Gente, já coloquei o grupo visivel pra vocês participarem. Só as publicações que vão ser privadas, combinado?
o link : https://www.facebook.com/groups/425378457566373/
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
Grupo de leitoras e escritoras Niley!
Se você curte ler e/ou escrever Niley, não ignore essa postagem, por favor! Eu acabei de criar um grupo no Facebook para escritoras e leitoras Niley. Isso mesmo! Eu estava pensando um dia desses como existe leitoras e escritoras Niley espalhadas em outros sites e blogs e nem conhecem as nossas fics. Já sabemos que não existe muitas por aí, por isso achei legal a ideia de criar um grupo só pra isso. Eu tirei essa ideia quando comecei a part
icipar de um grupo de leiotras de fanfics só de Jogos Vorazes. Lá tinham divulgações, spoilers de fics (ui ui! AMO), conversas entre leitoras e escritoras... Me pareceu bastante legal fazer isso com as fics Niley também! Eu já até conversei com a Amy e a Lívia sobre isso e elas adoraram a ideia também.
Eu estou com um novo perfil só pra criar esse grupo (o meu está lotado de notificações rs). Anyway, se quiserem participar, entrem nesse link aqui:
Part
https://www.facebook.com/groups/425378457566373/
icipar de um grupo de leiotras de fanfics só de Jogos Vorazes. Lá tinham divulgações, spoilers de fics (ui ui! AMO), conversas entre leitoras e escritoras... Me pareceu bastante legal fazer isso com as fics Niley também! Eu já até conversei com a Amy e a Lívia sobre isso e elas adoraram a ideia também.
Eu estou com um novo perfil só pra criar esse grupo (o meu está lotado de notificações rs). Anyway, se quiserem participar, entrem nesse link aqui:
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quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Capítulo 33 - Titanium
Trilha sonora: Titanium
Você grita alto
Mas eu não ouço
uma palavra do que você diz
Eu estou falando
alto sem dizer muita coisa
Fui criticada,
mas as suas balas ricocheteiam
Você atira em
mim, mas eu levanto
Sou à prova de
balas, não tenho nada a perder
Atire, atire
Ricocheteia,
mire
Atire, atire
Você atira em
mim, mas eu não caio
Sou feita de
titânio
Você atira em
mim, mas eu não caio
Sou feita de
titânio
Pode acabar
comigo
Mas você é quem
terá mais para sofrer
Cidade fantasma,
amor mal-assombrado
Erga a voz, paus
e pedras podem me quebrar os ossos
Estou falando
alto, mas não estou dizendo muita coisa
Sou à prova de
balas, não tenho nada a perder
Atire, atire
Ricocheteia,
mire
Atire, atire
Você atira em
mim, mas eu não caio
Sou feita de
titânio
Você atira em
mim, mas eu não caio
Sou feita de
titânio
Sou feita de
titânio
Sou feita de
titânio
Dura como pedra,
metralhadora
Atirando
naqueles que se erguem
Dura como pedra, como vidro à prova de balas
Nicholas Narrando
Era impossível de acreditar no que está acontecendo. Não
havia mais outra saída. Mas eu não queria aceitar os fatos. A Miley não vai ser
presa. Porra, ela não pode ser presa! Só de imaginar longe dela, incapaz de
fazer qualquer coisa para reverter a situação, era insuportável. Não queria nem
pensar nas coisas terríveis que fariam com ela na prisão.
-Você não pode se entregar. – eu disse firme sem largar
as suas mãos. – Invente qualquer coisa! Eu confirmarei para os policiais a sua
mentira.
-Mas a sua família, não. – ela respondeu certa do que
aconteceria. Os seus olhos azuis se desviaram dos meus e engoliu em seco. –Confirme o golpe. Fale que eu te manipulei
por todo esse tempo. Por favor, Nick. Não fale sobre o passado entre eu e seu
pai. Eu não quero que me olhem como uma coitadinha. Nós sabemos muito bem que
seu pai é um homem influente e que farão tudo a seu favor. Não posso deixar que
vejam a fragilidade em mim. Naquele lugar, não. Faça o que eu estou falando.
Pelo nosso bem. – não era pelo seu bem. Ela só queria que a atenção dos
investigadores se desviasse de mim.
-Miles, eu vou fazer de tudo para que você seja
inocentada. – eu disse lutando contra o nó em minha garganta e a minha visão
marejada. Pude ver que a Miley também tentava segurar as lágrimas. – Eu te amo.
E você sabe muito bem que faria qualquer coisa por você.
Ela respirou fundo enquanto tirava o colar que eu tinha
dado de presente para ela.
-Já era de se imaginar que alguma coisa nos impediria. Eu
tentei ignorar, Nick. Mas somos de mundos completamente diferentes. Eu só quero
que você seja feliz. Então, por favor, não faça nenhuma loucura por minha
causa. Só... me esquece. – Miley pegou a minha mão e colocou o colar nela. –
Você não merece lutar por alguém como eu. – falou em um fio de voz. Eu não
mereço. Eu preciso lutar por ela.
Antes que eu pudesse falar mais alguma coisa diante de
toda aquela merda que a Miley acabou de falar, ouvi passos e vozes dos
policiais próximos. Puxei Miley para perto de mim, tão rápido que ela foi pega
de surpresa, e beijei a seus lábios. Como um sinal que eu nunca desistiria
dela. Miles retribuiu com as mãos sobre a minha nuca, causando arrepios na
minha pele. Meu Deus, como eu vou sentir falta dessa boca! Nos beijamos
suavemente para poder sentir detalhadamente o gosto de cada um. Merda, aquilo
não pode ser um beijo de despedida. Ela se afastou com alguns selinhos. Eu não
queria soltar os meus braços ao redor do seu corpo, mas eu tinha que fazê-lo.
Nos
distanciamos um pouco quando os policiais finalmente chegaram no cômodo. Eles
apontaram as suas armas para direção da Miley.
-Parada!
Coloque as mãos sobre a cabeça. – um deles gritou, autoritário. – Alguém nos
ligou, denunciando sobre um golpe.
-Por acaso
esse homem é da família. – outro perguntou, se referindo ao corpo do Steve.
-Não, ele
é o tio dela. Um dos golpistas. – meu pai pronunciou. – Ela mesma que o matou.
– acusou a Miley sem nem mesmo parar para pensar. Eu sei que estava meio óbvio,
mas isso me deixou irado. Meu pai queria se livrar o mais rápido possível dela.
Desgraçado!
- Ok, nos
resolvemos na delegacia . Mandem buscar o corpo. – o tal policial ordenou para
os demais colegas.
Quando eu
voltei a minha atenção à Miley, ela estava sendo revistada por outro policial.
Ele já carregava a arma que a minha namorada levava na calça e logo achou o seu
celular que se encontrava em seu bolso. Droga, irão revistar o chip!
