. Queria estar no lugar dele. Eu queria receber uma surpresa dela. Eu queria ser o seu homem. Ela nunca se magoaria se fosse minha. Mas ela não é minha. Não é e nunca vai ser.

            -Brian? Você está aí, fofinho? – ela me acordou dos devaneios. Eu sorri verdadeiramente com o apelido.

            -O fofinho está aqui, sim. – ela riu.

            -Então, você pode avisar ao Nick sobre o meu plano sobre a festa?

            -Aviso, sim.

            -E quero que você esteja presente, claro. Ai de você se faltar! – ela disse mandona. Fechei os olhos e suspirei. Vou ter que aturar uma comemoração de casamento da Chris com o Jonas, com toda aquela imagem e ostentação. Provavelmente vai ser infernal, mas é impossível dizer não pra ela.

            -É claro que eu vou estar lá. Já vou avisando que se a festa ficar muito chata e eu beber um pouco depois, eu não vou me responsabilizar pelos meus atos.

            -Tudo bem, eu não me importo! Quero você, o Nick e Joe por lá!

            -Pode ficar tranquila.

            -Sabe, eu estava pensando em fazer um dia desses uma visita surpresa pro Nick que nem vocês fizeram. Quando Paul estiver disponível pra vir comigo, é claro.

            -NÃO! – eu a repreendi, mas logo notei que pareci desesperado demais. – Quer dizer... Acho que não é uma boa ideia pegá-lo de surpresa assim. Nick está ficando cada dia mais galinha e vêm trazido várias garotas aqui pra casa dele. Eu e Joe acabamos encontrando com uma situação assim, mas já estamos acostumados e tal. Seria meio constrangedor se vocês viessem e enfim... Você sabe.

            -É mesmo, você tem razão. Espera! O Nick está mesmo saindo com outras garotas?

            -Sim, mas ele não tem compromisso com ninguém. Acho que ele está começando a se parecer com o Joe nesse quesito. Ele é nosso discípulo agora. - eu brinquei.

            - Ah... Espero que ele esteja feliz e tenha superado tudo aquilo.

            -Ele já superou. Pode ter certeza.

            -Queria conversar mais com você, mas agora vou ter que desligar. Manda um beijo para os meninos. Tchau, Brian. Beijinho.

            -Tchau, Chris!

            Um pouco depois de desligar o telefone, avistei da área da piscina a Miley entrar em casa com uma cara nada boa. Ela parecia que iria cuspir fogo a qualquer momento. Me aproximei pra rondar a área e vi de longe que ela respondeu alguma coisa para o Joe, que estava na sala, e saiu em passos rápidos para o seu quarto. Ouvi o estrondo forte da porta.  Alguma coisa estranha está acontecendo.

            -O que houve? – perguntei para o Joe que estava sentado no sofá.

            -Problemas no paraíso. Acho que os pombinhos brigaram feio. – ele respondeu com uma cara de tédio enquanto trocava os canais.

            -Será que é por causa do celular?

            -Não faço ideia. Só espero que Nick abra logo os olhos e bote essa mulher pra correr.

            Nick Narrando

            Depois de conseguir colocar toda aquela zona no lugar certo, suspiramos aliviados pelo fato dos pais dela ainda não terem chegado em casa. Fechei a ultima gaveta e estiquei minhas costas. Selena estava igualmente cansada.

            -Obrigada pela ajuda, Nick. - ela disse enquanto sua mão pousava sobre o meu braço.

            -Você não precisa agradecer. - balancei a cabeça. - E esse arranhão no seu rosto? - eu apontei para a sua face. - Como vai disfarçar?

            -Não se preocupe, eu consigo me virar com maquiagens. - ela sorriu
           
            Por um momento pensei na possibilidade da Miley estar certa... Mas é ridículo! Eu convivo com a Selena e sei que ela não é nem um pouco capaz de fazer uma maldade dessas. Por mais que haja algum tipo de... “disputa de atenção” entre as duas, Selena não tentaria nada de mal nessa proporção.