-Esse
celular é meu. – eu me pronunciei. – Ela pegou para levar embora quando
fugisse.
Miley
olhou para mim aliviada. Mesmo um pouco desconfiado, o tal policial me entregou
o aparelho. Eu o peguei e guardei no bolso. Sabia que quanto menos eles
soubessem, menos crítica seria a situação.
Enquanto o
policial algemava seus pulsos atrás de seu corpo, ele dizia todos os seus
direitos diante da lei de Califórnia. Eu me sentia péssimo em assistir essa
cena. Mas se eu fizesse alguma coisa agora, só pioraria.
Quando
levaram a Miley daquele quarto cercada de policiais, senti uma batida falhar em
meu coração e apertei o cordão entre meus dedos. Não vou deixar que fique só
por isso. Não, mesmo.
Miley Narrando
Os passos
ecoavam pelo corredor frio e silencioso. Uma policial me levava pelo braço para
um caminho óbvio. Odeio quando me seguram assim. Mais dois nos acompanhavam
mais atrás. Isso é ridículo. O que eu faria no estado em que estou? Bem, não
significa que eu obedecerei todo fardado de merda. Eu estou entrando em um
universo em que tem que se impor para conseguir espaço. E com toda certeza eu
não vou ficar para trás.
Voltando
ao ponto, depois de passar por toda aquela palhaçada da imprensa me perturbando
em frente à delegacia, me encaminharam para cá.
Um dos
guardas abriu a porta da sala do delegado. Mas ele não estava lá, como eu
imaginava, e sim um homem engravatado. Lá vem! Eu já sabia muito bem do que se
tratava e o melhor que eu poderia fazer agora é bater de frente sem medo. Eu
sei que não ganharia muito com isso, mas pelo menos eu não perderia mais nada.
Se eu der algum sinal de acuamento, sobraria para mim mais tarde no presídio.
Eu sei que aquele lugar pode ser um pedacinho do inferno para mim, mas tudo
isso dependerá de minhas atitudes. Eu sei que se eu mentir e disser que sou
inocente, irão rapidamente descobrir o contrário.
Respirei fundo. É o melhor a fazer, repeti
para minha própria consciência. Encarei o homem a minha frente direta e
seriamente. Dois dos guardas que me acompanhavam permaneceram do lado de fora
da sala que era irritantemente iluminada, enquanto a policial me empurrou para
baixo, para me sentar na cadeira a frente do homem curioso. A infeliz voltou
para a o seu lugar, ao lado da porta.
-Miley Cyrus... - pronunciou o meu nome
lentamente e com ar pensativo, me analisando sem pressa.
-Eu sei que você é um daqueles imbecis de
agência secreta. Se quiser tirar alguma informação de mim, você vai ter que me
soltar dessas algemas. - eu disse com um tom de voz seguro. - Essa merda
machuca, sabia? E já estou com dor nos ombros.
-Você sabe
que não pode ficar sem algemas.
-E você
sabe que não pode me forçar a falar nada. - eu rebati.
Ele parou um pouco para pensar e suspirou.
-Você é espertinha demais pro meu gosto. - resmungou. -Vamos fazer o seguinte:
eu mando tirarem as algemas de você só enquanto estiver aqui comigo e você
responderá as minhas perguntas. De acordo?
Dei de
ombros como resposta. O investigador mandou a policial abrir as algemas.
- Eu não
sou autorizada a isso, senhor Peterson. - ela respondeu.
-Não vai acontecer nada demais. Eu me
responsabilizo em nome da FBI por ela. Os assuntos que eu tenho a conversar com
a Miley é de extrema importância. Será que não dá pra soltar logo? - perguntou,
puxando um pouco mais a gravata apertada do pescoço. Peterson é de altura
moderada, tem cabelos bem cortados pretos com poucos fios brancos espalhados.
Tem uma aparência elegante. Até demais para situação que está.
A policial
cedeu e soltou as algemas que me incomodavam. Massageei meus pulsos doloridos e
relaxei os ombros que antes estavam tensos. Bem melhor agora.
-Eu sabia que algum dia encontraria você por
aqui. Soube que você já é bem famosa na Europa. Bom, eu sei que você não usava
seu verdadeiro nome lá, mas foi fácil juntar as peças depois de tantas
pistas...
-Vocês são
patéticos. Só descobriram agora porque me denunciaram para a polícia. Isso
qualquer um poderia fazer! - eu ironizei. Mas o engravatado não se deixou
abalar pelo meu comentário.
-Devo mesmo confessar que fomos falhos nisso.
Se não fosse por aquela denúncia anônima, você já teria matado toda aquela
família e acabado com uma das mais importantes empresas do estado. Você nunca
fez uma coisa tão grande assim, não é? Eu soube de alguns misteriosos
assassinatos e alguns golpes em que uns dos principais suspeitos eram você e o
seu falecido pai. Estou certo?
-Ele era meu tio. - corrigi. - Meu pai também
está morto.
-Você
também o matou? - ele perguntou com certa surpresa.
-Claro que não! - eu respondi horrorizada. -
Não chego a esse ponto!
-Eu não
sei... Você acabou de matar o próprio tio.
-Ele era um filho da puta. Steve ia fazer o
golpe sem me avisar. Acabamos discutindo e eu o matei por motivos financeiros.
Fiquei sabendo que ele pegou o dinheiro da conta no exterior do Paul e ficaria
toda para ele. Enfim, ele queria me passar a perna. E cá entre nós, ele não era
uma flor que se cheire. - eu precisava contar desse jeito para não desconfiarem
de nenhum vínculo entre eu e Nick. Se eu dissesse que fiz aquilo por ele,
obviamente eu teria o empurrado para uma cilada. A família Jonas certamente
confirmará a minha afirmação. Nenhum deles teria coragem de envolver mais o
Nick do que ele já está.
O homem balançou a cabeça, em sinal que estava
entendendo. Numa tentativa falha em parecer impassível, ele me olhava com
espanto pelo meu discurso. Não é para menos. Apesar do nervosismo por dentro,
minha voz soava despreocupada e até indiferente. Com toda a certeza, a minha
capacidade de manipulação não pode ser subestimada.
-Bom, é
meio óbvio dizer isso, mas você e o seu tio não fizeram tudo isso sozinhos.
Quero saber quem trabalhou com vocês em todos esses golpes.
-Estou cansada. Não quero mais ser
investigada. - mudei de assunto, entediada.
-Não fuja
da minha pergunta. Quem mais está envolvido nisso? Você não tem mais nada a
perder. Você já foi pega em flagrante, não vai ter nem um centavo daquela
família e provavelmente não vai sair dessa prisão tão cedo. Então vamos
descomplicar logo isso.
-Eles já
estão bem longe há uma hora dessas. Vai ser inútil eu falar alguma coisa.
Agora, eu quero sair daqui.
O investigador bufou impaciente. -Isso aqui
não é uma brincadeira, Cyrus. Nesse lugar, você estará longe de ditar as
regras. - me advertiu já perdendo aquela calma de antes. Eu revirei os olhos em
resposta.
-Eu não vou falar. E nem adianta insistir
comigo outras vezes.
Com apenas
uma mão, Peterson me pegou pelo maxilar e o puxou para cima para eu poder
encarar seus olhos acinzentados e sérios. -Você não é uma bandida qualquer. E é
por isso que eu estou aqui, te acompanhando de perto. Mas saiba também que FBI
não é como uma simples equipe de policiais. Não brinque com fogo.
-Eu estou pouco me fodendo se vocês são a FBI
ou não. Se eu não quiser contar, eu não vou contar!
Ele apertou mais o meu maxilar e fiz uma
careta de dor. - Fale antes que...
-Antes que
o que? - eu o interrompi, me atrevendo em provocá-lo. - Que me torture? Que me
bata? Ou que me abuse? Já ouvi histórias interessantes sobre presídios. Mas
nunca ouvi falar sobre o que os engomadinhos da elite policial podem fazer
comigo. O meu advogado vai adorar saber disso. Ele encarou um pouco hesitante a
guarda que ainda estava a postos na porta, e que provavelmente nos assistia
atenta. Ele me lançou um olhar de desprezo e soltou o meu rosto.
-Mande-a para a sua cela. - ele ordenou à
mulher atrás de mim, aparentemente impaciente. Eu sei que eu posso estar
encrencada com ele. Mas eu também sei me colocar em meu lugar. Pelo menos
agora, Peterson e seus coleguinhas sabem que eu não sou do tipo que me submeto
a policiais. Sejam de onde for.
A policial
me algemou novamente, depois de eu ter levantado da cadeira por espontânea
vontade. Levei mais uma vez o olhar para o agente antes de sair da sala.
Intrigado, Peterson me observava com intensidade, analisando cada movimento
meu. Aposto que estava pensando em o que fazer comigo antes que eu vá ao
julgamento. Mas ele tem muito tempo para isso. Pelo jeito, ainda há muito que
investigar e analisar sobre os fatos.
Me
segurando pelo braço, a policial me guiava pelos corredores monótonos da enorme
prisão até finalmente chegar uma sequencia de grades após grades de segurança
que levariam aos corredores das celas. A cada passo que eu dava em direção
aquele lugar, minha consciência gritava para eu dar meia volta e correr. Eu
deveria estar preparada para isso. Por dentro, eu sempre me conformava com a
possível possibilidade de ser presa. Desde que eu conseguisse me vingar do Paul
Jonas. Eu não via muitas coisas a perder. Não até agora. Não agora em que eu
achei algum motivo para fugir disso tudo. Eu quero me socar. Eu poderia muito
bem ter evitado tudo isso sendo corajosa o suficiente para contar para o meu
tio, sem medo da sua reação. Mas eu fui covarde demais para fazer isso. Pisquei
forte, tanto espantar esses pensamentos. Chega! Esse é o lugar onde eu devo
estar por tudo o que fiz. Nick nunca poderia ficar comigo de qualquer jeito.
Ignorei o aperto que senti no coração. Uma hora eu teria que abrir os olhos de
novo para realidade.
Finalmente chegamos ao extenso corredor das
celas. Mulheres estranhas me encaravam de todos os lados por trás daquelas
grades. Algumas me viam como uma nova refeição. Ou como um novo saco de
pancadas. Quero saber quem foi o imbecil que achava que a prisão feminina é
melhor do que a masculina. Só quem é realmente envolvido com crimes sabe que é
bem pior. Homens são mais violentos, mas as mulheres conseguem ser muito mais
manipuladoras, calculistas e maldosas. Bom, eu sou um exemplo disso. Agora eu
vou ter que lidar com várias versões feiosas de mim pelo resto da vida. Que
ótimo!
Tentei não
demonstrar muita preocupação em relação a isso. Minha expressão estava vazia,
talvez possa parecer até um pouco arrogante pela minha imparcialidade. Fingi
não escutar as provocações que diziam para mim.
-O que a
Miss Califórnia está fazendo por aqui? Por acaso roubou a bolsinha Chanel da
sua amiga? – uma mulher alta com um piercing na sobrancelha fez piadinha. As
outras ao seu redor riram acompanhadas dela. Bando de vacas. Era evidente que a
maioria delas me subestimavam pela minha aparência. Comparada às outras, eu era
bem menor e delicada. Além da questão da beleza, já que a maioria delas estão
muito mais descuidadas por causa das drogas ou pelo tempo em que estão aqui.
Elas me viam como um bichinho fofinho e indefeso no meio de uma selva. Eu não
posso deixar de me assustar um pouco com isso. Mas é claro que não vai ser
necessário demonstrar esse medo.
Todas
estavam com as roupas parecidas com as minhas. Uma calça azul de malha e uma
camiseta branca simples. Como o restante das presidiárias, meus cabelos longos
estavam presos em um rabo de cavalo. Poucas têm o cabelo tão comprido quanto o
meu. Acho que são novas. Ouvi falar que há um dia do ano em que cortam o nosso
cabelo por questão de higiene.
A policial
parou o seu caminho e eu parei junto. Ela verificou o seu molho de chaves e
identificou uma pelo número. Abriu uma das celas e antes de me dar passagem
para entrar, soltou as minhas algemas. Eu caminhei para dentro do pequeno
espaço e ouvi a grade se fechar atrás de mim. Não posso chamar de um ovo. Sei
que existem celas bem piores do que isso. Lá tinha alguns beliches, uma mesinha
com revistas e livros velhos e logo no canto tinha um espacinho isolado,
provavelmente para aliviar as necessidades. Pelo menos o essencial, né? Vi que
havia uma cama na parte de cima do beliche que tinha roupa de cama nova, ainda
dobrada. Acho que essa é a minha.
Minha
atenção desviou da mobília mínima ao meu redor quando eu percebi alguns olhares
sobre mim. Eu tinha três novas colegas de cela. Uma delas é uma baixinha
gordinha que me lembrava uma tia que eu tinha no Tennessee, mas a diferença é
que ela não tinha uma tatuagem de tigre no braço. A outra me lembrava uma
corredora de maratonas. Tinha a pele cor de café, era alta e tinha um corpo
magro, mas forte. A outra parecia só mais uma drogada punk. A baixinha era a
única que me olhava estranho, como se eu estivesse roubando algo seu. As outras
me encaravam com curiosidade.
-Bem-vinda,
novata. – a garota punk quebrou o silêncio. – O que você fez?
-Essa é
sempre a primeira coisa que vocês perguntam? – eu perguntei. Fala sério, isso é
tão clichê.
-É um dos
únicos assuntos interessantes que tem por aqui. – a baixinha falou. – Ou você
acha que nós vamos perguntar qual é o nome da cor do seu esmalte?