            Antes que eu me pronunciasse pra me despedir de Selena, o meu celular vibra em meu bolso. Geralmente, eu ignoraria e deixaria para ler depois, mas depois de tanta confusão envolvendo celular, eu e a Miley e brigas dela com o Joe, eu achei melhor dar uma checada. No visor dizia que eu tinha uma mensagem nova e era do celular roubado da Miles. Eu nem mesmo pensei e abri logo de uma vez. Meu coração estava disparado e de alguma forma, meu semblante entregava que alguma coisa estava errada, pois Selena perguntou preocupada se tinha acontecido alguma coisa. Eu ignorei a sua pergunta e me concentrei no conteúdo da mensagem.

            “Miley tem feito confusão na casa dos outros, é? Vi a sua garota saindo a pé bastante irritadinha pela rua. Acho que o casal 20 não está tão unido assim, como diziam estar... Não fique com ciúmes, mas estou sempre de olho nela.” E junto com a mensagem tinha um anexo. Nele havia uma foto da Miley saindo da casa da Selena.

            Não podia ser. Estão a perseguindo, estão a vigiando pela cidade. Eu não pensei duas vezes. Peguei minhas coisas e saí do quarto da Selena praticamente correndo.

            -O que houve, Nick? O que está acontecendo? Por que você está indo embora desse jeito? – perguntou Selena confusa. Eu parei por alguns segundos para respondê-la.

            -Nada. Preciso conversar com a Miley, só isso. – eu respondi de supetão. – Fica bem, ok? Se acontecer alguma coisa de estranho, qualquer coisa, me liga.

            Selena parecia ainda estar um pouco atordoada e agora assustada por causa do meu comportamento. Ela devia estar pressentindo que uma coisa nada boa estava acontecendo. Alguma coisa grave.

            -Tudo bem. Fica bem você também.- ela respondeu antes que eu saísse correndo da sua casa.

            Miley havia ido embora a pé, por isso, ela deixou meu carro ainda na frente da casa. Ela estava com tanta raiva de mim e que fez questão de ir caminhando pra casa do que usar o meu carro. Por sorte, eu carregava um molho de chaves reservas e usei uma delas para abrir o Ashton Martin. Joguei minha mochila no banco do carona, liguei o carro e disparei para casa. Eu preciso saber se a Miley estava bem, se estava lá, se haviam feito alguma coisa com ela.

            Eu sentia que a pessoa por trás disso tudo não é apenas algum sem vergonha, fazendo um joguinho de mau gosto para nos perturbar a paciência. Era alguém queria uma coisa a mais do que isso.  Queria nos desestabilizar para se aproveitar, arrancar alguma coisa de nós. Podia ser alguém perigoso.

            Estacionei rapidamente em frente a casa. Desliguei o carro e deixei minhas coisas por lá, mesmo. Em passos rápidos entrei na sala iluminada. Joe estava dividindo o sofá com o Brian enquanto assistiam alguma coisa na TV. Eles me encaravam apreensivos, esperando que eu dissesse alguma coisa pra justificar minha entrada desesperada na casa.

            -Onde está a Miley? – foi a primeira coisa que eu disse enquanto vasculhava toda a casa com o olhar.

            -Ela chegou toda irritadinha, me deu uma patada e saiu marchando pro quarto dela. Está trancada lá até agora. – Joe respondeu. – Pela sua cara e pelo comportamento dela, a briga deve ter sido feia, hein.

            -Mandaram mais uma mensagem. Faz pouco tempo. - eu disse enquanto eu subia as escadas com rapidez.

            Brian soltou um xingamento baixo e Joe ficou quieto com a minha resposta.

            Eu tentei abrir a porta, mas o nosso quarto estava trancado. Eu bati na porta em murros fortes.