-Por que
todo mundo acha que eu sou uma patricinha? – eu cruzei os braços. – Por acaso
você me viu carregando um poodle de vestido rosa?
A mais
alta riu. – Garota você parece uma Barbie marrenta. É obvio que nós vamos
pensar isso.
-Eu sou
uma criminosa. – falei o obvio.
-Não te
impede de ser uma patricinha fora da lei. – a punk deu de ombros. Ok, essa
conversa não está mais fazendo sentido...
-Enfim,
vai contar ou não? – a morena perguntou curiosa.
-Eu sou
uma golpista. Bom, eu me infiltrava em algumas famílias ricas da Europa para
roubar dinheiro ou joias muito caras. Mas quando eu vim fazer o meu ultimo
golpe aqui em Los Angeles, me pegaram. – falei enquanto subia no beliche para
me sentar na ponta da minha cama.
-Espera
aí, você é a tal ladra de corações? – a mesma mulher alta, me perguntou
entusiasmada. – Ei, eu já ouvi falar de você! Não sabia que você tinha vindo
para cá.
-Como você
sabe de mim? – eu perguntei mais interessada.
-Eu
trabalhava para uma gangue daqui. Nós tínhamos contato com outras gangues
internacionais. E bom, muitos deles falavam de você.
-Em quem
você queria fazer o golpe aqui? – a punk questionou.
-Na
família Jonas.
-Qual dos
irmãos você deu o bote? – perguntou a morena com um sorrisinho malicioso.
-O mais
novo.
-Por que
você não pegou aquele modelo? – a gordinha questionou indignada. – Ah se eu
tivesse a chance de agarrar aquele moreno gostoso! – eu ri, imaginando a cena
cômica daquela cinquentona pequenininha atacando o Joe. Meu Deus!
-Você não
viu o mais novo? Eu sei que ele é muito pirralho para mim, mas eu não teria
problema nenhum em ser chamada de pedófila se eu estivesse com aquele deus
grego na cama! - a morena disse. Pelo visto os Jonas também tinham fama por
aqui. Pode ter sido até uma brincadeira, mas eu senti um pouquinho só de ciúmes
em pensar que não só ela, mas como muitas outras mulheres de Los Angeles devem
ter esse desejo.
A punk
rolou os olhos. – Vocês e seu fogo interminável... Será que vocês não conseguem
não pensar em um minuto sobre homens?
Resumindo
o resto da conversa. As três continuaram a discutir quais jovens ricos elas
dariam o golpe só para tirar uma casquinha. Quer dizer, menos a Tiffany, a
punk, que era lésbica. Ela fazia a sua lista feminina de possíveis vítimas. A
Tiffany, como eu imaginava era envolvida com o tráfico de drogas. Mais
especificamente de Molly, que é uma droga muito popular em Los Angeles. A
baixinha mais marrenta era a Cassie. Ela também se envolveu com o tráfico, mas
foi presa porque foi pega em flagrante numa cena de assassinato da namorada do
seu ex-marido. E por fim, a Catherine que trabalhava para uma gangue bastante
conhecida foi pega junto com três parceiros de crime em um dos golpes de um
banco. Apesar de não serem agressivas comigo, as três me advertiram sobre certos
grupos de presidiárias daqui que não prestam nenhum pouco e que eu devo ficar
na minha se não quiser confusão. Como se a confusão já não andasse do meu lado
por vontade própria.
Nick
Narrando
Depois de
voltarmos da delegacia para o depoimento de todo mundo da família, voltamos
para casa num silêncio esmagador. Todo mundo disse o que já era de se esperar.
Fomos pegos de surpresa por eles, pois ninguém desconfiava de nada. Inclusive
eu e o Joe mentimos. A minha vontade era de jogar toda a verdade de uma vez,
mas seria burrice minha fazer algo assim. Meu pai é milionário. Todo mundo
faria o que ele bem quisesse, independentemente da sua inocência ou não. Eu
estava com tanta raiva dele, que eu nem conseguia olhar para sua cara.
Ninguém se
deu o trabalho de falar alguma coisa comigo também. Acho que a tensão entre nós
era bem perceptível, então cada ficou em seu canto. Nem mesmo Christine quis
dizer um pio ao meu pai, Acho que ela ainda está chocada demais sobre a verdade
que o Steve contou para toda a família. Ela está certa. O homem com quem ela
deita toda noite já foi responsável por aquela covardia. Pelo menos agora eu
sei que ela não é comprada assim tão facilmente.
-Nick,
eu... – ouvi a voz do meu pai falar e senti sua mão pousar em meu ombro. Eu nem
mesmo me virei. Ignorei o que tinha para dizer e segui o caminho para o meu
quarto. Eu quero discutir mais nada hoje. Preciso botar minha cabeça no lugar.
Preciso pensar no que fazer.
Três dias
depois...
Bati
algumas vezes na porta de seu quarto. Antes mesmo de uma resposta, passei a mão
no cabelo, um pouco desconsertado. Bom, eu não sei exatamente como eu posso
falar isso. Acho que o melhor jeito é falar tudo de uma vez.
-Pode
entrar. – ouvi a resposta do meu pai.
Abri a
porta que estava encostada e avistei meu pai terminando de amarrar seu sapato
para jogar golfe. Como é que ele consegue ter cabeça para jogar golfe no meio
disso tudo que aconteceu?
-Nick! –
ele se surpreendeu com a minha presença e abriu um sorriso. Bom, ultimamente o
tenho falado o mínimo possível com ele. Então apenas o fato de eu estar
interessado em conversar sobre alguma coisa já é uma novidade.
-Preciso
que você contrate um advogado. – eu fui direto. – Dos bons.
-Ah... –
vi a sua expressão facial murchar. Era óbvio que eu não tinha muita coisa
interessante para conversar com ele. – Mas você tem um, lembra? Fique tranquilo
pois ele é um ótimo advogado!
-Você não
entendeu. – eu disse me recostando numa mesa que tinha debaixo de um espelho de seu quarto. - Eu não quero
um para mim. Eu estou falando de um para a Miley. E ela precisa de um excelente
advogado.
-O que?! –
ele levantou a voz, perplexo demais com o meu pedido. – Você enlouqueceu? Você
viu o que essa garota e aquele Steve fizeram com a nossa família? Se não fosse
por aquela briga entre os dois nós estaríamos mortos.
-Se não
fosse por ela,– eu aumentei meu tom de voz também, me aproximando de Paul. –
nós estaríamos mortos. A Miley escolheu matar o próprio tio para salvar a minha
família porque ela me ama! E eu a amo também.
-Não é
possível, você tem sérios problemas. – o meu pai disse com as mãos sobre a
cabeça. – Ela não te ama, Nicholas! Coloca isso na sua cabeça. Ela é uma
assassina. A Miley nos enganou esse tempo todo. O amor dela não era sincero.
Uma pessoa como ela não é capaz de amar alguém! E se já não bastasse essa ideia
estúpida, você acha que eu vou pagar um advogado para aquela vigarista só
porque ela matou o tio?
-Não, você
tem que pagar um advogado para ela porque é o mínimo que você tem que fazer
depois de toda a merda que você fez na vida dela. Ou você acha que todos nós
nos esquecemos da história de como você conseguiu essa empresa?
Vi que ia
puxar o ar para dizer mais alguma coisa antes de eu ter rebatido. Mas ele
engoliu todas as suas palavras diante das minhas. Ele sabia que eu tinha razão.
-Se ela é
uma vigarista assassina, você é o culpado por isso. – eu continuei. – Você não
acha que ela simplesmente poderia contar todo o motivo dela estar naquela
prisão para os investigadores? Se eu fosse ela, seria a primeira coisa que eu
faria. Mas ela não disse. E então?
-Não. – ele
respondeu baixo. – Não vou fazer nada por ela. Se a Miley escolheu essa vida de
crimes, foi por escolha dela. Eu não a obriguei a fazer nada do que ela já fez.
Eu o
encarei intensamente. Ele sabia muito bem o quanto de magoa que eu sentia.
-Você não é
obrigado a amá-la só porque sente pena dela. – ele continuou. Cretino.
-Eu não
sinto pena dela. Ela não é uma pobre coitada para eu sentir pena. A Miley é a
mulher que eu amo. E só porque você não aceitou o meu pedido de ajuda, não quer
dizer que eu desisti de fazer alguma coisa por ela.
-Tudo bem.
Pode fazer o que quiser, mas sem nenhum tostão meu. Eu não vou te dar mais
mesada nenhuma.
-Ok,
foda-se. Eu me viro. Não preciso do seu dinheiro podre. – eu disse saindo do
quarto.
-Então o
que vai fazer? Roubar do jeito que a sua namoradinha ensinou? – ele perguntou
transbordando ironia.
-Talvez.
Quem sabe eu encontre um imbecil rico que nem você para assaltar? – eu rebati sarcástico
um pouco antes de bater a porta atrás de mim.
Eu não
faço ideia do que eu posso fazer. Preciso encontrar uma solução rápida. Alguém
que possa me ajudar. Eu sei que estou prestes a fazer uma loucura, mas preciso
de alguma solução. Essa é a única que consigo ver. Desci as escadas correndo até
chegar à garagem. Peguei as chaves que estavam em meu bolso e desativei o
alarme do meu Ashton Martin. Se eu não me engano eu me lembro de uma conversa
da Miley e do Steve em quais pontos os parceiros do Black Bull estão
espalhados. É melhor que algum deles esteja naquele lugar.
-----------------------------------------------------------------------------------------
Oi
genteeeeee! Mil desculpas pela demora, desculpa mesmo! Eu sei que demorei bastante
para postar e fiquei por um bom tempo sem comentar em alguns blogs. Eu e minhas
amigas tínhamos montado um grupo de dança para poder apresentar no festival de
dança lá do colégio. O tempo também ficou super apertado até para os ensaios e
ficou tudo para cima da hora. Então faltando uma semana para o festival, a
gente usou o máximo do nosso tempo livre ensaiando. Quando eu chegava em casa,
eu já estava mortinha! E ainda teve logo depois a semana de provas (que por
sinal todo mundo deixou para estudar na ultima hora por causa da dança). Ou
seja, tempo livre zero! Só agora nesse feriadão que eu consegui terminar de
escrever esse capítulo e me atualizar em alguns blogs (não todos ainda). Então
desculpa qualquer coisa, ok? :D Espero não deixar mais vocês na mão! Espero que
tenham gostado do capítulo. E oh, atenção aí! Falta bem pouquinho para
temporada acabar. O capítulo 36 será o final. Mas fiquem de boas que vou logo
postar o ultimo capítulo com a sinopse ou até mesmo um prólogo da segunda
temporada, mas o prólogo vai depender do meu bom humor. E vocês sabem que
quantos mais comentários, melhor o meu humor fica ;D haha Então não deixem de comentar!
Beijos!!!
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Capítulo 32 - This is the end
Oi gente!!! Tudo bem com vocês? Já postei mais um capítulo! Estamos quase no finalzinho da primeira temporada, então por favor, não deixem de comentar! Vamos lá né, gente? Espero que gostem do capítulo 32!!!
Boa leitura!
obs: Eu não conseguir colocar cor nas letras hoje, porque o blogger está de palhaçada comigo. ¬_¬ Caprichem nos comentários!!!!
Beijos
Boa leitura!
obs: Eu não conseguir colocar cor nas letras hoje, porque o blogger está de palhaçada comigo. ¬_¬ Caprichem nos comentários!!!!
Beijos
Steve Narrando
Ansiosamente
eu esperava do lado de fora do banco o Nicholas sair e finalmente confirmar o
desvio do dinheiro para a minha conta. O banco aceitou a manipulação da conta
pelo herdeiro de Paul, obviamente graças à autorização do próprio empresário. O
Jonas mais novo, ainda se resolvia lá dentro com um dos funcionários do
renomado banco. Sim, é claro que o forcei.
O
chamei pelo telefone para uma conversa pessoalmente sobre a Miley. Especulando
que a própria Miley tenha me contado, o Nicholas veio até mim para uma conversa
pacífica. Mas o que ele não imaginava é que eu não estava nem um pouquinho
interessado numa conversa sobre o namoro dos dois. Porque não haveria mais
namoro nenhum. Eu sei que ele deu um de espertinho, e quis usar um papo que a
amava para a Miles cair e acreditar, como uma imbecil, para desistir do golpe.
Fala sério, era obvio que ele não a amava! Ele faz parte daquela linhagem podre
dos Jonas. O Nicholas, como todo homem, tem o seu orgulho. A Miley o traiu com
o próprio irmão e ainda o usou para dar um golpe no seu próprio pai. Não era de
se imaginar que teria o seu próprio plano para dar o troco à minha sobrinha.
Mas
eu não me esqueci do porque que eu estou aqui em Los Angeles. Minha paciência
está se esgotando, então nada melhor do que resolver dois problemas de uma vez
só. O ameacei com uma arma e o avisando que só uma ligação poderia levar meus
capangas para fazer um grande estrago naquela família. Portanto, ele teve que
fazer o que eu quero.
De
dentro do carro, avistei o próprio Nick sair do banco com um comprovante nas
mãos. O seu semblante carregava raiva enquanto se aproximava no carro. Saí do
automóvel para conversar frente a frente com ele. Peguei o comprovante das suas
mãos. E ali estava a confirmação que todo o dinheiro foi desviado para a minha
conta. Eu abri um sorriso satisfeito.