            -Miley? Abre essa porta. – eu pedi.
            -Vai bater na porta da “Sel”. – ela respondeu se nem mesmo se aproximar da porta.

            -Estou falando sério, Miley. Abre essa porta! Eu preciso falar com você. É sobre as mensagens.

            -Eu sei que foi ela. E não adiantar defender aquela sínica. – ela continuou sem mexer na porta. – Eu nem acredito que você me tratou daquele jeito.

            -Estão te vigiando! – eu disse, desistindo de arranjar um jeito melhor para contá-la. Só chegando ao ponto ela pararia para me escutar. E realmente a frase fez efeito. Logo depois que eu disse isso, Miley ficou em silêncio, como se estivesse assimilando as palavras que eu acabei de dizer.  Alguns segundos depois ela abriu a porta. Seus olhos carregavam preocupação e curiosidade.

            -Como é que é?

            Eu acariciei seu rosto e minhas mãos desceram pelos seus ombros, com o meu olhar a vasculhando por inteira, checando se ela estava bem. – No caminho de casa tentaram fazer alguma coisa com você?

            -O que? Não! Ninguém tentou nada. – ela respondeu confusa. - Do que você está falando, Nicholas?

            -Me mandaram uma mensagem agora há pouco. Eu estava terminando de ajudar a Selena e me mandaram uma mensagem com uma foto sua saindo da casa dela. Eu recebi a mensagem na frente da Selena, Miley. Eu posso te garantir com toda a certeza que não foi ela. Mas tem alguém te acompanhando. Estavam te vigiando. Sabiam que você entrou na casa dela sem permissão. Provavelmente estavam te acompanhando o dia inteiro.

            Pude sentir a temperatura da sua pele diminuir lentamente debaixo das minhas mãos. Ela me encarava surpresa.

            -Disseram mais alguma coisa? Alguma pista de quem possa ser ou o que querem?

            -Sabem que nós nos desentendemos e me disse que está sempre de olho em você.  Mas nenhuma pista importante.

            -Então... Não foi a Selena. – Miley murmurou contrariada.
           
            -Não, não foi. Ela pareceu bem assustada, até. Além do mais, ela não ganharia nada te vigiando desse jeito. – ela assentiu. – Viu? Eu estava certo.

            -Tá, foda-se. – ela resmungou. – Isso não justifica o que você fez.

            -Ah, é mesmo? E o que justifica o escândalo que você fez na casa dela, hein? Já pensou se ela te entregasse pra polícia? – eu respondi impaciente. Ela rolou os olhos. – Você estava parecendo uma desequilibrada!
            -Desequilibrada? Espera aí, aquela ali vive na sua cola agora com aquele papo de sonsa, sou dopada por não sei qual o motivo, e depois de todo o acontecimento suspeito no bar, você queria que eu mantivesse o equilíbrio? – ela começou a levantar a voz.

            -Desequilibrada, sim! – eu respondi no mesmo tom de voz. - Já parou para pensar o que aconteceria se você parasse na delegacia? Hein!?

            -Até parece que você estava preocupado com o meu bem estar naquela hora.

            -É claro que eu estava!

            -Se você tivesse se importado comigo ali, você não teria me empurrado daquele jeito. Você teria me ouvido primeiro antes de defender a sua amiguinha! Você teria ido atrás de mim depois que saí da porra daquela casa! Você teria notado o quão tensa eu estou depois de tudo que têm acontecido e... – não a deixei falar mais nenhuma palavra. A puxei pela cintura e calei a sua boca com a minha.

Pressionei seus lábios nos meus com força, até que eu conseguisse os abrir e dar passagem para minha língua. Ela tentou me empurrar, mas não conseguiu. Logo depois, me deu um tapa no meu braço tentando me repreender, mas mesmo assim retribuiu rapidamente o meu beijo. Sua língua respondeu às carícias da minha quase que de imediato. Uma das suas mãos que antes tentava me empurrar, agora apertou o meu ombro com força, fincando suas unhas por cima do tecido da minha camisa. A outra puxava o meu cabelo pela raiz sem nenhum cuidado. Eu a beijava com brutalidade, impaciente com toda a tentativa de ser carinhoso e atencioso.

Eu sou louco por ela e a Miley sabe muito bem disso, ela sabe que me importo e sempre me importei com ela. Eu estava cansado demais para dizer coisas que nós dois já sabíamos muito bem. Chega de gastar palavras tentando explicar o óbvio! Eu estava tão tenso e estressado quanto ela e nada melhor de descontar tudo isso do nosso jeito. Pressionei o seu corpo o máximo que eu podia contra o meu e mordi o seu lábio inferior. Ela suspirou alto e tirou sua boca do alcance da minha por alguns segundos.

-Nicholas... – ela começou a falar com voz falha. Antes que ela voltasse a me repreender ou tentar manter alguma pose de durona, eu juntei nossas bocas novamente.

Ela não tinha mais nenhuma resistência ao beijo. Beijava com raiva e urgência, assim como eu.  Meus lábios já doíam por causa da força, mas eu não me importava e não fiz questão de ser mais suave agora. Miley deu impulso e envolveu suas pernas ao redor do meu quadril. Eu suguei o seu lábio com força e apertei sua bunda com as duas mãos. Ela pressionou ainda mais suas pernas ao meu redor e roçou sua virilha hostilmente contra a minha. Isso está ficando tão bom...  Eu já estava ficando estupidamente excitado e cada vez mais bruto.

Quando cheguei passos cegos até a cama, a empurrei do meu colo para o colchão sem nenhum cuidado. Ela me encarava com desejo e sua boca pedia por mais. Eu alcancei a altura da Miley na cama e voltei a beijá-la como se ela fosse escapar dos meus braços a qualquer momento. Ela começou a arranhar minhas costas por baixo da minha camisa, deixando a sua marca em meu corpo com gosto.  
-Você é meu! – Miley sussurrou contra os meus lábios.

Não importava quem tentasse nos tirar a paz ou quem tentasse nos separar. É uma regra do destino. Eu sou dela e ela é minha. Ninguém, ninguém vai ser capaz de mudar isso.


Nosso amasso foi interrompido com batidas na porta. Eu pensei em ignorar e continuar com o que tinha começado, mas lembrei que, por mais que tenham batido, a porta ainda estava aberta. Droga! Paramos o beijo na mesma hora e avistamos Joe nos encarando um pouco surpreso com a nossa falta de discrição em pelo menos ter fechado o quarto. Miley rolou os olhos e eu suspirei contrariado, saído dentre as pernas da minha namorada. Me sentei na beirada da cama e cruzei os braços.

-O que foi? – eu perguntei um pouco mal humorado.

-Primeiro, aprendam a fechar a porra da porta porque não to a fim de voyeurismo, ainda mais com o meu irmão, ok? – Joe disse fazendo uma cara feia. – Mas voltando ao assunto, tem alguém aqui embaixo querendo falar com vocês dois. Especialmente com você, Nick.

Eu e Miley trocamos olhares desconfiados. Alguém há essa hora?

Nos ajeitamos rapidamente, curiosos com o motivo da visita sem aviso e descemos rapidamente para a sala. Quem estava sentado dividindo o sofá com o Brian era o meu colega de faculdade, Francesco. Ele estava com uma cara esquisita, assim como o resto do dia de hoje, nas aulas. O que será que ele quer falar comigo?

-Oi, Francesco. Tudo bem? – eu cumprimentei educadamente e dei uns tapinhas em suas costas.

-Mais ou menos. – ele respondeu.

-O que houve? - eu perguntei curioso e preocupado.


-Eu sei quem dopou a Miley. – ele respondeu na lata. – Eu vi tudo no dia, mas não sabia como contar isso para você. Foi o Bruno, o nosso colega de turma. Eu tenho certeza que foi ele.