-E
então? É só isso que você queria? – ele me perguntou seco.
-Era.
Pelo menos você serviu para alguma coisa. – eu disse guardando o papel em meu
bolso.
-Onde
a Miley está? – ele perguntou autoritário. Esse garoto está se achando demais.
-Está
em casa. Ela está fazendo o trabalho dela de desviar o dinheiro da conta
bancária que o seu pai tem no exterior. Ela tem que fazer isso por telefone. É
muito mais complicado do que você imagina. – eu sei que eu estou mentindo, mas
eu não estava muito a fim de dar esperanças para ele.
-É
mentira! Ela desistiu do golpe. Ela mesma me contou. Onde que a Miley está? Se
você fez alguma coisa com ela eu acabo com você! – o pentelho do Nick se inflou
de poder.
-A
segurança da sua família ainda está em minhas mãos. Então é melhor você
diminuir essa sua marra senão vai se arrepender amargamente por isso. E sobre a
Miley, você tem que deixar de ser idiota! Que mal que eu faria para minha
sobrinha? Eu nunca culparia por estar apaixonada por você. Mas a questão é que ela
não está. – Seu semblante mudou. A raiva que ele tinha de mim, foi substituído
talvez por... decepção. - Ela só fez isso para te distrair um pouco e perder o
foco dos nossos planos. E realmente deu certo. Agora cala essa sua boca e entra
no carro. - eu abri a porta de trás do carro para ele entrar logo.
Nicholas
hesitou em entrar no carro novamente. Provavelmente estava desconfiado com o
que eu faria em seguida, mas eu o empurrei carro adentro antes que comece com
alguma palhaçada. Se ele estava com alguma suspeita sobre mim, ele estava
certo. Não iria simplesmente roubar todo o dinheiro e levar a Miley embora. Ela
é teimosa, nunca iria se o que a interessava estiver aqui. Ela precisa
esquecê-lo por bem ou por mal. Mas eu sei que com ela sempre tudo é mais
complicado.
Entrei
novamente no carro e me sentei sobre o banco de motorista. Liguei o motor, já
com tudo planejado na cabeça.
-Nós
estamos indo para onde? – perguntou o Jonas, curioso.
-Para
a sua casa, ou você acha que eu vou dar mole em deixar alguma testemunha? –
respondi.
Pelo
retrovisor, avistei Nicholas reagir, tentando se levantar do banco para fazer
alguma coisa, mas o Richard, que estava ao seu lado, apontou a sua arma para
ele. No mesmo instante em que viu a pistola apostos, Nick se aquietou e se
sentou novamente sobre o banco.
-Você
ainda vai se dar muito mal! Nós temos um sistema de segurança naquela casa. Se
os seguranças não te impedirem, a polícia vai ser chamada. – ele respondeu
ainda revoltado.
-Eu
sei que têm. E é por isso que fizemos amizade com um dos seguranças. Na
verdade, o principal. Eu não preciso me preocupar com isso.
Miley Narrando
Não
dava mais tempo para pensar em alguma solução lógica, acho que nem se eu
tivesse tempo eu conseguiria raciocinar carregando tanto nervosismo. Eu só conseguia
pensar nele. Será que Nick está bem? O que ele deve estar pensando de mim agora
se eu não fui capaz de impedir o meu tio de finalizar o golpe? Ele deve estar
me odiando agora mesmo.
Corri para a garagem e me dei conta que não
havia carro nenhum. É obvio. O antigo foi destruído no acidente. Se houver um
novo com toda certeza está com o Steve. E agora? O que eu faço? Chamar um taxi
está fora de cogitação. Não tenho como ficar esperando alguém me buscar. Bom,
acho que vou ter apelar para a sorte. Corri para fora de casa, a trancando
apressadamente. Andei com rapidez pelo quarteirão, até eu me deparar com um
homem saindo da sua casa e destravando o alarme do seu automóvel. Aumentei o
ritmo dos meus passos, até chegar ao homem que me encarava desentendido.
-Eu
sei que pode parecer estranho, mas eu tenho uma urgência e preciso pegar o seu
carro emprestado. – eu falei rapidamente, confundindo ainda mais o cara a minha
frente.
-Olha
só, eu preciso ir para uma reunião importantíssima com o meu cliente agora, eu
não vou te emprestar o meu carro. Eu nem te conheço, sua louca! – ele respondeu
grosseiramente. Ok, eu também agiria da mesma forma. Quem seria o retardado que
emprestaria o carro para um estranho?
-Eu
não posso perder muito tempo, então será que você pode entregar essas chaves,
logo? – eu insisti impaciente.
-Não!
– ele respondeu com um tom de voz como se fosse uma coisa óbvia.
Eu
nunca agiria desse jeito se não fosse uma emergência. Não tenho muita coisa a
perder agora, então eu não preciso me preocupar com o disfarce de boa menina.
Eu puxei o revolver que se encontrava no cós da minha calça e o apontei para o
coitado. Os seus olhos quase saltaram do seu rosto quando avistaram a minha
arma.
-Agora
dá para me dar a porra do seu carro ou eu vou ter que disparar um tiro para
conseguir alguma coisa? – eu aumentei o meu tom de voz, o deixando cada vez
acuado. Assustado com a ameaça, o homem me entregou as chaves sem nem mesmo
parar para pensar.
Eu
abri a porta do carro prateado, enquanto o engomadinho me encarava paralisado
ainda na calçada. Guardei o meu revolver 838 no porta-luvas, para não ser
visível para as pessoas da rua. Liguei o motor e dei uma partida tão rápida que
os pneus cantaram sobre o asfalto. Não fazia ideia em qual velocidade eu me
encontrava. Eu nem queria prestar atenção nesses detalhes, diante da minha
preocupação. Eu já fiz outros golpes com o Steve. Quando era preciso, matávamos
quem quer que fosse. Não tínhamos muita hesitação ou misericórdia ao fazê-lo.
Nada poderia ficar no caminho do nosso objetivo. E se o meu tio realmente tiver
descoberto sobre mim e o Nick, com toda a certeza, o Nicholas já virou mais do
que uma pedra no seu caminho.
Ultrapassei
todos os sinais vermelhos. Desviei de alguns carros lentos e obstáculos
importantes que para mim, nesse momento, eram inúteis. Tentei não pensar no
pior. Eu estava numa tentativa inútil de acalmar o meu coração acelerado e ao
mesmo tempo pesado. Eu não só teria que encarar o Nick, mas o Paul. Como ele me
veria se descobrisse o que realmente sou? Já me fiz tantas vezes essa
pergunta... Eu sempre me imaginava numa posição gloriosa, finalmente me
vingando de tudo o que aconteceu em Nashville. Mas agora mais nada disso
importa.
Cheguei
finalmente à imensa mansão dos Jonas. Não havia nenhum segurança nos portões.
Senti um calafrio na coluna. Nenhum segurança apostos. A casa estava
vulnerável. Parei o carro e me dei o trabalho de tentar abrir. Não precisei de
nenhum esforço, pois os portões estavam encostados. Entrei o carro e os fechei
novamente. Deixei o automóvel roubado ali mesmo, apenas me preocupando em
buscar o meu revolver. Corri pelo caminho de pedras que tinha ao redor de um
chafariz. Eu costumava ver essa casa elegante e triunfante, mas agora carregava
um ar fantasmagórico esmagador. Lá no fundo, eu sabia que aconteceriam coisas
nada boas nesse lugar. Subi as poucas escadas da entrada até abrir a porta que
estava encostada e me deparar com dois caras da nossa quadrilha. Os vários
empregados da família estavam agrupados como reféns. Provavelmente para se
certificarem que nenhum deles chamaria socorro. Os capangas se assustaram com a
minha chegada de supetão. Não imaginariam que chegaria alguém há essa hora,
pois toda a família já se encontrava dentro da casa.
-O
que você está fazendo aí? – Kyle perguntou desconfiado. – Eu pensei que o Steve
não quisesse que você soubesse disso.
-Não,
ele não tinha me chamado porque eu estava resolvendo outros problemas com o
Chad. Sabe como é, sobre a nossa fuga. – eu juro que não acreditei que aquilo
saiu da minha boca. Eu nem sei como eu consegui preparar uma desculpa tão boa.
– Ele me disse que me ligaria quando chegasse aqui. Vocês sabem que eu não
posso perder esse espetáculo, né?
Ele
e o Richard pareceram um pouco confusos, mas logo caíram na minha conversa.
Kyle concordou com a cabeça e respondeu com um sorrisinho de lado.
-Então
é melhor se apressar. Toda a família Jonas está reunida lá em cima. Acho que
eles estão no quarto do Paul.
Eu
assenti e desandei a subir rapidamente pelos degraus da enorme escada de
mármore. O ar parecia cada vez mais rarefeito, fazendo quase implorar por mais
oxigênio. E eu sabia que não era por causa do esforço físico. Me localizei
facilmente pelo corredor e fui até a porta fechada do único cômodo que eu não
tinha entrado naquela casa. Girei a maçaneta e abri a porta. Lá estavam eles. O
Nick sendo contido pelo Tony, que o segurava pelos braços por trás de seu
corpo. Joe, Paul e Christine estavam sentados sobre a cama e não estavam paralisados
por ninguém. Nem tinha necessidade, pois estavam em choque graças à visão do
meu tio com uma arma na mão. A loira soluçava baixinho, assustada demais com a
sua situação.
Steve
dizia alguma coisa quando eu o interrompi, adentrando o cômodo. A tensão
naquele quarto era quase tocável. Nick parou de lutar contra os braços do Tony
e me encarou surpreso e ao mesmo tempo triste.
-Tio
Steve... – minha voz saiu falha.
-O
que você está fazendo aqui? – ele perguntou irritado. – Quem foi o infeliz que
te contou que eu estava aqui?
-Eu
sabia que ela tinha se recusado a isso. – Nick comentou. – Miley, com ele não
há mais acordo nenhum. – ele disse com uma voz de lamento. Eu sabia o que ele
queria dizer. Mas eu tentei ignorar essa frase. Eu vou dar algum jeito. Pensa
rápido, Miley. Pensa rápido!
-Agora
não importa, Steve. Eu vim aqui para terminar logo com isso. – eu direcionei
meu olhar para o Paul. Ele me encarava com tanta surpresa que chegava a estar
horrorizado.
-Miley,
você é mesmo a garota...? – ele perguntou para mim.
-Sou
eu mesma. – confirmei tentando parecer fria, mas as emoções pareciam borbulhar
em meu sangue. – Feliz pela surpresa? – perguntei irônica.
Pelo
visto, Steve já deve ter contado uma boa parte da história para eles. O fazendo
se envergonhar da frente da própria família e jogando na sua cara com prazer
sobre a sua vingança.
-Miley,
precisamos ter uma conversa muito séria. – Steve começou a falar com uma ira
carregada em sua voz.
-Eu
sei, mas antes eu quero que ele saia. – apontei para o Tony. – Ele não tem nada
haver com isso e não quero que intrometa no nosso assunto.
-Mas
eu só estou aqui para segurar o Nicholas que ta resistindo desde que chegamos
aqui. – o capanga se justificou.
-Eu
não quero saber. Isso não é assunto seu. Além do mais, ele vai ficar quieto,
não vai? – olhei para o Nick com um olhar cumplice, e ele assentiu.
-Tudo
bem, pode ir. Por que você não fica lá embaixo para ajudar os outros? Nisso ela
tem razão. Isso aqui é assunto nosso. –meu tio disse ainda um pouco nervoso.
O
Tony cedeu com um suspiro depois da permissão do meu tio. Os braços do Nick
foram soltos e logo o nosso parceiro de crime tinha saído do cômodo. O meu tio
se virou para mim com um olhar acusador.
-Então?
Você vai tentar me impedir de terminar o golpe? Você pode até querer, mas não
vai conseguir. Eu também tenho interesse nisso. – Steve começou com o seu
discurso. – Você não pode desfazer tudo isso por causa dele. – Steve apontou
para o Nick. – Ele é um Jonas, Miley!
Eu
sabia que todos da família nos encaravam perplexos com o começo da nossa
discursão. Mas eu não deixaria que essa briga dar continuação.
-Eu
sei. – eu disse simplesmente. – É por isso que eu estou aqui. Eu vim finalizar
o golpe com você. Eu simplesmente não posso controlar o que eu sinto pelo Nick.
Mas eu descobri que a honra do meu pai pesa muito mais. – eu disse com lágrimas
ameaçando cair dos meus olhos. – Eu quero, sim, que o Paul pague por isso.
Desacreditando
nas minhas palavras, meu tio perguntou. – Se você voltou atrás mesmo, e quer se
vingar do Paul, você sabe muito bem o que eu quero fazer agora para atingi-lo,
né?
-Não!
Faça qualquer coisa, Steve, mas não coloquem os meus filhos nessa história.
Eles não faziam ideia do que eu fazia, eles não têm culpa de nada. Por favor,
pode levar todo o meu dinheiro, pode me sequestrar, qualquer coisa, mas não
machuque meus filhos! – Paul pronunciou desesperado e pela primeira vez na
vida, vejo lágrimas ameaçarem cair dos seus olhos e o seu poder e seu ego
finalmente contidos por nossa causa. Eu deveria ficar feliz, não é? Era o que
eu sempre quis ver. Paul implorando por piedade. Mas tudo o que fez foi alargar
o buraco em meu peito.
Steve
ignorou o pedido do nosso antigo inimigo com um sorriso sarcástico. –Você nos
arrancou o meu irmão mais velho sem nem mesmo nos dar uma chance de nos
despedir, então por que nós deveríamos te dar uma chance? – eu senti minha mão
gelada e o meu rosto esquentar.
Tentei
não olhar para o os olhos inquietantes de Nick que pairavam sobre mim. Eu
desabaria se eu os encarasse agora.
-Nem
você, Miley? – ouvi a voz repugnante de Paul me chamar pelo nome.
-Não.
– respondi cortante. – Se você quisesse justiça, você não teria feito o que
fez.
-Então
você está mesmo de acordo com o que eu estou prestes a fazer? – perguntou o
Steve desconfiado. Encarei os seus olhos azuis quase idênticos aos meus. Era a
única saída. Eu assenti como resposta. Não, eu não estou. Sinto muito, tio
Steve.
-Desde
que eu faça isso. Eu que quis dar esse golpe desde o começo, então eu vou
termina-lo.
-E
seu amor pelo Nicholas? – sussurrou o meu tio para mim.
-Eu
preciso arrancá-lo de mim antes que eu me arrependa. O ódio por essa família
ainda é maior. – respondi no mesmo tom. – Mas para isso eu mesma tenho que
fazer com as minhas próprias mãos. Só desse jeito eu vou esquecê-lo e só não
vai passar de mais uma vítima. Eu prometo.
Steve
me fitou um pouco hesitante, mas logo cedeu quando percebeu a minha
persistência.
-Se
for assim... – ele deu espaço para mim.
Meus
dedos gelados alcançaram o revolver que estava no cós da minha calça. Eu juro
que conseguia ouvir as batidas fortes do meu coração. Na verdade, era a única coisa que eu
conseguia ouvir. Meu olhar se levantou e foi forçado a se direcionar ao seu. Os
pontos brilhantes cor de ébano me fitavam de uma forma que eu não conseguia
explicar. Ele estava completamente confuso com a minha escolha. As batidas
aceleravam conforme passavam os segundos. Levantei a arma para a direção do
Nick. Todos me fitavam horrorizados, implorando para que eu não fizesse isso,
com a exceção de Steve, é claro.
Eu
só tenho uma escolha a fazer e estou decidida no que quero. Deixei cair uma
lágrima solitária. Eu não queria que as coisas chegassem do jeito que chegou.
Mas já que estou aqui, tenho que fazer o que acho que é o melhor. Movimentei o
meu braço estendido para o outro lado rapidamente. Antes mesmo de pensar em
mais alguma coisa, puxei o gatilho. Um grito agudo de Christine tomou conta do
ambiente quando o tiro foi disparado. Com um nó na garganta, encarei Steve
jogado no chão. Era ele ou Nick. Eu nem cheguei a raciocinar antes de decidir.
Olhei
por mais um tempo o corpo estirado no chão. Meus olhos começaram a marejar.
Não, eu não estou arrependida. Se eu não fizesse isso, sem dúvida o meu tio
faria um estrago bem maior. Mas era o tio Steve! Desviei a minha atenção para o
Paul que ainda estava perplexo com o que acabou de ver. Ele percebeu logo de
cara o meu olhar sobre ele.
-Feliz?
– eu perguntei com um sorriso sarcástico, mas a minha voz saiu cheia de magoa. –
Parabéns, você conseguiu criar um monstro! – eu vociferei. – Se eu sou capaz de
matar alguém com tanta facilidade, isso é graças a você! – eu aumentei meu tom
de voz. Tentei engolir um soluço de choro.
-Eu
só queria aquela empresa. Eu nunca tive a intenção de fazer o que fiz. Mas as
circunstâncias me forçaram a isso. – ele justificou. Como esse homem me dá
nojo.
-Então
a vida de alguém vale uma empresa? A sanidade e a felicidade de alguém vale uma
merda de empresa? – eu perguntei, ou melhor, gritei mais do que indignada com a
sua desculpa. –Pelo menos agora você sentiu só uma prévia do que senti. Tirar a
vida de alguém que você ama por causa de dinheiro é... – mais lágrimas correram
pelas minhas bochechas. – é
inconsolável.
E
o pior de tudo é que eu tive a capacidade de fazer coisas desse tipo com outras
famílias. Mas eu não ligava. Para mim era tudo por um objeto maior. Que, na
verdade, não me levariam a nada.
Não
aguentando mais ficar naquele ambiente sufocante, guardei a arma de volta no
cós da calça e atravessei o enorme quarto e fui até a varanda, para conseguir
colocar a cabeça no lugar, para conseguir pensar no que vou fazer a partir de
agora e para amenizar a onda de sentimentos que me atingiu. Me apoiei sobre o
parapeito da varanda. Respirei fundo o ar do lado de fora da casa, tentando
segurar a vontade chorar. Foi o melhor a fazer, tentei convencer a mim mesma. E
essa afirmação foi confirmada quando senti braços reconfortantes ao redor do
meu corpo. Era como se os meus ombros fossem libertos de um peso insuportável
só com aquele toque. Soltei um suspiro aliviado. Me virei de frente para o Nick
e me aconcheguei no seu abraço.
O
calor do seu corpo me acalmou um pouco. Era bom saber que eu tinha alguém para me
apoiar. Senti um beijo seu no topo da minha cabeça.
-Obrigado.
– ele sussurrou. – Você esqueceu totalmente aquela vingança para salvar a minha
família por mim. Eu sempre vou ser grato por isso.
-Acho
que mais nada a partir de agora vai sair conforme os nossos planos. – eu disse
me afastando um pouco para olhar nos seus olhos. – Eu tenho que ir embora hoje
mesmo. Eu não posso ficar nessa cidade depois de tudo o que aconteceu. – eu
falei decidida.
-Eu
vou com você. – ele respondeu na mesma hora, acariciando a minha bochecha.
-Nick,
mas você tem a sua faculdade. Eu não posso atrapalhar toda a sua vida só para
você me acompanhar... – a minha frase foi interrompida quando ouvi sirenes
altas de polícia. Avistei dali mesmo, os meus parceiros de crime entrarem num
carro correndo e o partindo na maior velocidade possível. O portão foi aberto à
força pelo veículo rápido. Nick me puxou pela mão de volta para o quarto. Era
tudo tão rápido que não havia nenhuma ideia para poder escapar dessa nova
situação. Depois de dar poucos passos, eu parei e puxei novamente a mão do
Nicholas. Ele me encarou confuso.
-Miley,
a polícia está chegando! Vem, eu vou te ajudar a escapar. – ele dizia
rapidamente.
-Não
dá mais tempo. – eu respondi o óbvio. –Se escapássemos agora, antes mesmo de atravessar
aqueles portões, os policiais nos pegariam. Eu não quero que te você se envolva
nisso.
-Mas
Miles... – Nick insistiu, porém parou com a sua tentativa de me convencer,
quando avistou as viaturas entrarem na propriedade da majestosa mansão.
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